Emoção. Desilusão. Glória. Memória. Estas foram as palavras-chave de eleição do fotojornalista Paulo Calado e do atleta olímpico Emanuel Silva que marcaram o webinar desta quinta-feira sobre Fotografia e Imagem desportiva, do ciclo Abrir a Caixa, realizado pelo Comité Olímpico de Portugal (COP), ao longo do mês de outubro, através da plataforma zoom, com transmissão direta no Facebook.

Paulo Calado fez a cobertura de três Jogos Olímpicos consecutivos – Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016 – para o jornal Record. Emanuel Silva foi medalha de prata na prova de Canoagem de K2 1000m, em Londres 2012, contabilizando o seu currículo mais três Jogos Olímpicos: Atenas 2004, Pequim 2008 e Rio 2016. Em perspetiva tem mais uma participação em Tóquio 2020.

“É uma emoção, a fotografia desportiva”, disse Paulo Calado, que escolheu abrir o webinar moderado por Ana Sofia Silva, do Departamento de Comunicação do COP, exatamente com uma imagem sua de Nelson Évora, campeão olímpico do triplo salto em Pequim 2008. “É um sonho estar nos Jogos Olímpicos. Estão lá os melhores atletas, mas também os melhores fotógrafos. Depois de sabermos que vamos a uns jogos preparamo-nos, e há um envolvimento emocional com a competição.”

Mas, segundo Paulo Calado, no Desporto e nos Jogos Olímpicos, “além da emoção, também temos a desilusão.” Conseguir uma boa imagem exige trabalho, paixão, conhecimento: “Temos de gostar de desporto, conhecer as regras. O desporto é muito mais do que um conjunto de atletas em movimento. Nem sempre o foco está na ação. Temos de perceber o que nos está a rodear”, porque a imagem a captar, em dado momento, pode ser a reação do público, na bancada.

Em 2012, no foco da objetiva de Paulo Calado cruzou-se o caiaque de Emanuel Silva e Fernando Pimenta, consagrados com a medalha de prata, num momento único revivido no webinar do COP, assim resumido: “A força e a alegria da medalha. Quando eles ganham nós também sentimos”, disse o fotojornalista.

 

Emanuel Silva sorriu quando o seu olhar percorreu aquelas imagens de há oito anos. “A fotografia é o momento que jamais será esquecido”, sublinhou. “Eu sou uma pessoa que revive muito os momentos e nada como uma boa fotografia para o fazer.”

O atleta olímpico português lembrou que a fotografia esteve sempre presente na sua carreira. “Os tempos são outros, mas comigo, no início, os meus pais andavam com uma máquina de rolo.” E lembrou o que disse a Fernando Pimenta antes da decisão de Londres 2012: “Independentemente do resultado da final, nós, para a nossa família, somos os melhores.” No fim, “ainda bem que ganhámos a medalha e há essas fotografias.”

Mas também há outras sensações gravadas como a do Rio 2026, onde foi 4.º classificado na final de K2 1000m, com João Ribeiro: “Houve desilusão, mas lá estão as fotografias para nos lembrar que temos de trabalhar mais.”

Por estes dias, Emanuel Silva tem uma preocupação metódica com a imagem: “A minha vida é comer, dormir e treinar, e passar algum tempo com a família. Registo algumas imagens, mas não sou um caça-fotografias. Procuro passar algumas imagens nas redes sociais para manter as pessoas informadas.” Mas possui igualmente a intenção de deixar um legado, em particular quando recorda o pódio olímpico. “A imagem vai ficar gravada na memória até eu permanecer neste planeta Terra. São imagens que ficam para a pessoa mais especial da minha vida, que é a minha filha. Ela vai ver que eu conquistei uma medalha para Portugal, em Londres 2012. Ainda bem que existe o Paulo e mais Paulos para fazer grandes fotografias.”

Paulo Calado lembrou as vitórias de Carlos Lopes e uma de Usain Bolt – esta já registada enquanto profissional – como as imagens dos Jogos Olímpicos que elege. E resumiu filosoficamente o produto do seu trabalho: “As fotografias são todas belas, os momentos é que não.”

 

 

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