26 Set 2024
Doping, e-sports, redes sociais e questões de género em debate no Panathlon Clube de Lisboa

“Temas em aberto em Ética Desportiva numa retrospetiva de Paris e novo ciclo olímpico de Los Angeles” foram esta quinta-feira objeto do debate lançado pelo Panathlon Clube de Lisboa, no Ginásio Clube Português, com a participação de Ulisses Pereira, Vice-presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), Marco Alves, Chefe da Missão de Portugal aos Jogos Olímpicos Paris 2024, José Manuel Lourenço, Presidente do Comité Paralímpico de Portugal (CPP), e Luís Figueiredo, Chefe da Missão de Portugal aos Jogos Paralímpicos Paris 2024.

Os temas identificados por Luís Paulo Relógio, moderador do debate, foram as questões de género, o doping, as redes sociais e os e-sports. Ulisses Pereira sublinhou, quanto às questões de género, que “foram dados passos muito positivos” no sentido da paridade, tendo “Portugal, felizmente, conseguido acompanhar” aquela que era uma das bandeiras do Jogos Olímpicos Paris 2024, com uma Missão até constituída por mais atletas do sexo feminino do que do sexo masculino. “Mas há questões mais complexas”, disse, reforçando uma ideia: “O que nós queremos é igualdade entre competidores. A ética passa pela verdade desportiva.”

Ulisses Pereira citou também José Manuel Constantino, presidente falecido do COP – em memória de quem foi guardado um momento de silêncio, no início da sessão. “’Hoje em dia o desporto está contaminado pelo negócio’”, acrescentando: “Mas também pela opinião feita por minorias. O que temos de fazer é competições equilibradas."

A propósito do debate em torno da questão do “hipergénero”, Marco Alves lembrou que em Paris 2024 competiram 10500 atletas e “estamos a falar de dois casos de uma modalidade particular. Importa perceber o mediatismo” que a situação tomou, sabendo que “a comunidade do Boxe já conhecia as duas atletas” em questão, a argelina Imane Khelif e Lin Yu-Ting, da Taipé Chinesa, que ganharam medalhas de ouro muito contestadas e terem sido levantadas dúvidas quanto ao seu género, mas cuja participação em Paris 2024 foi validada pela federação internacional da modalidade.

Os cinco casos de doping verificados em Paris 2024 mereceram de Ulisses Pereira um comentário “positivo”, ressaltando o facto de ter havido “um encargo acrescido no acompanhamento dos atletas. Em termos de Missão procurámos corresponder ao que era exigido e tivemos uma boa relação com a ADoP.”

“Zero casos seriam motivo de maior regozijo”, referiu Marco Alves, tendo realçado que “ninguém entenderia que a testagem não fosse desta magnitude”, em alta escala, “depois do que se passou com a Rússia.”

Em relação aos problemas suscitados pelas redes sociais, nomeadamente o “bullying”, Ulisses Pereira realçou “a preocupação “com o ‘safeguarding’”, tendo havido um oficial acreditado no seio da Missão de Portugal depois das acreditações específicas criadas pelo Comité Olímpico Internacional (COI) “para acompanhar os atletas”, como lembrou Marco Alves, porque “as mensagens de ódio repetem-se”, nas redes sociais, referiu o Chefe da Missão Olímpica.

No que diz respeito aos “e-games”, Ulisses Pereira foi muito claro: “Sou absolutamente contra misturar os e-sports com o desporto. Temos de lutar para que os jovens deixem os televisores e passem para a prática desportiva.” Marco Alves foi no mesmo sentido quanto a este tema: “A entidade que deve respeitar os anéis olímpicos vai contra o que determina a Carta Olímpica. Nota negativa para o COI.”

Momento sensível do debate aconteceu quando Luís Figueiredo, chefe da Missão Paralímpica a Paris 2024, disse não acreditar terem existido apenas cinco casos de “doping”, nos Jogos Olímpicos.

Já quando o moderador Luís Paulo Relógio abordou os dois casos em que os resultados das análises antidoping, na Missão Paralímpica, foram adversos, José Manuel Lourenço, presidente do CPP, José Manuel Lourenço, lembrou que esses casos ainda estão em processo “e, se houve doping, o que falhou foi ético, e nós também falharemos se estivermos aqui a fazer o julgamento.”


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