24 Mar 2022
OITO - Os Jogos Olímpicos vistos por João Rodrigues

“OITO – Os Jogos Olímpicos por dentro” é o livro que quem competiu em sete edições da maior competição multidesportiva do mundo como atleta - e assim se tornou no desportista português com mais participações - vai lançar no dia 29 de março, às 17 horas, na sede do Comité Olímpico de Portugal (COP).

João Rodrigues, recém-eleito vogal da Comissão Executiva do COP e prestes a deixar o cargo de presidente da Comissão de Atletas Olímpicos, esteve em Tóquio 2020 nos seus oitavos Jogos Olímpicos, desta vez já não para entrar numa das provas de Vela, mas para estrear a função de adido olímpico, em proximidade com os atletas. E foi no registo de participante-observador que assinou um diário que reflete o seu olhar em relação à mais bem sucedida passagem de sempre da Equipa Portugal por uns Jogos Olímpicos e agora ganha a forma de livro.

O modo peculiar como João Rodrigues viu Tóquio 2020 de fora do palco competitivo - estando dentro, noutro papel - suscitou a José Manuel Constantino, presidente do COP, o prefácio que se publica aqui na íntegra:

“Todos temos uma história e estórias para contar. Mas nem todos temos a capacidade de o saber fazer. Sobretudo através da escrita. O João Rodrigues tem essa capacidade. Já o havia demonstrado em anteriores iniciativas editoriais e confirma-o agora através desta espécie de diário de bordo com que nos presenteou ao longo dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

À partida, o João, em Tóquio, acumulava vários papéis: o de Presidente da Comissão de Atletas Olímpicos, o de elemento operacional da Missão Olímpica e o de atleta com sete participações em anteriores Jogos Olímpicos naquela que é a mais longa carreira olímpica de um atleta português. Juntou a cada um destes papéis o de repórter. Partilhando connosco o modo como ia vivendo esta sua nova experiência olímpica.

Sabemos que se situava num contexto não totalmente novo, mas com uma posição totalmente diferente. E nuns Jogos que eram em tudo diferentes. Mas o João era o mesmo: um homem sensível, educado, apaixonado pela vida, partilhando a sua existência, mas despertando em nós a curiosidade de conhecer aquilo que diariamente ia vivendo. Prova-o as centenas de testemunhos que os seus textos iam colecionando. E os apelos a que continuasse.

Tenho pelo João Rodrigues uma admiração que não escondo. Por razões geracionais sempre apreciei as pessoas de muitas leituras. As pessoas que procuram acrescentar mundo ao seu próprio mundo viajando nas e pelas palavras.

Em Lisboa despedi-me do João enquanto ele aguardava a chegada de um transporte que haveria de o levar ao Algarve para aí aceder a um transporte aéreo que possibilitaria em Paris a ligação a Tóquio. Eram horas de desespero porque o transporte inicial havia sido cancelado. Sentado no chão, o João, aparentemente calmo e não exteriorizando qualquer desalento, aproveitava o tempo para ler. Discretamente tentei perceber o que estava a ler. Ele revela-o numa das suas crónicas. Mas independente da natureza da sua leitura o que me fascinou foi o de alguém, no meio de uma tormenta como foi a manhã daquele dia, ter espaço mental e emocional para aproveitar o tempo de espera para ler.

Esta crónicas são o corolário de alguém para quem a vida vivida é para ser partilhada. Em que as experiências de vida não são marcos apenas na nossa existência, mas das quais podemos retirar ensinamentos úteis aos outros. E nisso o João usa as palavras com a mesma mestria com que maneja a prancha que fez dele uma lenda dos desportos náuticos.

Os Jogos Olímpicos de Tóquio para além das vitórias e das derrotas, das alegrias e das tristezas, dos sucessos e dos insucessos, foram também esta experiência inolvidável que o João nos transmitiu de uma forma empolgada e sublime transportando todos quanto o acompanharam neste seu diário para o pulsar dos Jogos na sua dimensão humana e existencial.

Por tudo isto, o Comité Olímpico de Portugal só pode estar agradecido por poder contar, entre os seus, com uma pessoa da valia do João, sabendo que este seu sentimento é partilhado por todos o que o conhecem e acompanham na vida de cidadão, de desportista e agora nestes seus escritos.

E a forma que temos de, publicamente, testemunhar esse apreço e reconhecimento é precisamente editar em livro estes seus escritos registando para o futuro uma memória que importa preservar e divulgar.”

“OITO – Os Jogos Olímpicos por dentro” tem 210 páginas e edição do COP.


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