A Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) e a Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP) renovaram esta sexta-feira, na sede do Comité Olímpico de Portugal (COP), em Lisboa, o protocolo que prevê a aplicação do passaporte biológico a todos os ciclistas profissionais portugueses no controlo antidopagem.
Artur Lopes, presidente do COP, sublinhou a abrir a sessão de assinatura do documento que a luta antidopagem se mantém prioritária na agenda da organização, como “algo que deve estar quase no ponto primeiro das preocupações ao nível do desporto”, apesar dos esforços financeiros que implica. “É evidente que a luta antidopagem é muito cara, mas tem de se manter”, acrescentou Artur Lopes, sublinhando “a necessidade da luta continuar, ser aprofundada e melhorada com este protocolo”.
O presidente da FPC, Delmino Pereira, reforçou a ideia expressa quando o protocolo foi firmado, em 2023, dizendo tratar-se de “um compromisso absolutamente estruturante para o futuro” do Ciclismo. “Temos uma história de problemas de dopagem, mas também temos uma longa história de luta contra o doping”, reforçou, tendo ainda acrescentado: “Quando assinámos este protocolo, foi um passo grande para ir ao encontro de um grande desígnio nosso - credibilizar o ciclismo.”
Manuel Brito, presidente da ADoP, deu relevo ao caráter simbólico que o protocolo tem, por ser “um sinal muito forte para o movimento associativo: para problemas especiais, soluções especiais.”
Também presente na cerimónia, o secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, sublinhou que o documento assinado entre FPC e ADoP é um instrumento fundamental para a preservação da “integridade das competições”, que considerou o “principal ativo” do desporto, e que “é inegociável”.
Para esclarecer do que se trata o passaporte biológico e os passos que têm sido dados para a sua implantação na luta antidopagem intervieram de seguida António Júlio Nunes, diretor executivo da ADoP, e Olivier Banuls, diretor de testagem da International Testing Agency (ITA). António Júlio Nunes revelou que foram realizados 672 controlos no âmbito do passaporte biológico, uma média de sete controlos por ciclista dos que fazem parte do grupo alvo, em Portugal – todos os profissionais das equipa continentais, o equivalente à 3.ª divisão mundial.
O passaporte biológico baseia-se na monitorização, ao longo do tempo, de parâmetros biológicos (através de amostras de sangue e de urina), que podem revelar os efeitos da utilização de substâncias ou métodos proibidos, em oposição aos controlos pontuais através das análises de sangue e urina.