26 Jan 2026
Pedro Flávio: “Gostaria de viver momentos de superação”

Pela primeira vez como Chefe de Missão aos Jogos Olímpicos de inverno, Pedro Flávio soma já várias presenças nas comitivas da Equipa Portugal. Esteve como oficial nas últimas edições e foi Chefe de Missão aos Jogos Olímpicos da Juventude Gangwon 2024 e ao Festival Olímpico da Juventude de inverno Sarajevo 2019, Vuokatti 2022, Friuli-Venezia Giulia 2023 e Bakuriani 2025. Orgulhoso da equipa que vai chefiar em Itália destaca a honra que é representar as cores de Portugal, confessando que “gostaria de viver momentos de superação”.

“A regularidade da presença portuguesa nos Jogos Olímpicos de inverno mostra que as modalidades de neve deixaram de ser, para os portugueses, uma curiosidade distante, Os portugueses gostam de desportos de neve”, acredita Pedro Flávio que para além de Chefe de Missão a Milão Cortina 2026 é também Presidente da Federação de Desportos de Inverno de Portugal (FDI-P). “Hoje existe mais conhecimento, mais clubes, mais atletas a competir e mais interesse do público. Esta continuidade cria referências, inspira jovens e mostra que também é possível representar Portugal ao mais alto nível nos desportos de inverno”.

O Esqui Alpino é uma das modalidades com participação portuguesa mais frequente em grandes competições internacionais, fruto do contexto português. Para Pedro Flávio a regularidade deve-se ao “trabalho consistente da FDI-P, dos clubes de base e ainda do apoio do Instituto Português do Desporto e Juventude e do Comité Olímpico de Portugal”. Esta “linha de continuidade, com atletas que servem de referência aos mais novos, facilita a renovação geracional”.

E é precisamente a geração mais nova que irá competir em Itália com as cores de Portugal, e o Esqui Alpino a ser representado pelos irmãos Vanina e Emeric Guerillot. “Da Vanina esperamos maturidade competitiva, experiência em grandes palcos e capacidade de lidar com a pressão olímpica”, antevê Pedro Flávio. “Já viveu esta realidade e isso é uma enorme vantagem”. Quanto ao estreante Emeric, o Chefe de Missão aponta para “irreverência, ambição e muita vontade de mostrar o seu valor. As suas participações no Festival Olímpico da Juventude Europeia e nos Jogos Olímpicos da Juventude deram-lhe bagagem internacional importante”. Em resumo, para o Esqui Alpino, o Chefe de Missão acredita que “ambos têm condições de competir de forma séria, focada e com ambição de fazer o melhor possível”.

No Esqui de Fundo, o Chefe de Missão acredita que o José Cabeça terá uma prestação “confiante e com enorme vontade de superar os seus próprios resultados anteriores. É um atleta que tem investido muito na preparação física, técnica e mental, é um obstinado. A experiência em Pequim 2022 deu-lhe ferramentas importantes para gerir melhor a competição olímpica”.

Nos três atletas que integram a Equipa Portugal o Chefe de Missão sente um espírito de “orgulho e responsabilidade". "Todos sabem que vestir as cores de Portugal é um privilégio enorme. Existe entusiasmo, foco no trabalho e muita vontade de representar o país da melhor forma”.

Itália: das estruturas modernas às longas distâncias – os desafios de um Chefe de Missão

Para os Jogos Olímpicos de inverno Milão Cortina 2026, o Chefe de Missão espera encontrar “pistas de alto nível, estruturas modernas, boas condições de alojamento e logística eficiente”. A longa tradição italiana em organizar grandes eventos desportivos, aliada à exigente estrutura organizativa dos Jogos Olímpicos, “aponta para que atletas e equipas tenham condições muito boas para competir e viver a experiência olímpica com qualidade”.

O grande desafio serão as distâncias entre os locais de competição. O Esqui Alpino masculino tem a sua base na zona de Stelvio e o feminino em Cortina d’Ampezzo, a cerca de 300 quilómetros de distância, o que nas montanhas equivale a mais de cinco horas de viagem. Já o Esqui de Fundo irá competir em Tesero, no Val di Fiemme, que se localiza a pouco menos de quatro horas de carro a partir de Milão.

Para Pedro Flávio os desafios fazem parte das suas funções enquanto líder da comitiva portuguesa e, apesar de já ter estado com vários papéis em diversos eventos internacionais, continua motivado para “representar Portugal, apoiar os atletas e fazer parte de momentos que marcam vidas”. Acredita que “cada Missão é diferente, cada grupo tem a sua história, os seus desafios e as suas conquistas. Ver um atleta concretizar um sonho olímpico é algo que nunca se torna rotina”. Para os Jogos Olímpicos de inverno 2026 “gostaria de viver momentos de superação, ver um atleta melhorar resultados, terminar uma competição com a sensação de missão cumprida, esses momentos valem sem dúvida todo o trabalho”. Em Itália espera ter dias intensos com “quilómetros na estrada, reuniões, acompanhamento dos atletas e técnicos, articulação com a organização, resolução de problemas logísticos, apoio emocional quando necessário”, tudo com um só objetivo: “garantir que os atletas irão competir nas melhores condições possíveis”.

O Chefe de Missão vê nos Jogos Olímpicos “um poder inspirador único. Cada participação é uma semente lançada para o futuro dos desportos de inverno em Portugal”. Aos portugueses apela ao apoio constante à Equipa Portugal. “Cada atleta leva consigo muitos sonhos, sacrifícios, histórias de superação e o orgulho de vestir as nossas cores. Cada mensagem de apoio, cada palavra de incentivo faz a diferença!”.


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