Não é um tema novo mas é sensível e “é mais um problema que afeta a integridade do desporto” – a temática é a proteção de atletas, safeguarding, e foi o tema da última sessão do ciclo da Performance Olímpica dirigido a encarregados de educação. “De que falamos quando falamos de violência e abuso de jovens atletas” foi o mote da apresentação de Cristina Almeida, diretora do Departamento de Estudos e Projetos do COP, para uma plateia que ficou mais informada sobre os mitos, tabus, sinais e impactos do abuso e formas de reportar este tipo de situações.
Sendo este um tema que “suscita fortes respostas emocionais, muitas vezes negado e silenciado” a verdade é que todos na comunidade desportiva têm responsabilidade em reconhecer e reportar situações de abuso a atletas, quando entre os mais vulneráveis estão os atletas que se encontram no processo de transição ou no início de percurso para o alto rendimento, pelo momento de desenvolvimento desportivo e pessoal em que se encontram.
Demonstrando a relevância que este tema tem nas conversas sobre desporto, está o posicionamento das organizações desportivas internacionais, nomeadamente do Comité Olímpico Internacional que desde 2018 assume, através da redação da Carta Olímpica, a necessidade de proteção dos atletas contra todas as formas de abuso e assédio e que admite que esta é uma matéria que precisa de uma abordagem mais local, centrada nas organizações e estruturas locais que devem responder adequadamente às formas de abuso.
Seguiu-se um momento de interatividade com os participantes que foram desafiados a responder remotamente a várias questões que abordaram os mitos e preconceitos relacionados com o abuso e com o assédio no desporto e que permitiu primeiramente definir abuso como o “uso intencional de poder ou força na forma efetiva ou de ameaça, contra si próprio, contra um grupo ou comunidade da qual resulte ou possa resultar morte, dano físico, dano psicológico, perturbação do desenvolvimento ou privação”.
Quanto aos tipos de violência, são identificados e reconhecidos quatro tipos – física, psicológica ou emocional, por negligência ou sexual. A violência física é a ação acidental que causa danos físicos ou lesões a um atleta – como dar palmadas, murros ou pontapés, abanar ou apertar, a carga excessiva de treino, ou o uso de substâncias que melhoram o desempenho. O abuso emocional é o comportamento prolongado e repetido, habitualmente com relação de poder diferenciado, e a forma mais prevalente de violência - inclui insultos, gritos, chamar nomes, ameaçar, intimidar, humilhar, isolar ou a pressão excessiva. A negligência acontece quando as necessidades básicas do atleta não são atendidas ou quando os atletas não são protegidos de situações de perigo – seja a privação de comida ou bebida, de descanso, de recuperação, falta de condições de treino ou de cuidados médicos. Por fim o abuso sexual diz respeito ao envolvimento em atos sexuais ou de natureza sexual com vista à satisfação sexual do outro, num ato que assenta em abuso de confiança – entram neste campo as carícias, atividades de teor sexual e contactos físicos indesejados.
Também foi desmitificado o perfil do agressor e identificados os impactos, de entre os quais se destacam as perturbações de saúde mental (ansiedade, depressão) ou o abandono desportivo, bem como os sinais de abuso, como lesões ou hematomas, comportamentos agressivos e descontrolados, doença inexplicável, alterações de padrão de sono ou alimentares, estados de humor inconstantes, alterações de personalidade, rebeldia, dificuldade em relações interpessoais, isolamento social e diminuição de desempenho desportivo e de rendimento escolar. A mensagem final foi a de que a “proteção dos atletas é uma responsabilidade de todos” e que é necessário reconhecer, responder e reportar as situações de abuso e violência perante os atletas.
As cinco sessões do ciclo Performance Olímpica dedicada aos Encarregados de Educação, estão disponíveis para visualização em qualquer altura no Canal de Youtube do COP .