Será mais uma estreia para a Equipa Portugal em Jogos Europeus, a participação na competição de Natação Artística. Portugal contará com 12 nadadoras - Anna Carvalho, Beatriz Gama, Carlota Fonseca, Filipa Faria, Inês Dubini, Joana Rosa, Lara Botelho, Mariana Rocha, Marta Moreira e Matilde Sousa compõe a equipa enquanto que Cheila Vieira e Maria Beatriz Gonçalves competem em dueto feminino. A cidade de Oswiecim, a cerca de 70 quilómetros de Cracóvia, será o palco desta competição entre os dias 21 e 25 de junho que tem a aliciante oferecer lugares para os Jogos Olímpicos Paris 2024.
E com os olhos postos na participação olímpica, já desde o ciclo anterior, está o dueto feminino. Cheila Vieira e Maria Beatriz Gonçalves participaram na prova de qualificação para Tóquio 2020, e ficaram a apenas três pontos de a conseguir. “É muito difícil tentar qualificar pelo continente europeu agora nos Jogos Europeus, mas é um processo muito importante para a qualificação que vai acontecer no Qatar”, explica Maria Beatriz Gonçalves. “O nosso objetivo é ficar cada vez mais próximas daqueles países que faltam ultrapassar, para estarmos muito perto então da qualificação olímpica”.
Antes da qualificação, o próximo passo será nos Jogos Europeus, uma competição que ambas esperam com entusiasmo. “Para nós é mesmo a primeira vez a participar com a Missão Portugal, com a equipa toda”, diz Maria Beatriz. “Nós estamos muito ansiosas até porque desta vez não vamos ser só nós enquanto dueto, vamos levar a equipa de Natação Artística portuguesa”. Cheila Vieira também parte com expectativa de ter uma experiência na Polónia semelhante ao que poderá a encontrar nos Jogos Olímpicos e que dê ao dueto a força e a certeza de que é nestes palcos que se querem posicionar. “É ainda melhor levar o espírito todo de Portugal, com mais modalidades, mais gente, atletas que vivem com a mesma intensidade o desporto que nós. Acho que vai ser uma experiência única para nós”, completa Maria Beatriz Gonçalves.
Quanto ao resultado que esperam trazer de Oswiecim, as duas são mais reservadas mas alinham no objetivo de cumprir a dificuldade dos exercícios e de sobressair pela componente artística. A Natação Artística tem agora um novo sistema de pontuação e o facto de não haver limite na pontuação final deixa em aberto a possibilidade do resultado para a dupla portuguesa. “O que depende mesmo de nós é chegar à competição e marcar com a grande presença que já temos e pela qual somos elogiadas pelos juízes todos, mesmo por treinadores e atletas de outros países que elogiam muito a nossa presença, a nossa impressão artística”, diz Cheila Vieira. “O nosso objetivo mesmo é chegar lá, cumprir com a dificuldade que temos para não haver penalizações, mas também sobressair pela nossa artística, pela nossa impressão geral e garra”. Beatriz Gonçalves também não se compromete com um resultado, preferindo focar-se no objetivo de “melhorar a performance a cada vez que fazemos, aumentar a dificuldade das nossas coreografias a cada competição”.
Para um percurso de sucesso numa modalidade realizada em dueto, a cumplicidade é mais um dos elementos fundamentais. Com mais de dez anos juntas, Cheila Vieira considera que este é um dos segredos para o êxito. “Desde os 13 anos que faço dueto com a Beatriz, ou seja, já temos mesmo muito tempo juntas, já fomos ganhando esta cumplicidade, este saber trabalhar uma com a outra”. Sendo ambas da zona de Lisboa, passam a maior parte do tempo em Lagos, onde se encontra o Centro de Alto Rendimento da modalidade. “Longe da família, fez-nos também ligar muito mais uma à outra, somos o suporte uma da outra, tornámo-nos melhores amigas também e aprendemos também a lidar uma com a outra”, completa.
Esperam que essa amizade seja visível nas duas coreografias que vão apresentar na Polónia. Para a competição irão apresentar o exercício técnico e o livre. E quais são as diferenças? Cheila Vieira explica. “No dueto técnico existem pelo menos cinco elementos que todos os países fazem igual, é através desses elementos que somos comparadas tecnicamente. No dueto livre temos mais liberdade, cada país escolhe e monta os seus elementos e podem fazer coisas mais artísticas, mais diferentes e com maior liberdade artística”.
Veja a entrevista completa no Canal de Youtube do COP .
(foto: Nuno Pires Veloso)