O Dia Mundial dos Refugiados, numa determinação das Nações Unidas, é comemorado anualmente a 20 de junho, homenageando a coragem, a força e a determinação de todos os que são obrigados a fugir da sua terra sob ameaça de perseguição, conflito e violência.

A deslocação forçada é um fenómeno global que obriga milhões de pessoas a procurar refúgio longe dos seus países, num cenário humanitário de enorme complexidade, exigindo respostas imediatas e concretas que facilitem a integração efetiva daqueles que necessitam de proteção internacional num momento de grande fragilidade.

Consciente deste desafio e acreditando na importância estratégica do desporto para a formação futura de uma sociedade multicultural, ancorado nos princípios fundamentais do respeito, amizade e excelência, o Comité Olímpico de Portugal (COP) mantém desde 2016 um programa de apoio a refugiados. Desde então, o programa “Viver o Desporto – Abraçar o Futuro” facilitou a integração de mais de um milhar de refugiados através do apetrechamento dos centros de apoio a refugiados, da doação de material e equipamento individualizado para permitir a prática desportiva de diversas modalidades, e do acompanhamento na integração no tecido associativo daqueles com capacidades desportivas para a vertente competitiva.

A estratégia tem passado por construir pontes com as instituições governamentais e da sociedade civil envolvidas no acolhimento, e por mobilizar a comunidade desportiva no sentido de criar oportunidades para promover a inclusão daqueles que procuram Portugal para refazer as suas vidas.

Alinhado com a resolução do Comité Olímpico Internacional, que desde os Jogos Olímpicos Rio 2016 criou uma Equipa Olímpica de Refugiados (ROA), o COP referenciou dois jovens atletas-refugiados que, pelos excelentes resultados desportivos, integram o Programa de Preparação Olímpica com vista à participação nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020.

Neste dia, revelamos a coragem e a resiliência de Dorian Keletela (21 anos), vindo do Congo, e Farid Walizadeh (23 anos), proveniente do Afeganistão, protagonistas de histórias de vida difíceis, marcadas pela superação, que revelam como o desporto mudou as suas vidas e como através dele conseguem energia para contrariar as adversidades e continuar a lutar pelo seu sonho.

“O desporto ocupa um lugar muito importante na minha vida. É a minha paixão e permite manter-me saudável”, sublinha Dorian Keletela, atleta participante em provas de velocidade (Atletismo), que deixou o Congo aos 17 anos, devido à instabilidade política do país e depois do falecimento dos pais.

Igualmente marcado por um trajeto muito difícil, obrigado a deixar o Afeganistão aos oito anos, com passagens por Paquistão, Irão e Turquia, Farid Walizadeh encontrou em Portugal e no desporto (Boxe) um porto de abrigo: “Ajudou-me a descontrair e a ultrapassar os traumas. Também facilitou a aprendizagem da língua e da cultura do país e permitiu-me conhecer as pessoas, conviver com uma nova cultura e fazer amigos.”

O futuro tem no horizonte dos dois atletas-refugiados sonhos que desejam ver transformados em objetivos concretizáveis. “Quero ser treinador depois da minha carreira de atleta e formar grandes campeões”, diz Dorian Keletela, quando trabalha para chegar a Tóquio 2020, à semelhança do que refere Farid Walizadeh, a “tentar fazer o melhor para concretizar o sonho olímpico e ser um exemplo para pessoas que perderam a fé e a esperança de vida, quer sejam refugiados ou não.”

No Dia Mundial do Refugiado, a mensagem está centrada naquilo que pode unir a Humanidade, condensada na hashtag #oquenosune. E o que é que nos une, afinal? Responde Dorian Keletela: “São os valores do desporto que nos unem. O desporto une os povos porque não tem cores nem fronteiras.” Mas há mais, há um conceito fundamental nesta cadeia de união, segundo Farid Walizadeh: “O respeito! É ele que nos permite entender as pessoas, mesmo quando têm opiniões diferentes. Com respeito, os povos podem manter-se unidos!”

Já integrado na sociedade, estudante universitário de Arquitetura, Farid deixa um esclarecimento muito preciso sobre o que procurou em Portugal: “Nenhum refugiado vem para um país para conquistá-lo. Qualquer refugiado pretende unicamente encontrar a paz, a segurança e uma segunda oportunidade para ser feliz no país que o acolheu.”

Grato pela oportunidade que o desporto lhe deu Dorian Keletela deixa uma mensagem final no Dia Mundial do Refugiado: “Mesmo na angústia, não abandone o desporto, porque ele encerra em si valores fundamentais para a vida!”

 

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