O tema da proteção dos atletas contra todas as formas de violência e abuso continua na agenda do Comité Olímpico de Portugal (COP) e prova disso foi a participação ativa na Conferência Europeia Intermédia do projeto Safe Harbour, organizada pelo EOC EU Office. Para assinalar 15 meses deste projeto, a conferência juntou os principais intervenientes europeus do desporto para debater os desafios da proteção de atletas, os mecanismos de safeguarding em vigor e as maiores ameaças e violações cometidas.
Peritos do Conselho da Europa, da organização Under the Ropes e do projeto Safe Harbour foram alguns dos que deixaram contributos ao tema, havendo ainda painéis de discussão. Cristina Almeida, Diretora do Departamento de Estudos e Projetos do COP, integrou o painel Translating Evidence into Policy and Practice que abordou o safeguarding enquanto cultura organizacional e governança, juntamente com representantes dos Comités Olímpicos Nacionais de Montenegro e da Noruega e ainda da International Biathlon Union.
Cristina Almeida partilhou a experiência do COP no que diz respeito à operacionalização da proteção de atletas enquanto dimensão estruturante da cultura organizacional e de governança. Foi defendido que o processo deve iniciar-se com a prática concreta e na realidade quotidiana das organizações desportivas e dos atletas, através de uma abordagem bottom-up. Neste contexto, foi evidenciado o papel determinante da participação de Portugal no trabalho do Conselho da Europa, que permitiu ao país desenvolver o primeiro roteiro nacional nesta área, reforçando a importância da capacitação no COP, nomeadamente através da formação de dois safeguarding officers. Na sua intervenção a Diretora do COP sublinhou ainda a relevância das ações de sensibilização e da produção de evidência, com destaque para a realização do estudo da prevalência da violência contra atletas, como base para decisões informadas e políticas mais eficazes. Paralelamente, foi apresentado o contributo do projeto GRASS na extensão destas práticas ao nível do desporto de base, apoiando clubes e organizações locais na implementação de medidas concretas. No que respeita à transposição das políticas para a prática, foi enfatizado que “as políticas, por si só, não tornam o desporto seguro; são as pessoas que o fazem”. Assim, a eficácia das políticas dependente da sua implementação efetiva, da sua integração nos processos organizacionais e da sua avaliação contínua. A educação, a capacitação e o compromisso visível das lideranças foram identificados como os fatores chave para a incorporação do safeguarding na cultura organizacional. Da sessão destaca-se a necessidade do safeguarding ser entendido como um sistema vivo, sustentado por prática, dados e compromisso coletivo, sendo um processo contínuo e uma responsabilidade partilhada por todos os intervenientes no sistema desportivo.
