9 Abr 2025
Kiara Barroso sonha com o regresso do Taekwondo português aos Jogos Olímpicos

O Taekwondo foi introduzido oficialmente no programa desportivo dos Jogos Olímpicos em Sidney 2000. Desde então, Portugal participou com dois atletas em três edições: Pedro Póvoa, em Pequim 2008, e Rui Bragança, no Rio 2016 e Tóquio 2020. Após vários anos com presença certa no panorama internacional, a ausência lusa em Paris 2024 marcou o fim de um ciclo.

Com LA 2028 no horizonte, uma nova geração de taekwondistas começa a surgir e Kiara Barroso é um dos nomes a ter em conta.

Em 2023, com apenas 15 anos, a portuguesa subiu ao pódio do Campeonato da Europa de juniores e integrou o Projeto de Esperanças Olímpicas, um passo que abriu perspetivas ao sonho olímpico de uma forma mais real, ainda que esse objetivo já existisse.

“O meu pai praticou Taekwondo e inscreveu-me aos oito anos num clube, para ver se eu gostava. A partir daí começámos a praticar juntos, mas eu sempre pensei que não tinha dom. Percebi que podia chegar longe se treinasse muito e acreditei ainda mais depois da medalha no Europeu de juniores. Anunciei à minha família que queria chegar aos Jogos Olímpicos, então estão todos mais ou menos integrados no meu percurso”, explicou Kiara Barroso.

Os resultados dos últimos seis meses, com várias medalhas conquistadas em competições internacionais, colocam-na, à data, no 3.º lugar do ranking do mundial da categoria não olímpica dos -46kg e no 14.º posto da categoria olímpica dos -49kg.

A integração no Programa de Preparação Olímpica, por via da posição no ranking, foi considerada um “alívio”: “Era um dos objetivos deste ano, nunca imaginei que conseguiria tão cedo. É um reconhecimento do nosso trabalho e desempenho e só dá vontade de fazer ainda mais. O apoio financeiro também é um alívio, porque agora vou poder fazer mais estágios com equipas de nível superior e ir a provas mais importantes.”

Tal como o nome de Rui Bragança é indissociável do Taekwondo português, também o percurso de Kiara Barroso está ligado ao antigo vice-campeão do Mundo. A primeira prova internacional da então cadete de 12 anos coincidiu com a participação da Seleção Nacional numa competição na Suécia, numa comitiva que incluía o olímpico português.

“Encontrei o Rui Bragança, a Joana Cunha e o Júlio Ferreira na sala de treino. Eles foram tão humildes e simpáticos. A Joana ofereceu-me o casaco da Seleção e disse: «Que seja o primeiro de muitos». Com os meus 12 anos, fiquei com uma grande admiração por eles. Mais tarde, a Federação organizou um estágio orientado pelo Rui Bragança e os meus pais fizeram a surpresa de me levar”, contou.

Os caminhos voltaram a cruzar-se em 2023, quando Kiara Barroso passou a ter o olímpico como mentor, através do Programa de Mentoria da Comissão de Atletas Olímpicos: “Fiquei intimidada, mas muito feliz. Ainda hoje estamos em contacto e ele ajuda-me em qualquer dúvida.”

A participação do português em Tóquio 2020 serviu como inspiração para uma qualificação olímpica, que é agora o principal objetivo a “longo prazo”, uma vez que o próximo objetivo é “fazer um bom resultado” no Campeonato do Mundo. Quanto a LA 2028, Kiara não esconde: “Representar Portugal nos Jogos Olímpicos seria o maior orgulho que poderia ter."


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