O Congresso Nacional do Desporto, organizado pela Confederação de Desporto de Portugal (CDP), contou com a presença do presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), José Manuel Constantino, no painel que debateu as medidas de apoio à retoma e recuperação do desporto no período pós-pandemia.
O presidente do COP defendeu que algumas das medidas tomadas foram “tardias e em alguns casos desajustadas” para aquilo que o desporto precisava, no sentido de recuperar dos variados impactos que a pandemia provocou ao setor, acrescentando que é preciso um “sinal de esperança” vindo dos decisores governativos para responder aos desafios do futuro.
José Manuel Constantino defendeu que, para se manter a par dos congéneres europeus, Portugal tem de aumentar o financiamento público ao desporto, permitindo dotar o sistema de mais e melhores recursos humanos, científicos, tecnológicos e infraestruturais, relembrando que as políticas e financiamentos públicos têm um papel decisivo no desenvolvimento desportivo.
Também presente no painel, Carlos Paula Cardoso, presidente da CDP, acredita que o desporto vai perder mais intervenientes se não forem encontradas soluções. Carlos Lopes, secretário-geral do Comité Paralímpico de Portugal afirmou a necessidade das pessoas com deficiência praticarem desporto, sendo para tal necessário que os clubes tenham capacidade de tornar a prática desportiva apelativa.
“Mais Talento, Mais Elite, Mais Medalhas” com diretor desportivo do COP
Pedro Roque, diretor desportivo do COP, foi orador no painel “Mais Talento, Mais Elite, Mais Medalhas”, que fez a ligação do percurso desportivo do atleta até à excelência.
O diretor desportivo do COP começou por apresentar a análise dos resultados obtidos pela Equipa Portugal nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020, que registam uma melhoria mas ainda abaixo das médias de referência europeia. Para chegar à elite, Pedro Roque sugere que o processo seja focado no atleta, com atenção especial na transição para o escalão sénior e que o acompanhamento por uma equipa multidisciplinar seja uma constante. Também o papel da família, as carreiras duais e o pós-carreira são elementos que devem ser tidos em conta. Para o País chegar a mais medalhas é preciso um investimento na ciência e na tecnologia, no sentido de otimizar o rendimento, lembrando que sem financiamento não há retorno.
Também no painel esteve Jorge Vieira, Presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, num debate moderado por Ricardo José.
“O Desporto e suas Leis”
A última intervenção do COP no Congresso coube ao assessor jurídico Diogo Nabais, no painel “O Desporto e suas Leis”, que fez uma explicitação sobre o Direito do Desporto, quais as suas fontes e esclareceu por que o desporto não vive sem direito/regras.
Diogo Nabais comparou o ordenamento do desporto português com outros casos internacionais, descrevendo a sua evolução desde os primeiros diplomas conhecidos até à atualidade.
As “caraterísticas distintivas do nosso ordenamento atual”, em particular relativamente ao desporto federado, também estiveram no foco da comunicação do assessor jurídico do COP.
No painel moderado por Pedro Silva participou também Fernando Parente, da APOGESD.
(notícia atualizada no dia 30/04/2022)