A estrutura do desporto corresponde ao que a sociedade precisa? Esta foi a pergunta que norteou o webinar “Are Sports Federations fit for society’s demands?” organizado pela Play the Game que decorreu em formato virtual e juntou vários especialistas para o debate do lugar do desporto e das Federações no mundo pós-pandemia e no processo de apoio à sociedade através da inclusão, igualdade, mudança ambiental, criminalidade e abusos.
O Comité Olímpico de Portugal (COP) esteve presente através do seu Diretor-Geral, João Paulo Almeida, no painel de debate sobre a responsabilidade na sociedade e o papel das Federações desportivas, juntamente com Sarah Lewis – antiga secretária-geral da Federação Internacional de Esqui – e Miguel Poiares Maduro – professor.
Os três palestrantes concordam com a importância do desporto na sociedade e com a necessidade de afirmar a sua relevância em matérias como igualde de género, inclusão e combate aos abusos. João Paulo Almeida defendeu que para além da estrutura é necessário mudar a cultura dos agentes envolvidos para que as boas práticas possam ser implementadas. Segundo o diretor-geral do COP é esse o aspeto que afasta o nosso país da frente das boas práticas e por isso é preciso “acelerar, quebrar barreiras e exigir mais”. Lembrou ainda que “o desporto é um terreno fértil para a corrupção e por isso todos têm de fazer a sua parte para ajudar o desporto a ter uma melhor governação” e evitar tornar-se num espaço em que a manipulação, má prática de governação, fraude, corrupção ou abusos encontram espaços de expansão.
Sarah Lewis reforçou ainda o papel dos atletas e o quão essenciais são nas instituições para manter o equilíbrio e a representatividade e pediu que o desporto não tenha medo de se colocar em escrutínio público.
Poiares Maduro acredita que a regulamentação local é difícil por isso defende que a União Europeia deve unir-se com propostas para a governação do desporto que apostem na independência jurídica e ética das entidades desportivas.