Terminado o calendário competitivo para os atletas portugueses, e ainda antes que a Chama Olímpica se apague no próximo domingo em Verona, o Chefe de Missão da Equipa Portugal nos Jogos Olímpicos de inverno Milão Cortina 2026, Pedro Flávio, realizou o balanço da presença portuguesa em Itália.
Com três atletas, dois em Esqui Alpino e um em Esqui de Fundo, Pedro Flávio considerou a “participação digna, competitiva e historicamente relevante”. Vejamos porquê. No Super G masculino, Emeric Guerillot “confirmou as expectativas” ao “igualar o melhor registo português no Esqui Alpino”, com o 32.º posto. Vanina Guerillot tornou-se a primeira atleta feminina portuguesa a competir em duas edições dos Jogos Olímpicos, “alcançando o melhor resultado feminino português de sempre em Slalom Gigante” (41.º lugar). E o José Cabeça abriu caminho com a “primeira participação na prova de sprint” de Esqui de Fundo. Em jeito de resumo às expectativas desportivas, o Chefe de Missão relembra que “o foco estava na superação pessoal, na melhoria de resultados e afirmação internacional”, objetivos que considera terem sido atingidos, classificando a 10.ª presença portuguesa nos Jogos Olímpicos de inverno como um momento que “confirmou a consolidação de Portugal nos desportos de inverno e demonstrou a evolução e crescimento das nossas modalidades”.
Para além dos resultados desportivos, as instalações e logística são também um ponto essencial para o sucesso da Missão. Nesta edição a dispersão geográfica dos recintos competitivos era um dos pontos mais sensíveis. No entanto a “organização revelou-se eficiente” e o balanço nesta área é também positivo. “Alojamentos funcionais, boas condições alimentares, transportes coordenados e estruturas técnicas adequadas permitiram que a Equipa Portugal pudesse trabalhar da melhor forma”, resume o Chefe de Missão.
Ao todo Pedro Flávio percorreu mais de 2000km em estradas de montanha de forma a acompanhar ao máximo os atletas portugueses, o que exigiu planeamento e capacidade diária de adaptação. A nível pessoal considerou a “experiência intensa”, fruto da necessidade constante de gestão de horários, deslocação e articulação de equipas. O Chefe de Missão destaca o momento em que viu Emeric Guerillot a competir no Super G: “Depois da última participação nacional em Lillehammer 1994 foi muito bom ver Portugal representado numa disciplina de velocidade no Esqui Alpino, ainda por cima pelo atleta mais jovem em competição”. Uma palavra de apreço vai também para a superação pessoal de José Cabeça: “Mesmo em muito esforço, depois de uma queda violenta logo no início da competição, deu tudo para concluir a prova de 10km. Mais do que as classificações obtidas, fica a imagem de atletas que representaram Portugal com profissionalismo, ambição e orgulho”.
Daqui a dois anos há mais competições olímpicas de inverno, com os Jogos Olímpicos da Juventude planeados para voltar aos Alpes Italianos, na zona de Dolomitas. Pedro Flávio antevê a tendência para a participação portuguesa: “Penso que teremos jovens atletas com bastante potencial em modalidades onde nunca participámos como o Snowboard e a Patinagem Artística no Gelo”, que somados aos qualificados em Patinagem de Velocidade no Gelo e Esqui Alpino representarão um “momento-chave para renovar a base competitiva nacional nos desportos de inverno”.
Em 2030 voltam as emoções dos Jogos Olímpicos de inverno e nos Alpes Franceses haverá oportunidade para que a Patinagem de Velocidade no Gelo e o Snowboard consigam a qualificação juntamente com o Esqui Alpino e o Esqui de Fundo, não estando afastada a hipótese de também a Patinagem Artística no Gelo e o Bobsleigh integrarem a Missão portuguesa. Pedro Flávio, que é também Presidente da Federação de Desportos de Inverno de Portugal, revela que nos próximos tempos “a estratégia passa por desenvolver ativamente as modalidades de inverno e alargar gradualmente o universo competitivo, apostando na formação e na presença regular em competições internacionais de relevo”.
Resumo da presença desportiva da Equipa Portugal nos Jogos Olímpicos de inverno Milão Cortina 2026:
Esqui Alpino
Vanina Guerillot – Slalom Gigante – 41.º lugar
Vanina Guerillot – Slalom – 45.º lugar
Emeric Guerillot – Super G – 32.º lugar
Emeric Guerillot – Slalom Gigante – 38.º lugar
Emeric Guerillot – Slalom – DNF
Esqui de Fundo
José Cabeça – Sprint – 91.º lugar
José Cabeça – 10km – 99.º lugar