Entre as várias novidades e regressos ao programa desportivo dos Jogos Europeus Cracóvia-Malopolska 2023, o Taekwondo tem um significado especial para a Equipa Portugal depois de, na edição inaugural, em Baku 2015, os atletas portugueses terem conquistado duas medalhas, uma de ouro e uma de bronze.
Rui Bragança foi o responsável por uma dessas medalhas, a de ouro nos -58 kg, e faz parte dos nomes já qualificados para o regresso do Taekwondo oito anos depois, assim como Júlio Ferreira, que foi bronze nos -80 kg.
Dessa conquista, no primeiro dia de competição da modalidade, Rui Bragança recorda as “surpresas boas” e o apoio dos restantes elementos da missão até à final, apesar da hora tardia: “Foi um dia daqueles em que tudo corre bem, tudo corre perfeito. Muitas surpresas boas ao longo do dia e parecia mesmo que estava tudo alinhado. Cada combate foi incrível. Ter lá a surpresa para a final… Eu achava que não ia ter ninguém de Portugal porque ia ser muito tarde. Fizeram todos um esforço e até os meus colegas que iam combater no dia seguinte estavam lá e conseguiram arranjar ali um plano e, quando saí para a final, vê-los lá foi incrível.”
Habituado a subir aos pódios e a ouvir o hino nas mais diversas competições, Rui Bragança explica que a conquista nos Jogos Europeus e a cerimónia de entrega de medalhas tiveram outro sabor: “Foi muito diferente dos outros pela mesma razão da final. Por ter o público, por estar lá o Secretário de Estado, a Rosa Mota… tenho a ideia de ver lá toda a gente depois de receber a medalha e vir cá para fora poder celebrar com todos eles.”
Oito anos depois, o atleta português vive um momento distinto. Se em Baku 2015 levava o estatuto de 3.º cabeça-de-série, desta vez o cenário é bem diferente, com a ausência dos lugares cimeiros do ranking. Ainda assim, defende o estatuto de campeão em título conquistado há oito anos devido à ausência da modalidade em Minsk 2019.
“Não muda nada, cada combate é um combate no Taekwondo. Nós temos de combater três vezes seguidas num dia e vão ser três combates completamente diferentes. Não é por ter sido medalhado nos últimos Jogos Europeus que entro com mais pontos ou que entro à frente de alguém. Aliás, até entro numa posição completamente diferente. Quando foram os outros Jogos Europeus eu era o cabeça-de-série número 3 e agora vou entrar sem ser cabeça-de-série, completamente fora do ranking, por isso não muda nada”, defende.
A ambição existe e, tal como em Baku 2015, a prova volta a contar com pontos para o ranking de qualificação olímpica, que ajudaram Rui Bragança a estar nos Jogos Olímpicos do Rio 2016. De resto, os Jogos Europeus são, para o atleta, o “passo anterior” a Paris 2024.
“É muito semelhante. Vamos todos para uma aldeia, estamos com os melhores atletas portugueses, do mundo, a organização é sempre uma coisa incrível, por isso acho que é mesmo o passo anterior aos Jogos Olímpicos e é uma ótima forma de os atletas se preparem para quando chegarem aos Jogos não haver aquela surpresa que depois até pode inibir a nossa performance”, explica.
Portugal tem até esta altura três atletas qualificados para o Taekwondo nos Jogos Europeus: Rui Bragança (-58 kg), Júlio Ferreira (-80 kg) e Joana Cunha (-57 kg). A competição decorre entre os dias 23 e 26 de junho em Krynica-Zdrój.
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