8 Dez 2022
Medalha é o “sonho” de Vanessa Marina na estreia do Breaking em Paris

Há uma estreia marcada para Paris 2024. Depois do sucesso nos Jogos Olímpicos da Juventude Buenos Aires 2018, o Breaking foi incluído no Programa Olímpico e, durante os dias 9 e 10 de agosto de 2024, entrará para a história na icónica Place de la Concorde, na capital francesa, com a consagração dos primeiros campeões Olímpicos da modalidade.

Entre a elite mundial do Breaking, há um nome que alimenta a esperança de ter Portugal representado na estreia olímpica em Paris. Vanessa Marina, conhecida por B-Girl Vanessa dentro do meio, consagrou em novembro o melhor ano da sua carreira com uma medalha de bronze no Campeonato da Europa, em Manchester, e um lugar no top-8 da Red Bull BC One, uma das mais conceituadas competições da modalidade, em Nova Iorque.

Sem esconder o objetivo de "fazer parte das 16 raparigas que vão estar nos Jogos Olímpicos", admite que a ideia "cresceu" devido aos resultados alcançados nas competições disputadas durante 2022, mas aponta a um ano de qualificação olímpica com o "dobro das competições", em que o trabalho terá de ser ainda melhor para representar Portugal em Paris.

"Ganhar uma medalha é um sonho"

Com uma infância ligada à dança contemporânea e ao ballet, foi em 2009, na "Eurobattle" do Porto, que experienciou pela primeira vez a vertente de competição da dança: "Foi quando vi que havia um mundo completamente diferente e pessoas de todos os países." As aulas de "hip-hop" em Leiria abriram a porta a um sonho que levou Vanessa, primeiro, até Lisboa e depois até Londres.

"Quando fui para Lisboa, o meu melhor amigo, que é B-Boy, também estava lá e eu comecei a aprender com ele. A partir daí passei para o Breaking e não fiz mais dos outros estilos. Quando vim para Londres comecei a levar mais a sério, as pessoas eram mais competitivas e foi quando me dediquei mais", conta.

A partir daí surgiram as competições internacionais, a principal fonte de inspiração: "Acho que o tempo que se dedica e as pessoas com quem se treina são muitos importantes. Ter viajado nestes últimos anos ajudou muito porque há uma diferente partilha, conhecemos diferentes pessoas que nos dão diferentes opiniões e acho que o conjunto desta viagem toda foi o que me levou a ter mais resultados este ano, porque é o trabalho consistente de muitos anos."

O ano 2022, que a colocou 5.º lugar do ranking de qualificação olímpica, não começou da melhor forma, porém, a desilusão num torneio no Brasil transformou-se em motivação.

"Quando voltei, comecei a treinar ainda mais e depois disso houve uma competição muito grande na Eslováquia, o “Outbreak”, em que fiquei no top-3, num evento muito difícil. No “Bboy Classic”, nos Países Baixos, é 2 para 2 e participei com outra rapariga. Ganhámos, subimos ao palco e batalhámos os rapazes, que é sempre um momento de motivação. Na Coreia [Campeonato do Mundo], senti-me bem, não consegui chegar ao top-16, mas senti que foi derivado às circunstâncias e não pelo meu trabalho, mas não me desmotivou. No Europeu o chão já era melhor e o resultado [3.º lugar] mostrou isso mesmo. Na Red Bull BC One foi igual, foi o momento logo a seguir. Não havia nada que pudesse fazer diferente de um para o outro porque o trabalho já estava feito. Foi só dar o meu melhor", partilha Vanessa.

A cerca de um ano e meio dos Jogos Olímpicos, a qualificação avizinha-se desafiante, uma vez que apenas 16 atletas femininas estarão presentes. Para a dançarina portuguesa, o objetivo está bem estabelecido: "No próximo ano vamos ter mais do dobro das competições que tivemos este ano e vai ter de ser um trabalho muito focado, mas o meu objetivo é fazer parte do top-16 que estará nos Jogos Olímpicos. E ganhar uma medalha, que vai ser muito difícil porque o nível é tão alto, é um sonho."

Uma estreia que promete

As primeiras versões do "break dance", estilo de dança que deu origem ao Breaking, surgiram com um intuito bem distinto do atual: "Servia de inclusão por parte dos mais jovens. Havia muitos distúrbios nos bairros, então esta dança começou como uma maneira de os jovens serem ouvidos e incluídos, mais ou menos a partir de 1970, nos Estados Unidos. Começou esta maneira como nós falamos agora em competição, que são as batalhas, um grupo contra o outro."

Composta pela dança de pé, o “toprock”, a dança de chão, que se divide no “footwork” e no “floorwalk”, e as acrobacias chamadas de “power moves”, a modalidade consiste num duelo individual, com dois atletas a desempenharem um conjunto de movimentos ao som da música "hip-hop", de forma totalmente improvisada, e em formato de eliminação.

Por ter um "formato completamente diferente", Vanessa não tem dúvidas de que a estreia em Paris será "um sucesso espetacular": "Uma entrada nunca vai ser igual, é uma coisa mais espontânea, o DJ escolhe a música e nós nunca sabemos o que vai tocar. Depois temos de improvisar. Os movimentos nunca vão sair da mesma maneira se quisermos fazer essa performance outra vez. Em Buenos Aires foi feito com jovens, em que o nível também é alto, mas a categoria de adulto vai ser espetacular e vai cativar muita gente a começar a ter mais interesse, porque realmente há uma diferença muito grande."

O mediatismo que chegou com a entrada no Programa Olímpico trouxe aos praticantes da modalidade possibilidades a que não tinham acesso até ao momento: "Vamos ter mais pessoas a praticar e talvez a levar o Breaking como um trabalho a tempo inteiro porque, definitivamente, antes destas competições e de ter entrado no Programa Olímpico era mais como um ‘hobby’. Agora já dá essa possibilidade de talvez sonhar um bocadinho mais alto e das pessoas dedicarem-se realmente porque vem com patrocínios e há toda uma aposta na modalidade que nós nunca teríamos e que agora permitem que me trate como uma atleta, uma bailarina profissional."

Não há maior palco do que os Jogos Olímpicos e, para Vanessa Marina, a quem a ambição não falta, a motivação de ficar na história por ser uma das 16 atletas presentes na estreia olímpica do Breaking é suficiente para tentar lá estar.


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