14 Out 2025
Inês Barros no Campeonato do Mundo de Tiro com Armas de Caça: "Título mundial é um fator de pressão e de motivação"

Um dia separa Portugal da entrada em competição no Campeonato do Mundo de Tiro com Armas de Caça, disciplina de trap, em Atenas, na Grécia. Os olímpicos Inês Barros e João Paulo Azevedo, mais José Faria e Manuel Vieira da Silva, formam a equipa selecionada por Custódio Ezequiel e esta terça-feira fazem os treinos oficiais no Malakasa Shooting Range.

Aos 24 anos, Inês Barros tem-se distinguido por conseguir realizar alguns resultados internacionais de referência, entre os quais está o diploma olímpico (8.ª classificada) conquistado em Paris 2024. Mas há também o título europeu em Osijek 2023, que automaticamente lhe garantiu a vaga olímpica. Qual considera mais significativo? “Em relação ao acontecimento mais significativo da minha carreira, fico na dúvida em relação a dois. Um deles, como é óbvio, são os Jogos Olímpicos e o outro o Campeonato da Europa. Se tiver de escolher, diria que foi o Campeonato da Europa, porque foi o resultado de muito trabalho, muito esforço, um trabalho de equipa. Estava num estado de espírito em que não consigo explicar por que senti que tudo ia correr bem. Não sabia o porquê, porque os treinos não foram diferentes. O plano estratégico não foi diferente das outras provas, mas o meu estado de espírito era diferente, na altura. Sabia que ia ser capaz e depois, quando consegui a quota olímpica, foi a realização de muitos, muitos sonhos.”

Em Atenas, a atiradora da Equipa Portugal apresenta-se, a par de João Paulo Azevedo, como a atual campeã mundial de equipas mistas. Esse título funcionará como fator de pressão ou de motivação? “Eu e o João Paulo vamos defender o nosso título de campeões do mundo por equipas mistas e acho que isso é um fator de pressão e de motivação”, admite Inês Barros. “Temos mais pressão, porque somos os campeões em título e temos de o mostrar. Mas também é um fator de motivação, porque, se já conseguimos esse título, por que não consegui-lo outra vez? A equipa é a mesma. Os atiradores estão focados da mesma forma, temos treinado para isso. Agora é ver como corre.”

Os objetivos para o Mundial de Atenas estão definidos tanto para a prova de equipas mistas como para a competição individual, e passam por “fazer o melhor”, segundo Inês Barros, o que significa ir “longe na qualificação”, abstraindo-se do ambiente de pressão, para tentar depois chegar às finais.

Primeira mulher portuguesa a qualificar-se para os Jogos Olímpicos, na modalidade de Tiro com Armas de Caça, Inês Barros admite ter alterado a perspetiva que tinha de si enquanto atleta. Quanto ao ciclo que passou, “agora olho para trás e vejo que foi grande”, conclui. “Não estava nada à espera, foram bons resultados, boas provas, finais, medalhas. Foi um ciclo mesmo espetacular.” A culminar esse ciclo aconteceu Paris 2024. “O sentimento foi agridoce, porque na primeira edição em que consegui o apuramento trouxe um diploma, ou seja, não vim para casa de mãos a abanar, por assim dizer.” Faltou um pormenor. “Fiquei tão perto de chegar à final. Quando olho para trás, penso que se tivesse conseguido mais um tiro na qualificação…”

Inês Barros chegou mesmo a bater o seu recorde pessoal, ao partir 121 pratos em 125, mas tal não lhe bastou para chegar ao grupo das seis finalistas, teve de ir ao desempate e acabou por ficar no 8.º lugar. “Nunca na vida esperei fazer isso nos Jogos Olímpicos”, confessa. “Até é engraçado, porque nos treinos pré-Jogos estava a insistir que queria fazer o 120, queria quebrar o meu recorde pessoal, nem que fosse em treinos, que era para saber do que era capaz quando chegasse aos Jogos, e porque em Tóquio foi esse o resultado que permitiu o acesso à final. Infelizmente, em Paris, o 121 não chegou, mas, pronto, é assim a competição. Às vezes ganha um, muitas vezes ganham outros.”

Depois de tantas provas e tão significativos resultados, Inês Barros tirou uma conclusão importante: “Tenho de ser um bocadinho mais amiga de mim própria, por assim dizer, não posso colocar tanta pressão, porque, para além dos tiros, tenho a faculdade e depois tenho de arranjar trabalho. É muita pressão.”

Apesar dos muitos desafios pessoais que se lhe colocam no plano pessoal, desportivamente no horizonte de Inês Barros estão os Jogos Olímpicos Los Angeles 2028. “Não sabemos como é que vai ser o nosso apuramento, porque as regras da ISSF [Federação Internacional] ainda não foram disponibilizadas, mas sim, Los Angeles sempre foi um objetivo. Aliás, quando fiz a transição de júnior para sénior, esse até era o meu principal objetivo”, lembra Inês Barros. “A ida a Paris foi uma surpresa. O meu plano sempre foi trabalhar para Los Angeles, mas felizmente deu para ir mais cedo” aos Jogos Olímpicos.

Inês Barros começa a competir no Mundial, em Atenas, esta quarta-feira, para atirar aos primeiros 50 pratos da qualificação; seguem-se mais 50 na quinta-feira e 25 na sexta-feira, altura em que se farão as contas do apuramento para a final da tarde. O mesmo calendário terão João Paulo Azevedo, José Faria e Manuel Vieira da Silva, na competição masculina.

Na prova de equipas mistas, Inês Barros e João Paulo Azevedo atiram a 75 pratos na qualificação disputada sábado pela manhã. A final está agendada para essa tarde.


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