15 Mai 2024
Livro e exposição Atletas Olímpicos Médicos abrem espaço para a reflexão sobre as carreiras duais

O lançamento do livro e a abertura da exposição “Atletas Olímpicos Médicos”, numa iniciativa da Ordem dos Médicos (OM) e do Comité Olímpico de Portugal (COP), proporcionou esta quarta-feira um momento ímpar de reflexão em torno das carreiras duais dos atletas de alto rendimento que procuram ter igualmente um percurso académico bem-sucedido.

“Há aspetos complexos para os atletas na junção da vida no desporto e da vida médica, há um caminho a desenvolver”, disse o bastonário da OM, Carlos Cortes, na presença do secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, antes desafiado pela atleta olímpica médica, Marta Onofre, competidora nos Jogos Olímpicos Rio 2016, a encontrar soluções duradouras para que seja mais simples aos atletas-estudantes, nomeadamente os de Medicina, fazerem a sua formação. “O livro é absolutamente magnífico, um documento extraordinário. Há aqui dois amores partilhados entre o desporto e a medicina. Há uma entrega impossível entre duas atividades, mas o que percebemos é que é possível”, concluiu Carlos Cortes.

O secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, reconheceu que o percurso dos atletas-estudantes “é muito difícil, mas é um percurso que tem de ser percorrido. Eles têm de preparar o pós-carreira durante a carreira”, e anunciou a extensão das unidades de apoio ao alto rendimento existentes no ensino secundário ao ensino superior. “Estamos no ‘piloto’ e tudo faremos para que seja um sucesso. Queremos aproveitar para acompanhar, com a Ordem dos Médicos e o Comité Olímpico, a implantação deste ‘piloto’”, disse Pedro Dias, para quem os protagonistas do livro, retratados também na exposição patente na sede da OM, em Lisboa, são “pessoas excecionais e inspiradoras. Podem transformar mentalidades e melhorar a vida das pessoas, no ideal de Pierre de Coubertin. Seguimos juntos.”

Paulo Simões, presidente do Conselho Regional do Sul da OM, abriu a sessão, caraterizando o duplo papel de atletas e médicos como “um grande desafio. São pessoas que abraçaram o projeto de ser dos melhores entre os melhores no desporto e serem alguém também na Medicina”

O secretário-geral da Comissão de Atletas Olímpicos (CAO), José Costa, quis iniciar a sua intervenção com um cumprimento a “uma pessoa que sempre deu voz aos atletas e defendeu e potenciou todas as vertentes da CAO. Obviamente, falo do prof. José Manuel Constantino”, presidente do COP. “Todos os exemplos que temos neste livro são mais do que exemplos bem conseguidos, são de alguém que teve a capacidade de conjugar dois mundos que muitas vezes não se tocam e são difíceis de coexistir,” disse.

António Silva Martins (Tiro e Atletismo), Mário Quina (Vela), António Gentil Martins (Tiro), Jacques Pena (Tiro), José Gomes Pereira (Natação), Ana Alegria (Natação), Petra Chaves (Natação), Ana Francisco (Natação), Ana Rente (Ginástica), João Araújo (Natação), Ana Moura (Badminton), Arnaldo Abrantes (Atletismo), Marta Onofre (Atletismo), Irina Rodrigues (Atletismo), Francisco Belo (Atletismo), Rui Bragança (Taekwondo), Francisca Laia (Canoagem) e Joaquim Ramada são os Atletas Olímpicos Médicos retratados na obra assinada por Sofia Barrocas, com fotografia de Rodrigo Cabrita. Alguns deles estiveram na sessão desta quarta-feira:

Rui Bragança (Taekwondo):

“Se não fosse o Taekwondo eu não seria médico. Espero estar à altura, trazendo para a medicina tudo o que aprendi no taekwondo.”

Francisco Belo (Atletismo):

“Agradeço a cada pessoa, tanto os que me apoiaram como aqueles que não acreditaram. Acabei, estou cá. Todos eles contribuíram. Quero ser tão bom médico quanto sou lançador de peso. Imaginem o que é ser o 20.º médico do mundo. Eu sei que vou continuar a focar-me no caminho e não nos resultados.”

Marta Onofre (Atletismo):

“Tem um significado muito especial para mim, este livro. Estes últimos 16 anos foram de muito trabalho, dor e frustração, que são mais presentes do que os momentos de sucesso. Mas tenho a noção que me permitiram ser o que sou hoje, fizeram-me crescer muito enquanto pessoa e atleta. Que se criem condições para se conjugarem estas duas carreiras.”

Jacques Pena (Tiro):

“Esta parceria entre a Ordem e o Comité Olímpico só nos enche de orgulho.”

António Gentil Martins (Tiro), atleta-médico e filho de António Silva Martins, o primeiro atleta olímpico (Atletismo e Tiro) médico português:

“Procurei imitar o meu pai que foi o maior atleta português. Limpou tudo. O mais importante é ter sido médico, ajudar os outros.”

Mário Quina, presidente da Federação Portuguesa de Vela, falou em memória do seu pai, Mário Quina, medalhado em Roma 1960:

“Os atletas olímpicos são pessoas excecionais, que ainda conseguiram conciliar com uma carreira na medicina. O meu pai tinha três paixões na vida, a família, a medicina e a vela. Empenhou-se muito na medicina. Na Vela esteve em quatro Jogos Olímpicos e conquistou a última medalha de prata da modalidade.”

Artur Lopes, vice-presidente da Comissão Executiva do COP, também ele médico, abriu a sua intervenção com uma citação: “Não basta dizer que a vida de um médico é dura, é necessário que o seja." E acrescentou: "Ser atleta de alta competição é outra grande paixão. São atividades que andam de braço dado. E que o Governo olhe para estas atividades de modo a que tudo seja coordenado, para haver grandes médicos e grande atletas.”


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