Maria Martins fez história ao qualificar pela primeira vez o Ciclismo de pista português para os Jogos Olímpicos e trouxe da sua estreia no Omnium um diploma Olímpico e o 7.º lugar na competição de Tóquio 2020. São memórias que guarda com carinho e revela que foi o dia em que sentiu “mais felicidade pura” durante a competição. O ambiente especial da prova e a experiência na Aldeia Olímpica foram momentos irrepetíveis. “Nem dormi [na noite após a prova nos Jogos Olímpicos] porque tinha muita coisa para fazer, muita coisa para descobrir, tinha de aproveitar cada minuto, cada segundo, porque foi o sonho que sempre procurei desde miúda”.
2022 superou as expectativas
Um ano volvido dessa experiência, Maria Martins continua a provar que o seu resultado Olímpico não foi fortuito e que está entre a elite da modalidade. Admite que as condicionantes físicas que a afastaram de alguns momentos da competição durante este ano a obrigaram a olhar para toda a preparação com “paciência para acreditar que ia correr tudo bem” e por isso o balanço não pode ser outro senão que 2022 foi um ano “muito acima das expectativas”, sendo os resultados fruto de trabalho e dedicação. Foi 6.ª classificada no Campeonato da Europa de estrada, 11.ª na prova de Omnium no Europeu de pista e 3.ª classificada na mesma prova mas no Campeonato do Mundo de Elites. O pódio no Mundial acabou por ser uma boa surpresa. “Não contava com a medalha”, confessa. “É preciso muito respeito quando corremos com os melhores do mundo; estar a disputar o pódio foi um dos momentos mais importantes deste ano e dos melhores momentos que já tive”.
E por falar em respeito, com cinco anos dentro do pelotão do escalão de elite, Maria Martins sente que também as suas adversárias já olham para ela com respeito. “Comecei a construir passo-a-passo o meu lugar no pelotão e não tenho dúvidas que também têm respeito por mim; é algo que se cria e que se vai ganhando”.
O segredo para o sucesso na pista
Os portugueses, habituados a seguir provas de Ciclismo de estrada, podem não estar ainda tão familiarizados com as competições de pista. Para Maria Martins as diferenças entre as duas vertentes são substanciais, a começar pela própria bicicleta. Sabia que as máquinas que correm na pista não têm travões nem mudanças? A Olímpica portuguesa, que compete nas duas vertentes, não consegue esconder a magia que sente pelas provas de pista e enumera as principais diferenças. “A pista é mais técnica e tem mais provas; a estrada é mais corrida, com mais duração e mais quilómetros”.
Na pista destaca as diversas dinâmicas com pontos, voltas e sprints que influenciam a classificação final. O Omnium, especialidade Olímpica, consagra como vencedor quem tiver melhor somatório em quatro provas de resistência disputadas ao longo do dia – scratch, tempo, eliminação e pontos. “Muitas das atletas que ganham no final não são aquelas que ganham as provas individuais”. E é aí que Maria Martins considera que reside a sua vantagem. “A dinâmica é sempre a mesma – chegar ao fim e ser primeiro. Mas no Omnium o segredo é ser consistente e eu não tenho quebras, ando sempre na média e faço bons resultados por causa disso”.
Caminho para Paris já está a ser percorrido
A 589 dias da Cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos Paris 2024, Maria Martins quer repetir a presença no maior palco competitivo do mundo e não esconde que é “um dos objetivos grandes” que tem.
As competições já estão a somar pontos para o ranking de qualificação Olímpica e 2023 trará provas importantes. “O Mundial é o que dá mais pontos e é onde tenho tido boas prestações, quero continuar esse registo”. Na pista, o ano competitivo abre em fevereiro com o Campeonato da Europa de pista, na Suíça, e o Mundial será em agosto, em Glasgow, estando ainda previstas várias Taças do Mundo, tudo provas em que Maria Martins quer “estar bem” para continuar a trilhar o caminho até Paris.
O velódromo Saint-Quentin-en-Yvelines será a casa do Ciclismo de pista na próxima edição dos Jogos Olímpicos, com a competição agendada entre os dias 5 e 11 agosto.