16 Out 2025
Projeto GRASS lança sementes em Portugal para um desporto mais seguro

O Comité Olímpico de Portugal (COP) recebeu o evento nacional do projeto europeu Safer Grassroots Sport (GRASS), do qual é coordenador, e que tem como objetivo a capacitação das organizações desportivas de base, em que se incluem clubes e associações, para a adoção de medidas de prevenção e resposta a situações de violência e abuso em contexto desportivo.

“Esta é uma etapa importante num percurso que temos feito juntos, por um desporto mais seguro e inclusivo para todos”, defendeu a Secretária-Geral do COP, Diana Gomes, na abertura da sessão. Desejando que as ferramentas cheguem à comunidade desportiva nacional, a Secretária-geral admitiu o “compromisso institucional da Comissão Executiva do COP com esta causa; o bem-estar físico, mental e emocional dos atletas é uma prioridade” e deixou o desafio para que todos os elementos do sistema desportivo possam implementar e multiplicar as soluções que o projeto GRASS apresenta.

Joana Alexandre, da Escola de Ciências Sociais e Humanas do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE) deu mote ao evento com a conferência “Prevenção e proteção do desporto de base”. A oradora assumiu o desporto de base como um espaço privilegiado para aprendizagem de valores e desenvolvimento de competências sociais e emocionais, para além da promoção de hábitos de vida saudáveis, numa faixa etária em que crianças e jovens estão vulneráveis a comportamentos de risco ou abusivos. Com este pressuposto, apresentou vários exemplos na literatura existente e que elencam os fatores de risco e a perceção sobre o tema. Deixou ainda o seu apelo à necessidade de um olhar sistémico para prevenir e proteger o sistema desportivo das situações de abuso, que deve incluir o desenvolvimento de políticas públicas, a criação de mecanismos de proteção e a gestão de respostas para vítimas e agressores.

Neste evento nacional houve também espaço para a apresentação da evolução do projeto bem como das ferramentas disponíveis. Cristina Almeida, coordenadora do projeto e diretora do Departamento de Estudos e Projetos do COP, reforçou a ideia de que “as organizações precisam de estar preparadas para lidar com situações de abuso” uma vez que os estudos indicam que a prevalência de violência contra atletas “é mais frequente do que se imagina e não se limita aos casos mais mediáticos”. A coordenadora alertou ainda para o impacto que as situações de abuso têm em todas as estruturas do desporto, tanto para os indivíduos como para as organizações e para a comunidade.

Desde janeiro de 2024 e até ao final deste ano, o projeto GRASS, incluído no financiamento europeu Erasmus+ Desporto, tem desenvolvido ferramentas de autodiagnóstico e de utilização prática para proteger o desporto contra todas as áreas de abuso, ajudando os clubes a criar e aplicar políticas de prevenção. Num consórcio liderado por Portugal, estão também envolvidas instituições de Albânia, Eslovénia e Bulgária e já se encontram disponíveis ferramentas concretas que podem ser utilizadas por clubes e associações, que foram também apresentadas hoje por Bruno Avelar Rosa, da Qantara Sports, e por Joana Gonçalves, gestora de projeto no COP. Por um lado a ferramenta de autodiagnóstico que permite avaliar o estado de prontidão de uma instituição no que diz respeito às políticas de prevenção e ação, e por outro lado o kit digital composto por recursos gratuitos e prontos a usar, condensados num conjunto de ações organizadas por nível de desenvolvimento e área de intervenção.

Painel de boas práticas deixa indicadores para o futuro

Estiveram no COP representantes de quatros dos seis clubes-piloto do projeto GRASS em Portugal e que já implementam as ferramentas do projeto, bem como duas entidades convidadas. Em conjunto partilharam com a audiência a sua experiência e evolução na área de prevenção e resposta a situações de abuso. Este painel de debate, com a moderação de Carla Ferreira, da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, juntou Isabel Falcão, da Federação de Ginástica de Portugal, Paulo Nogueira, do Clube Recreativo Gonçalvinhense e também os representantes dos clubes – Tiago Portilha, do Guimagym, Eduardo Peixinho Reis, do Clube Naval de Portimão, João Diogo, da AD Castelo de Vide e Madalena Ferreira da Associação Naval de Lisboa. Todos os intervenientes, apesar das diferentes realidades de onde provêm ao nível de modalidades, número de praticantes, localização geográfica ou impacto na comunidade, destacaram a necessidade de criar canais de denúncia e de desenvolvimento de áreas de proteção para todos os envolvidos no desporto, uma vez que esta é uma temática cada vez mais presente nas instituições, tanto pela perceção da sociedade como por imposição legal. Madalena Almeida realçou a facilidade com que se implementam as ferramentas de proteção e segurança sugeridas pelo GRASS: “Ajudou a perceber o que tenho efetivamente de fazer. Vamos dando passinhos, devagarinho. Já implementámos com treinadores, porque eles vão passando para os atletas, e aí já estamos num passo maior”. Seguiu-se um dinâmico período de perguntas e respostas que refletiu o interesse na temática e a pertinência da aplicação das ferramentas que o GRASS oferece ao sistema desportivo de base.

Fernando Gomes, Presidente do COP, fechou o evento mostrando a sua “forte convicção de que este não é um tema periférico nem ocasional. Proteger os jovens é um dever prioritário”. Assinalou este momento como “simbólico e importante”, mas que também “fortalece o compromisso público do COP com ambientes seguros e livres de abuso”. O Presidente terminou com um apelo para “que cada federação, cada clube, cada escola, cada agente do desporto assuma um compromisso concreto com esta causa”, deixando a certeza que a instituição que preside está disponível para dar todo o apoio na implementação das políticas e ferramentas.

Para mais informações sobre o projeto GRASS, pode visitar o site dedicado em Safer Grassroots Sport  ou contactar através do e-mail  dep@comiteolimpicoportugal.pt  ou telefone 213 617 260.


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