20 Dez 2024
Telma Monteiro: "Espero poder continuar a dar o meu contributo ao desporto"

Comité Olímpico de Portugal (COP) e Comissão de Atletas Olímpicos (CAO) homenagearam esta sexta-feira Telma Monteiro pelo legado que deixa ao desporto português no fim da sua carreira de judoca olímpica.

“Acho que é bom chegar ao fim da carreira e ter este sentimento junto do Comité Olímpico, junto da CAO, porque isso diz mais sobre vocês do que sobre mim”, disse Telma Monteiro no evento que decorreu na sede do COP, em Lisboa. “O facto de ter feito seis ciclos olímpicos, independentemente de como terminaram, dá-me a capacidade de dizer que tanto o Comité como a Comissão de Atletas Olímpicos estão na melhor fase de sempre. É bom que os atletas sintam que fazem parte de algo, todos juntos. Quanto mais próxima for essa ligação, melhor para todos. O meu obrigado em nome dos atletas pelo excelente trabalho.”

Prestes a completar 39 anos (27 de dezembro), depois de 25 de carreira, Telma Monteiro tem atrás de si uma medalha olímpica conquistada no Rio 2016 – participou também nos Jogos Olímpicos Atenas 2004, Pequim 2008, Londres 2012 e Tóquio 2020 -, cinco em campeonatos do Mundo, mais 15 em campeonatos da Europa e três em Jogos Europeus, para além das mais de duas dezenas ganhas no circuito mundial, em provas Grand Slam e Grand Prix. Foi distinguida duas vezes pela Presidência da República e pelo COP, que lhe atribuiu a Medalha Olímpica Nobre Guedes e o Prémio Prestígio.

Numa homenagem a que se associou também a Federação Portuguesa de Judo (FPJ), Telma Monteiro, estendeu os seus agradecimentos aos participantes na homenagem. “Agradeço à Ana Oliveira [dirigente do Benfica], aqui presente, com quem comecei o Projeto Olímpico em 2006, às minha colegas de equipa, a Bárbara [Timo], a Rochele [Nunes], a Sandra [Borges] – com quem comecei a fazer Judo -, a Djamila [Silva], que realmente representam as pessoas especiais para mim, dentro e fora do tapete – não podem estar cá todas. É um momento especial para mim, sinto-me privilegiada por poder terminar a minha carreira com um sentimento de paz, é uma sensação impagável. Tive muita sorte. Sou muito grata pelas pessoas que tenho à minha volta. Espero poder continuar a dar o meu contributo ao desporto de outra forma. É um desafio.”

O presidente do COP, Artur Lopes, deu início à homenagem a Telma Monteiro com um balanço emotivo. “No fim da carreira de uma atleta temos sempre a obrigatoriedade de dizer o que foi a atleta e normalmente fala-se da sua performance desportiva, da sua grandeza, e esquece-se por vezes quem foi a mulher que esteve por trás da atleta. Normalmente, a visão que se tem da atleta supera a da mulher, mas às vezes a da mulher supera a da atleta, e noutros casos equivalem-se. A Telma é um destes casos. É uma mulher muito bonita, não só por fora, mas na sua essência, e é uma atleta de excelência”, referiu.

Artur Lopes lembrou também a forma distintiva como a judoca olímpica se iniciou no Judo. “Quando apareceu, a Telma foi um raio fulgurante que quase de imediato a levou aos Jogos Olímpicos. Fez cinco ao mais alto nível”, sublinhou. “E fez os resultados que fez na Europa e no Mundo, com muitas medalhas ganhas. Foi uma atleta de eleição, de talento, coragem, numa modalidade muito difícil. Tenho a certeza que vai continuar a ser muito importante no desporto. Como mulher foi sempre interventiva, tem a sua opinião, sabe o que quer, ajuda-nos a sermos melhores no mundo do desporto”, concluiu.

Sérgio Pina, presidente da FPJ, associou Telma Monteiro ao florescimento de uma era no Judo, em Portugal. “Falar da Telma foi durante algum tempo falar do Judo português. Havia uma equivalência entre o nome da Telma e do Judo. Os números estão aí. Tanto em termos de campeonatos da Europa, do Mundo, Grand Slams, Grand Prix. É uma carreira que teve seis preparações olímpicas, porque quando teve a lesão estava a preparar-se para a sexta participação e numa modalidade como o Judo só o consegue quem está na área da mitologia. Não é normal para um ser humano. Desejo-lhe do fundo do coração todo o sucesso, porque a Telma merece pelo legado que deixa na modalidade.”

A presidente da CAO, Diana Gomes, recordou que ambas tiveram a estreia olímpica em Atenas 2004 e sublinhou que 2024 fica marcado pelo fim da carreira de vários atletas olímpicos. “Alguns dos melhores nas suas modalidades despediram-se este ano. E é difícil porque parece que há um legado que vai terminando, mas na verdade não termina, neste caso só terminou dentro do tatami. Esperamos que haja mais 24 anos para mostrar ao desporto aquilo que tu aprendeste, aquilo que assimilaste enquanto atleta", disse, dirigindo-se diretamente a Telma Monteiro. "Aquilo que tenho visto é que depois de sermos atletas temos muito mais para dar.”

Diana Gomes terminou fazendo um agradecimento a Telma Monteiro: “Nós só temos a agradecer-te tudo aquilo que já fizeste, foste, mas temos a agradecer aquilo que vais dar, porque tu és muito forte e imensamente valiosa para o desporto e para o nosso País.”


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