11 Mai 2023
COP recebe visita de delegação do Partido Comunista Português

O Comité Olímpico de Portugal (COP) recebeu esta quinta-feira uma delegação do Partido Comunista Português (PCP), liderada pelo secretário-geral Paulo Raimundo, que se fez acompanhar por Patrícia Machado, da Comissão Política do Comité Central, e Alma Rivera, deputada na Assembleia da República.

José Manuel Constantino, Presidente do COP, esteve acompanhado pelo Vice-presidente da Comissão Executiva do COP, Artur Lopes, pela Presidente da Comissão de Atletas Olímpicos, Diana Gomes, e pelo Diretor-geral do COP, João Paulo Almeida, na reunião pedida pelo PCP, para troca de informações sobre a situação do setor do desporto, em Portugal.

“Foi um encontro muito produtivo, saímos daqui com muita informação e com muito trabalho para desenvolver”, considerou o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, no final do encontro. “Valorizamos muito o esforço do Comité Olímpico de Portugal, o esforço e grande dedicação de vários clubes, associações e coletividades, determinantes para que haja mais praticantes desportivos.”

Paulo Raimundo identificou o financiamento do Estado ao desporto como “uma questão central” e defendeu que o Estado tem um papel a desempenhar “no financiamento direto” do setor. “É um papel que o Estado não tem cumprido, remetendo-se ao financiamento do desporto através das receitas dos jogos sociais. Isso não pode sustentar o apoio ao desporto, tem de ser o Orçamento de Estado, de forma direta e sustentada” a fazê-lo, disse.

“No ano em que estamos quisemos também deixar uma saudação e votos de sucesso para a missão olímpica do próximo ano, confiantes e com a certeza que o Comité Olímpico está a fazer tudo o que está ao seu alcance para irmos o mais longe possível. O sucesso dos atletas é o sucesso do Comité Olímpico, que é também o sucesso de Portugal”, concluiu o secretário-geral do PCP.

José Manuel Constantino enalteceu o facto de o PCP ter querido ouvir o COP e sublinhou que a agenda do encontro foi preenchida por temas que foram para além do financiamento. “Tivemos oportunidade de falar de fatores de constrangimento ao desenvolvimento desportivo nacional, não falámos apenas da questão do financiamento”, referiu o Presidente do COP. “Falámos do estatuto do dirigente desportivo benévolo, do pós-carreira dos atletas, do apoio da medicina desportiva ao alto rendimento, ou seja, passámos em revista um conjunto de temas para que o País seja mais forte, seja mais desenvolvido e mais competitivo em matéria desportiva.”

O Presidente do COP voltou a sublinhar, nas respostas às questões dos jornalistas presentes do COP, que “a questão crítica fundamental tem a ver com o lugar que a governação entende que o desporto deve ter na vida dos portugueses. A resposta a este problema começa por ser cultural e a seguir tem uma tradução de natureza política. Nós podemos elencar todo o conjunto de carências que o sistema desportivo nacional enfrenta para poder ser mais competitivo, mas se esta questão, que percorre um número muito significativo de anos da vida democrática em Portugal, não for resolvida, haverá muita dificuldade em encontrar respostas políticas. Se não há sensibilidade para a questão desportiva ou se essa sensibilidade se reduz aos resultados desportivos deste ou daquele atleta, desta ou daquela equipa, se não está presente na generalidade das políticas públicas, é muito difícil o País ser mais competitivo, mais desenvolvido. A resposta a este desafio, antes de ser uma questão técnica e até uma questão política, é uma questão cultural. Portanto, o dilema que hoje se coloca é o dilema que se colocava há 30 ou 40 anos. Qual é o lugar que nós queremos que o desporto tenha na vida dos portugueses? Se é uma questão meramente subsidiária, se é uma questão emblemática, que não é entendida como está traduzida no plano constitucional, que é um direito. Se é um direito tem de ter primazia na construção das políticas públicas. Se assim não for, não é um direito, estará apenas a embelezar o nosso texto fundamental.”

José Manuel Constantino terminou com uma citação que está inscrita numa das paredes da sala de entrada no COP, para reafirmar a necessidade de repensar o lugar do desporto: “Há uma frase de Pierre de Coubertin, que diz que “’um país pode considerar-se desportivamente desenvolvido quando cada um dos seus habitantes sente o desporto como uma necessidade’, mas para que os habitantes sintam o desporto como uma necessidade é necessário que os governos também o sintam. Portanto, o apelo que fazemos é o de reposicionamento do desporto nas políticas públicas.”


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