O programa “The Olympic Performance” desenvolvido pelo Comité Olímpico de Portugal organizou uma sessão on-line dedicada ao síndrome pós-COVID e à vacinação e a sua relação com o alto rendimento. Em parceria com a Comissão de Atletas Olímpicos (CAO) a sessão juntou Ângela Crespo, Imunologista e Investigadora; José Gomes Pereira, Diretor de Medicina Desportiva do COP; e Ana Bispo Ramires, Psicóloga da Direção de Medicina Desportiva do COP.
Ir ao encontro das expectativas e perguntas dos atletas nesta altura, foi o principal objetivo da sessão. João Rodrigues, Presidente da CAO consegue pôr-se no lugar dos atletas que estão a trabalhar com os Jogos Olímpicos no horizonte e entende as dúvidas que existem: “Como teria reagido se me estivesse a preparar para os Jogos Olímpicos de Tóquio? Conseguia abstrair-me do ruído ou seria levado pela ansiedade? As pessoas que me acompanham seriam capazes de me transmitir tranquilidade? Como seria se apanhasse COVID do ponto de vista de saúde e mental?”
José Gomes Pereira tem resposta para algumas destas perguntas. Embora não existam “casos típicos e a variabilidade entre os casos seja muito grande, não se consegue definir um padrão, mas já se conhece muito”, por isso é importante fazer um levantamento das consequências de regresso ao treino depois de contrair a doença e adaptar as recomendações de saúde pública para um regresso seguro aos treinos. O médico deixou, no entanto, um alerta “qualquer sintomatologia suspeita, mesmo que leve, deve ser acompanhada”. Não existe consenso sobre a melhor forma de regresso ao treino após infeção viral, mas as capacidades respiratórias e cardíacas devem ser vigiadas e controladas e é aceite que o regresso ao treino deve ser gradual e “sem queimar etapas”. E o alerta é para todos “o risco de complicações é real e prolongado no tempo e com impacto físico, mas também psicológico”.
Para falar do impacto psicológico, Ana Bispo Ramires voltou a deixar técnicas para ganhar resiliência perante os desafios e como evitar que estes eventos inesperados e incontroláveis se transformem em experiências traumáticas. A psicóloga apresentou ainda os resultados preliminares do inquérito lançado para avaliar os impactos da pandemia nos atletas portugueses. Das cerca de 250 respostas recebidas, cerca de 30% são de atletas e equipas técnica envolvidos diretamente no Programa de Preparação Olímpica. Os primeiros resultados indicam que os atletas parecem apresentar menos ansiedade que a população em geral, uma vez que estão mais habituados a gerir e regular os momentos de stress. No entanto, entre as preocupações apresentadas estão a demora à rotina habitual e os cancelamentos de competições, especialmente aquelas que podem qualificar para os Jogos Olímpicos. Também a possibilidade de quarentena e isolamento é uma preocupação. É por isso importantes “identificar as fontes de stress e avaliar as estratégias para lidar com essas fontes de stress – seja de forma individual ou com ajuda profissional”.
Para o processo de imunidade e vacinação, Ângela Crespo apresentou as fases desde o contacto com o vírus até à criação de memória das células para evitar um momento de infeção. Em relação à vacina, que “permite maior desenvolvimento de anticorpos, por comparação com a infeação natural”, foram exibidas as várias soluções autorizadas na Europa e foi deixada a mensagem de que as vacinas são seguras e a melhor forma de controlar a transmissão e doença. No entanto a imunologista deixou o alerta: “uma pessoa vacinada, ou com imunidade natural, pode continuar a ser vetor de infeção – é por isso que é importante manter medidas de higiene até atingir a imunidade de grupo”. Quanto à vacinação da Missão de Portugal aos Jogos Olímpicos de Tóquio, a imunologista defende a planificação de acordo com o calendário competitivo, mas alerta que devido aos tempos entre doses e ao tempo até à imunidade máxima ser atingida após a 2.ª dose, que é essencial que seja iniciada a vacinação.
A sessão está já disponível na íntegra aqui .
Pode também rever todas as sessões The Olympic Performance no Canal COP ou no separador “ Documentos de Apoio ” na página do COP dedicada aos Jogos Olímpicos de Tóquio.