9 Mar 2021
Ansiedade a subir no caminho para os Jogos

Marcos Alves, diretor do Departamento de Missões e de Preparação Olímpica do Comité Olímpico de Portugal e chefe da Missão de Portugal aos Jogos Olímpicos Tóquio 2020 destacou esta terça-feira “os resultados positivos” alcançados pelos atletas portugueses numa fase em que há competições a retomar.

Participante no webinar “O Alto rendimento no desporto em Portugal rumo a Tóquio”, organizado pela AI9, Marco Alves esclareceu que os próximos Jogos Olímpicos implicarão a existência de fatores acrescidos de ansiedade no contexto da pandemia: “Qualquer atleta que teste positivo em Tóquio não poderá participar.” Quando se sabe que a maioria só está presente em apenas uma edição dos Jogos Olímpicos, ao longo da sua carreira desportiva, “cancelar os Jogos significaria que 7000 atletas não conseguiriam realizar o sonho de participar”, explicou. E terá sido aqui que radicaram as palavras do presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), citadas por Marco Alves, quanto à decisão de adiar e não cancelar o evento: “O COI está cá para organizar os Jogos, não está cá para os cancelar.”

O chefe da Missão de Portugal a Tóquio 2020 explicou ainda que a pandemia está a gerar constrangimentos na gestão do projeto de Esperanças Olímpicas Paris 2024, dado o encurtamento do ciclo, a dificuldade na retoma da atividade dos atletas mais jovens e o adiamento sucessivo de competições: “Estamos com bastantes dificuldades em perceber como é que este projeto pode ser levado a cabo.”

Também a participar no webinar esteve Pedro Sequeira, presidente da Confederação de Treinadores de Portugal, que elegeu “a quebra de rotinas” como um dos grandes problemas causados pela pandemia no desporto. “Os constantes adiamentos criam um sentimento de frustração. Os atletas nunca sabem o que vai acontecer no dia de amanhã.” E ilustrou com um caso: “O que é que é um atleta estar a preparar-se para se despedir” nos Jogos Olímpicos “e, afinal, não… é preciso treinar mais um ano?!”

O presidente do Conselho de Administração da Fundação do Desporto, Paulo Frischknecht, refletiu sobre as consequências que a pandemia poderá ter e fez um paralelismo com a Guerra Colonial: “A época mais pobre do desporto português foi porventura a década de 60 e o início da década de 70, em que tivemos uma guerra ultramarina, o que mudou as prioridades da juventude, por não poder praticar desporto.”

Atualmente, com a pandemia, “as primeiras três prioridades prioridades serão emprego, emprego e emprego. Como é que o desporto vai chegar ao cimo das prioridades?” – questionou.

Participante nos Jogos Olímpicos de Montreal’76 e Moscovo’80, Paulo Frischknecht considerou ainda: “A maior ansiedade é que se possam perder gerações de desportistas.” E, quanto aos Jogos Olímpicos, deixou uma a pergunta: “Imaginem o atleta que dedica uma vida a preparar-se, a prescindir de um conjunto de situações, e não sabe se pode competir?”


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