20 Abr 2022
"O nosso objetivo é sempre saltar mais um centímetro"

“O nosso objetivo é sempre saltar mais um centímetro.” Foi assim, sinteticamente, que o treinador José Sousa Uva explicitou a finalidade do trabalho que desenvolve com a vice-campeã olímpica do triplo salto, Patrícia Mamona. "Os títulos são consequência, não são objetivo. O objetivo é a transcendência.”

A intervenção de José Sousa Uva, durante o seminário “Patrícia Mamona: a base científica das medalhas”, organizado pela Faculdade de Motricidade Humana (FMH), com o apoio da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) e do Comité Olímpico de Portugal (COP), focou-se na necessidade de desenvolver um trabalho multidisciplinar, apoiado numa equipa capaz de mobilizar vários saberes. “Sem eles a Patrícia não tinha conseguido saltar os 15,01 metros” que a conduziram à medalha nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020, concluiu.

Da equipa multidisciplinar de Patrícia Mamona fazem parte, para além do treinador José Sousa Uva, Paulo Oliveira, biomecânico; Cláudia Minderico (da Direção de Medicina Desportiva do COP), nutrição e suplementação; João Lameiras, psicologia; Duarte Araújo, tomada de decisão e expertise; Isabel Crespo, médica; e Tiago Gamelas e Ricardo Paulino, fisioterapeutas.

José Sousa Uva, treinador de Patrícia Mamona, sublinhou ainda na sua intervenção que, “neste percurso de 20 anos” em que está ligado à atleta, desde que a descobriu num corta-mato escolar, no Cacém, não sabe “quem é que aprendeu mais, se fui, se foi ela. Ensinou-me muitas lições, nem ela muitas vezes se apercebeu.” No processo de trabalho, “temos estado com os melhores, entre os melhores, a aprender e a ensinar. E no dia estamos lá para fazer acontecer”, reforçou o treinador de Patrícia Mamona.

A vice-campeã olímpica explicou como começou no Atletismo e revelou possuir um espírito competitivo que a acompanhou sempre. “Desde muito cedo acordei a pensar como é que ia ganhar aos meus amigos no jogo da mosca. Eu sempre gostei muito de movimento.” E foi quando ganhou a rapazes e raparigas numa corrida escolar que fez a sua escolha. “Percebi que tinha talento para o Atletismo.”

Patrícia Mamona olímpica lembrou que ao atleta se colocam “muitos desafios”, mas no seu caminho há uma necessidade: “Temos de nos focar no objetivo.” E prometeu continuar a trabalhar, porque “o máximo não é o limite”, disse.

Na abertura do seminário, Luís Sardinha, presidente da FMH, sublinhou que “o conhecimento é determinante para a tomada de decisão e para a evolução dos atletas”, chamando à atenção para a importância do trabalho desenvolvido pela ciência aplicada ao desporto. José Manuel Araújo, secretário-geral do COP, reforçou essa ideia: “O alto rendimento precisa muito do trabalho de investigação. O sinal que o COP quer deixar aqui é que é fundamental que as faculdades e as federações trabalhem em conjunto. É fundamental juntar esforços”, disse, tendo citado Tolentino Mendonça, quando este distingue transcendência de superação, para caraterizar os desafios que se colocam aos atletas.

Jorge Vieira, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), deixou um desafio aos promotores da sessão: “Organizar um seminário sobre a base científica do insucesso, porque é através do insucesso que se compreende o sucesso.”

No módulo científico do seminário, Cláudia Minderico, nutricionista do COP, falou sobre “A nutrição centrada no atleta e no treino para a excelência desportiva”; Paulo Oliveira, da FPA, centrou-se n’“A biomecânica aplicada ao treino da Patrícia Mamona”; Duarte Araújo, professor e investigador da FMH, abordou o “Treino da tomada de decisão e da perícia de Patrícia Mamona”; e Pedro Santos, da FMH e da FPA, fez a “Análise da performance da Patrícia Mamona nas competições internacionais”. A moderação coube a Maria João Valamatos, docente da FMH.


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