Chegou ao fim o 4.º Encontro Nacional de Esperanças Olímpicas (ENEO) no Rio Maior Sports Centre, onde ao longo de dois dias 99 atletas e 52 treinadores, de 18 federações desportivas, viveram momentos de partilha no enriquecimento de um processo que tem por objetivo a participação nos Jogos Olímpicos Los Angeles 2028 e Brisbane 2032.
O ponto alto deste domingo aconteceu nas “Conversas Olímpicas” protagonizadas pela campeã mundial e europeia dos 50 km marcha, Inês Henriques, e pelo seu treinador Jorge Miguel, numa sessão moderada pelo administrador da Desmor, Miguel Pacheco.
Inês Henriques começou por testemunhar a experiência de ser campeã do mundo, aos 37 anos. “Queria mostrar que a Inês e as mulheres conseguiam fazer 50 quilómetros. Consegui deixar o meu nome e o nome do Jorge Miguel na história do Atletismo mundial.” Mas para lá chegar, houve um longo percurso, conforme explicou: “Eu tinha algum talento, mas tive de trabalhar muito até ser campeã do mundo ao fim de 25 anos.” Dirigindo-se à jovem audiência do ENEO, Inês Henriques fez uma advertência quanto à necessidade de investir no trabalho. “Podemos ter os nossos sonhos, mas temos de trabalhar muito”, disse, revelando nunca ter desistido dos seus objetivos académicos. “Demorei mais tempo, mas sou licenciada e campeã do mundo.”
Protagonista de uma relação muito sólida com o seu treinador de sempre, Inês Henriques explicitou qual o valor fundamental nessa relação. “Quando ganhamos, ganhamos os dois, e quando perdemos, perdemos os dois. E o líder é sempre o treinador, apesar de ser o atleta a aparecer nos jornais. Ele era a pessoa que me dava alento para continuar a trabalhar.”
Jorge Miguel teve uma ideia-força no seu discurso dirigido aos atletas: “É sempre possível atingir o nosso sonho segundo o ideal que nos norteia”, lembrando-lhes, no entanto, que nem todos atingirão a participação olímpica. “Vão conseguir aqueles que acreditarem que são capazes de lá chegar.” Neste trajeto, a capacidade de trabalho e a paciência são fundamentais, como ficou patente no exemplo da sua atleta. “A Inês teve a capacidade de não querer o resultado para amanhã.”
A encerrar a sessão, Pedro Roque, diretor desportivo do COP e coordenador do ENEO, apelou à necessidade de os atletas trabalharem sempre equipa, respeitando os valores olímpicos: a Excelência, a Amizade e o Respeito. No fim, agradeceu a disponibilidade da Desmor para a organização em parceria com o COP e o empenho dos voluntários da Escola Superior de Desporto de Rio Maior.
Este domingo, no ENEO, houve ainda troca de experiências na área do treino - com os atletas a experimentarem modalidades que não as que habitualmente praticam -, uma sessão informativa sobre antidoping desenvolvida pela Autoridade Antidopagem de Portugal e ainda a preparação prática de alimentos pré-treino, com os atletas a meterem literalmente a mão na massa, sob a supervisão da nutricionista do COP, Cláudia Minderico, que desenvolveu as receitas.
Os participantes no ENEO, das modalidades de Andebol, Atletismo, Badminton, Canoagem, Ciclismo, Equestre, Ginástica, Natação, Patinagem, Râguebi, Remo, Surf, Taekwondo, Ténis, Ténis de Mesa, Tiro com Arco, Triatlo e Vela participaram também em sessões de trabalho na área da comunicação, educação olímpica, proteção de atletas, psicologia, gestão de carreira e preparação de transição de carreira, com os conteúdos dinamizados pelos vários departamentos do COP e pela Comissão de Atletas Olímpicos. Os treinadores também tiveram um programa dedicado com grupos de discussão temáticos e workshops técnicos.