1 Jul 2025
Biografia de José Poeira apresentada na sede do COP

A obra “Alguma Coisa Boa Há-de Acontecer-me – Biografia de José Poeira”, escrita por José Carlos Gomes, foi esta terça-feira apresentada na sede do Comité Olímpico de Portugal (COP), em Lisboa. “Foi um trajeto difícil, sair de uma terra onde não havia nada. Não se passava nada, mas quando passava a Volta a Portugal era uma novidade”, explicou José Poeira como teve início a sua ligação ao Ciclismo.

“Eu gostava de ver aquilo. Uma vez o meu irmão comprou um livro do Amadeu José de Freitas sobre o Joaquim Agostinho, onde se contava uma história sobre o Gimondi, que precisava de ajuda. Era um ídolo que estava a passar mal e isso impressionou-me”, contou, referindo-se à atitude solidária de Joaquim Agostinho, que ficou a “puxar” pelo ciclista italiano.

O biografado quis no seu discurso falar também sobre a força social que o desporto possui: “É através dele que as pessoas comunicam e que há paz. Os países por vezes estão em guerra, mas os atletas estão em paz.” José Poeira disse ainda sobre o significado do que é representar Portugal que “primeiro está o País, depois estão as pessoas.”

Selecionador nacional de Ciclismo, com sete presenças em Jogos Olímpicos - Atlanta 1996, Atenas 2004, Pequim 2008, Londres 2012, Rio 2016, Tóquio 2020 e Paris 2024 – José Poeira tem dois momentos de referência na sua carreira: a medalha de prata conquistada por Sérgio Paulinho, em Atenas 2004, e o título mundial de estrada ganho por Rui Costa, em 2013. “Nunca desisti”, sublinhou.

“Biografia de José Poeira é a história de um sonho, e da determinação que o tornou possível”, pode ler-se na contracapa da obra, que retrata um homem que quis ser ciclista, inspirado na história do eterno Joaquim Agostinho e começou a pedalar profissionalmente aos 23 anos, depois de ter trabalhado na construção civil.

Tiago Brandão Rodrigues, presidente do Conselho de Ética do COP, conheceu José Poeira nos Jogos Olímpicos Londres 2012, onde desempenhou as funções de adido olímpico e tirou conclusões: “O José Poeira era uma personagem diferente, era alguém que se notava que os atletas confiavam nele.” Referindo-se à obra, Tiago Brandão Rodrigues diz: “Este é um livro fácil de ler, não é simples, nem simplório. Foi certamente uma aventura compilar estas histórias”, disse, falando do trabalho do autor. Ainda em relação a Londres 2012, Tiago Brandão Rodrigues acrescentou: “O José Poeira era uma tranquilidade no meio do caos emocional, com um olhar atento aos pormenores”, possuidor da “capacidade de motivar o atleta com uma palavra.” O elogio do presidente do Conselho de Ética do COP à carreira do selecionador nacional de Ciclismo foi ainda mais longe: “O José Poeira o que fez foi ajudar a construir o futuro do ciclismo nacional, a regenerar gerações. Não é só ser selecionador, é fazer escola, que sempre acreditou que era possível fazer muito com pouco. Há um antes e um depois de José Poeira.”

Eduardo Dâmaso, jornalista, amigo e conterrâneo de José Poeira, em Odemira, contou a admiração que ele e os mais jovens tinham pelo biografado e pelo também ciclista Raul Fachadas: “Eles eram os nossos Joaquins Agostinhos”, confessou. “Os dois são figuras incontornáveis da nossa adolescência. E o percurso do Zé tornou-se um orgulho odemirense. O Zé, para construir o seu futuro, foi com sangue, suor e lágrimas. Subiu a sua montanha com muito trabalho e muito mérito.” Elogiando o trabalho de José Carlos Gomes, na escrita, Eduardo Dâmaso, considera que no livro “está todo o José Poeira.”

José Carlos Gomes, o autor, referiu ter sido “um prazer escrever este livro, quase que se tornou uma obrigação, porque o José Poeira é um extraordinário contador de histórias”, tendo revelado uma apreciação feita pelo antigo presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Delmino Pereira, ao título escolhido para o livro: “Esta frase é mesmo o José Poeira, é simples e profundo.”

Com 200 páginas, “Alguma Coisa Boa Há-de Acontecer-me – Biografia de José Poeira” tem edição da Guerra e Paz.


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