Na terceira edição dos Jogos Europeus, a terceira presença do Tiro com Armas de Caça português na competição. Em Baku 2015, João Paulo Azevedo foi 15.º e José Bruno Faria 24.º; quatro anos depois, em Minsk, Ana Rita Rodrigues foi 25.ª, Maria Inês Barros 26.ª, João Paulo Azevedo 27.º e a dupla Ana Rita Rodrigues e João Paulo Azevedo terminou em 10.º lugar a prova de equipas mistas. Este ano em Wroclaw, na Polónia, serão quatro os atiradores que defendem as cores nacionais: Armelim Rodrigues, João Paulo Azevedo, José Bruno Faria e Maria Inês Barros.
Com o pleno de presenças nos Jogos Europeus, João Paulo Azevedo encara esta competição como gratificante. Os bons resultados da primeira participação e os que define como “muito aquém” para a segunda presença traduzem-se num acumular de experiência que o enriquece. “A experiência vale sempre pelos êxitos que conseguimos e pelos erros com que aprendemos. Acho que não desaprendi nada e vamos mais fortes para esta nova etapa”, confessa. Os oito anos que o separam da primeira edição dos Jogos Europeus foram usados para crescer desportivamente e para se afirmar no plano internacional. “Acho que tenho mais experiência, a equipa está mais madura e acho que vamos para trazer resultados bons, esta equipa é muito forte”. A ambição de “melhorar resultados” está sempre presente e a luta pelas medalhas é um objetivo.
Quem também tem uma palavra a dizer para a classificação é Maria Inês Barros. A mais jovem da equipa, com 21 anos, tem já cartas dadas nas provas internacionais, com presenças regulares nas finais e nas medalhas. “É outro tipo de pressão porque quando eu chego ao momento e vejo ao meu lado a campeã olímpica, olho para o outro vejo a vice, a campeã mundial…Tenho noção da experiência que está ali e sei que tenho de fazer o meu melhor para conseguir chegar lá. E é isso que tenho tentado e tenho conseguido algumas vezes”. Depois da presença em Minsk, Maria Inês Barros encara a edição na Polónia com ambições mais elevadas e aponta à quota de qualificação para os Jogos Olímpicos Paris 2024, o seu grande objetivo, reservada ao melhor classificado nos Jogos Europeus. “De antemão já todos sabemos que esta prova tem uma quota para disputar então claro que já ando a pensar nesta prova desde a classificação. Estamos sempre a preparar-nos para conseguir uma boa prova e alcançar os objetivos”.
José Bruno Faria esteve presente na edição de 2015 e regressa em 2023 para competir na prova de equipas masculinas. De volta a um nível competitivo mais elevado, assume a qualidade que a equipa tem e as possibilidades de entrarem no top-10 do ranking mundial: “Qualquer um da nossa equipa já tem feito muito pelo país, ganhámos vários títulos internacionais, medalhas de ouro inclusive. Não temos medo de ninguém”. A preparação para os Jogos Europeus combina a parte física com a parte mental, essencial num desporto de precisão como o Tiro com Armas de Caça. “Tentamos preparar bem fisicamente para estarmos ao mais alto nível, um bocadinho na habilidade física, outro bocadinho na psicológica, juntamos o ‘bolo’ e tiramos resultados positivos”, destacando também o apoio que a Federação da modalidade tem dado para o desenvolvimento e preparação dos atletas para se apresentarem na melhor forma no circuito mundial.
O estreante da equipa será Armelim Rodrigues, que confessa que já falou com os colegas sobre o formato da competição multi-desportiva. “Penso que é um bom ponto de partida para perceber o que é uma envolvência numa comitiva para a seguir passar para os Jogos Olímpicos. Estamos a trabalhar para isso, com toda a força, e acho que esta vai ser uma experiência que me fará crescer ao nível do tiro”. Num percurso que começou nos Campeonatos Nacionais e que passou para as provas internacionais, Armelim Rodrigues confessa que os Jogos Europeus lhe causam um “bichinho” pela novidade de integrar uma Missão que juntará várias modalidades, o que ao mesmo tempo o motiva para trabalhar mais, perseguindo o “maior objetivo” para todos os atletas, a qualificação para os Jogos Olímpicos. “Temos feito o trabalho que nos é possível, temos estado cada vez a evoluir mais, as outras seleções já nos veem com outro respeito. Cada vez estamos a aparecer em mais finais, ganhar mais medalhas, ter melhor ranking. Acho que isso tudo está a prestigiar o país”.
A competição de Tiro com Armas de Caça decorre no Centro de Tiro de Wroclaw, a mais de 250km de Cracóvia, entre os dias 29 de junho e 2 de julho. Os atiradores portugueses competirão nas provas individuais feminina e masculina de trap, na prova de equipas masculinas e em equipas mistas.
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