O Muaythai é uma das modalidades que integra pela primeira vez o programa dos Jogos Europeus e a Equipa Portugal levará quatro representantes – Filipa Correia (-54kg), Matilde Rodrigues (-57kg), Gonçalo Noites (-71kg) e Luís Morais (-91kg). Entre os dias 25 e 27 de junho, os atletas entram em prova na Arena de Myslenice, a cerca de 35 quilómetros da cidade de Cracóvia, com o objetivo de cumprir uma boa prestação.
“Eu vou dar o meu melhor, sei que é um nível de exigência muito grande, mas estou pronta, estou no meu melhor”. As palavras são de Matilde Rodrigues, a mais jovem dos quatro atletas, que fará 20 anos no final de 2023. Assumindo que quer estar bem, não esconde que gostava de lutar pelas medalhas, oportunidade que teve no último Campeonato do Mundo sub-23, em que terminou no 2.º lugar.
O Muaythai pode ser uma modalidade desconhecido de alguns em Portugal, mas tem uma história de séculos. Com origem na Ásia, nomeadamente na Tailândia, mantém ainda os rituais e tradições que o têm acompanhado ao longo dos tempos. “O exercício em si, o combate, é constituído por três rounds de três minutos, com um minuto de descanso. É um desporto de combate onde podemos utilizar murros, pontapés, joelhos e cotovelos”, explica Matilde Rodrigues. “Inicialmente temos de fazer um ritual que é o Wai Khru. Basicamente é fechar os cantos, com um musica tradicional. Esse Wai Khru serve para afugentar os espíritos maus do ringue, dar boa sorte e também como respeito ao treinador e ao clube”. O combate é pontuado pelos juízes por parâmetros como a potência, iniciativa e técnica, e no final de cada round os juízes decidem quem foi o melhor atleta – pontuado com 10, ao invés do adversário, que recebe 9 pontos. No fim dos três rounds, o atleta com maior somatório de pontuação é declarado vencedor.
Para além das particularidades do combate, a decisão no Muaythai também está condicionada pelo sorteio. Matilde Rodrigues já tem essa experiência, pela negativa, uma vez que nos Jogos Mundiais 2022 teve o primeiro combate logo com a atleta mais forte da competição e que se viria a sagrar campeã. A portuguesa espera que desta vez “a sorte esteja do meu lado” para conseguir ultrapassar fases e chegar o mais longe possível na competição. A experiência nos Jogos Mundiais também lhe permitiu viver uma Missão com várias modalidades e nos Jogos Europeus espera que volte a ser um momento positivo. “Acho que é sempre interessante porque eu só conheço o meu desporto e os sacrifícios que tenho de fazer para chegar ao topo”, diz-nos Matilde Rodrigues. “Acho muito interessante ver e conhecer novas pessoas, especialmente da minha idade, ver como é que conseguem conciliar as coisas”.
Sendo uma modalidade de combate, Matilde Rodrigues considera que pode ser um desporto um pouco perigoso, mas que estão a ser implementadas várias regras de proteção do atleta e que este é “um desporto que alivia imenso o stress. É muito bonito, não é só pancadaria, isto tem muito mais técnica”. E Matilde Rodrigues deixa o desafio: “Se experimentarem vão conseguir perceber o quão bonito este desporto é”.
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