A Academia Olímpica de Portugal (AOP) apresentou nas comemorações do seu 36.º aniversário o projeto Memória Oral do Olimpismo Português (MOOP), a disponibilizar num site constituído por um acervo de entrevistas com o objetivo de produzir conhecimento validado por parcerias com a academia.
Na cerimónia de comemoração do aniversário da AOP, realizada na sede do Comité Olímpico de Portugal (COP), José Manuel Constantino, presidente do COP, vincou “a importância das academias olímpicas no contexto da preservação da história do Movimento Olímpico”, quando se torna necessário “lutar contra o esquecimento nesta voragem do tempo em que vivemos intensamente os acontecimentos” da atualidade “e esquecemos aqueles que nos levaram ao percurso em que nos encontramos.”
O presidente do COP felicitou ainda a AOP pela decisão de ter iniciado o projeto do MOOP: “É um contributo muito importante para a preservação da memória.”
Tiago Viegas, presidente da AOP, sumariou a história da organização, sublinhando que equivaleu a “um percurso que nem sempre foi fácil, nem sempre foi linear”, tendo destacado as sessões anuais da AOP, realizadas em diferentes pontos do País, o prémio de imprensa regional, agora denominado Prémio David Sequerra – ganho em 2022 por Marina Guerra, do “Região de Leiria” -, o concurso de ensaio sobre temáticas do Olimpismo, entre outras atividades, como a exposição itinerante de mascotes olímpicas, que já suscitou interesse no Brasil.
Sílvia Vermelho, vogal do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), em representação do secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Paulo Correia, felicitou a AOP pelo aniversário e destacou o MOOP como um projeto “muito acarinhado” na esfera da administração pública.
José Neves, professor e investigador na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, apresentou a comunicação “O Desporto e os Historiadores”, esclarecendo que o tema não era visto na academia como “um objeto de estudo prestigiante” e quem por ele se interessava era associado a um “gosto mais exótico, esotérico”, próprio de “um adepto”. No entanto, foi-se registando um crescente interesse pelo desporto, no âmbito da “cultura popular urbana” ou “cultura de massa”, mas como ilustração de outros fenómenos, embora também isto esteja em transformação, de modo a que o desporto não esteja apenas “nas notas de rodapé”.
José Neves sublinhou que “a história oral tem sido uma sub-área”, à primeira vista entendida “como fácil”, mas que coloca grandes "desafios metodológicos.”
No MOOP, agora apresentado pela AOP, o universo dos entrevistados estará para além dos atletas olímpicos, chegando aos outros atores que permitam conhecer o movimento olímpico nacional, e existe a intenção de estender as entrevistas a treinadores e outros integrantes das missões olímpicas, e até a jornalistas e dirigentes políticos ligados ao desporto.