O programa de formação e mentoria Novas Lideranças – Para um Desporto + Igual teve esta quinta-feira a sua conclusão com uma conferência na Faculdade de Motricidade Humana. Ana Rita Fernandes, André Pinto, André Queirós, Bruno Bidarra, Cristina Cruz, Diana Gomes, Filipa Teixeira, Josefa Gabriel, Madalena Gaia, Maria Francisca Baptista, Nélio Durão, Patrícia Tico, Pedro Nunes e Renata Baptista são os diplomados da formação promovida pelo Comité Olímpico de Portugal (COP), em parceria com o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), a Comissão Cidadania e Igualdade de Género (CIG) e a Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, com o apoio da Solidariedade Olímpica.
A abrir a conferência, José Manuel Constantino, presidente do COP, sublinhou que o programa se centrou em “preparar um conjunto de pessoas para os problemas da liderança no desporto e para os que lhes estão associados, da gestão e da administração.” Porque as evidências apontam para a existência de dificuldades nesta área, José Manuel Constantino tem a “expectativa de que esta experiência tenha sido enriquecedora” e que os formandos tenham “acrescentado valor”, desejando que possam aplicar as competências entretanto adquiridas em contexto de organizações desportivas. “Se isso acontecer os objetivos desta formação estarão em parte cumpridos”, concluiu o presidente do COP.
Vítor Pataco, presidente do IPDJ, constatou que o tema da formação “repousa numa ampla evidência de sub-representação das mulheres no sistema desportivo”, atestada pelo facto de “apenas 23% de mulheres” estarem representadas em cargos dirigentes nas federações europeias. “Será a vossa geração que vai materializar a transformação do atual cenário”, desejou, dirigindo-se aos formandos.
Manuel Albano, vice-presidente da CIG, saudou quem deu corpo ao programa Novas Lideranças: “Este projeto ainda bem que surge, porque pretende alterar” a situação de as mulheres estarem arredadas maioritariamente dos cargos de liderança. “Que todos e todas consigamos fazer acontecer. A igualdade é um requisito para sermos felizes. Este projeto contribuiu muito para quebrar o preconceito.”
A britânica Annamarie Phelps, presidente da Comissão de Igualdade de Género, Diversidade e Inclusão dos Comités Olímpicos Europeus e remadora olímpica em Atlanta 1996, foi autora da comunicação “The changing landscape of sport leadership”, tendo deixado uma ideia forte: “a igualdade de género é uma luta humana, não uma luta das mulheres.” A situação está a mudar e o facto de o jogo de futebol feminino Inglaterra-Estados Unidos ter esgotado em 24 horas é um sinal, mas, por outro lado, há evidências que mostram haver muito para fazer: só existem 24 mulheres presidentes de Comité Olímpicos Nacionais num universo de 206. “Diversidade e inclusão” são bons objetivos para serem trabalhados, sublinhou.
“Os objetivos de Igualdade de Género do IOC e o Programa Novas Lideranças” foi tema para as intervenções de Pedro Dias, gestor da Unidade de Género e Inclusão do Comité Olímpico Internacional (COI), e de Filipa Cavalleri, presidente da Comissão Mulheres e Desporto do COP.
“A igualdade de género é um direito humano básico, o COI está fortemente empenhado em reduzir a disparidade existente”, afirmou Pedro Dias, que assinalou o facto de o programa desportivo dos Jogos Olímpicos Paris 2024 contemplar total paridade. Mas “fora de campo ainda não chegámos lá”, disse. Já Filipa Cavalleri teve uma frase-chave neste contexto: “As grandes virtudes do desporto não distinguem géneros”.
O programa Novas Lideranças – Para um Desporto + Igual teve três workshops que decorreram em Santa Cruz, Évora e Setúbal, mais a conferência final moderada pela comunicadora Carla Rocha, na qual os formandos apresentaram os seus projetos e receberam os diplomas.
Teve lugar ainda uma mesa redonda sobre o processo de mentoria, com os mentores Flávio Martins, Elisabete Jacinto e José Manuel Araújo, secretário-geral do COP, e os mentorandos Renata Batista, André Queirós e Madalena Gala.
A encerrar, Filipa Cavalleri considerou o programa “uma experiência fantástica” e desejou que outros Comités Olímpicos Nacionais possam ter iniciativas semelhantes, o que foi transmitido a Annamarie Phelps por José Manuel Araújo na sua intervenção, considerando que todos os participantes no Novas Lideranças estão “de parabéns.”