Cooperação é a palavra de ordem para enfrentar a manipulação de competições, concluíram esta quinta-feira os participantes no webinar desenvolvido pelo Comité Olímpico Internacional (COI) para os Comités Olímpicos Nacionais de língua oficial portuguesa e que contou com a operacionalização do Comité Olímpico de Portugal (COP).
Perto de uma centena de participantes ouviu dos diferentes palestrantes que a manipulação de competições é atualmente um fenómeno comparável à dopagem e cuja prevenção deve mobilizar todos os agentes do fenómeno desportivo, em cooperação com as polícias.
João Paulo Almeida, diretor-geral do COP, esclareceu que o webinar visou “aumentar a sensibilização para o tema da manipulação de competições”, um fenómeno tipificado na Convenção do Conselho da Europa, que Portugal há muito ratificou. “Deixamos de competir de acordo com as normas para perdermos intencionalmente”, explicou, para acrescentar: “A manipulação de competições destrói o espírito desportivo.”
Este tem sido um problema acelerado desde o advento das apostas desportivas e estão identificados três pilares para o enfrentar: 1. regulação/legislação; 2. sensibilização/capacitação/formação; 3. monitorização/investigação.
Joana Gonçalves, ponto único de contacto do COP nesta área, reforçou a necessidade de quem esteja exposto a uma situação de tentativa de manipulação seguir a regra dos três R; de conseguir Reconhecer que se trata de um caso de manipulação; de Resistir à investida do manipulador; e de Reportar sem medo a quem de direito.
Falando diretamente para os intervenientes no webinar, Joana Gonçalves defendeu que “formar um ponto único de contacto é o primeiro passo” que as organizações desportivas devem dar para sistematizarem a abordagem desta questão crítica.
Fernando Carmo, inspetor da Polícia Judiciária e ponto de contacto da “Matchfixing Task-Force” da Interpol, sublinhou que este é um “fenómeno que vai da formação ao topo” sistema desportivo, tendo informado que em Portugal, durante um período do ano de 2021, as apostas desportivas movimentaram “mil milhões de euros só nas plataformas legais.”
Pedro Carvalho, vice-presidente do Comité de Acompanhamento da Convenção do Conselho da Europa sobre Manipulação de Competições Desportivas, abordou a necessidade de se rumar “a um quadro de cooperação nacional”, porque o problema em análise no webinar se trata de “uma ameaça à própria vida em sociedade. O fenómeno criminal entra onde antes não entrava”, atingindo agora os escalões etários mais jovens.
A Convenção do Conselho da Europa pretende que haja uma abordagem concertada ao problema da manipulação de competições e, nesse sentido, “a Plataforma Nacional é a pedra de toque para a cooperação”, esclareceu Pedro Carvalho a propósito de um instrumento considerado fundamental. “O movimento desportivo não pode ser deixado sozinho contra um adversário destes”, finalizou.
Orlando Mascarenhas, do Comité Olímpico de Cabo Verde, elogiou a colaboração prestada pelo COP antes dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020.
Paulo Schmitt, do Comité Olímpico do Brasil, informou que o País “encabeça o mercado de apostas na América do Sul e também o número de problemas, nomeadamente na modalidade de Futebol”, tendo explicitado a abordagem que a organização está a fazer ao problema.
Já Fabiano Martins, delegado da Polícia Federal e coordenador da repressão à corrupção no Brasil, defendeu existir uma ligação direta entre três fenómenos: apostas desportivas, manipulação de resultados e lavagem de dinheiro.