A II MEMOS Convention conclui-se esta sexta-feira, em Cascais, a levantar questões sobre qual deve ser o futuro do desporto olímpico e a abrir vias que possam constituir-se como soluções. Marisol Casado, presidente da União Internacional de Triatlo (UIT), foi a primeira oradora de referência do dia, no evento que reúne atuais e ex-alunos do mestrado executivo em gestão de organizações desportivas patrocinado pela Solidariedade Olímpica, com o envolvimento de 16 universidades, e refletiu sobre que papel estará reservado às federações internacionais, com a apresentação da comunicação “Defining our Future”.

Três atores-chave estão envolvidos no sistema – Governos, Desporto, Negócios – e, segundo Marisol Casado, “o futuro das Federações Internacionais” passa por “cuidar e reforçar as regras do jogo, coordenar o calendário global, apurar campeões mundiais, e treinar árbitros e juízes.”

Este enunciado da presidente da UIT está ligado a uma preocupação que expressou na MEMOS Convention: “As Federações Internacionais foram ultrapassadas na organização de eventos por organizações privadas e correm o risco de perder o poder de apurar os campeões do mundo.”

Marisol Casado defende que existe a necessidade de as Federações Internacionais e as Federações Nacionais chegarem a consensos, porque o “negócio está a chegar. As Federações Internacionais têm de desenvolver uma mentalidade mais virada para o negócio”, defendeu, acrescentando: “Os organismos que governam o desporto tem de ser proativos na tomada de risco e não reativos.”

A estratégia sugerida pela líder do Triatlo mundial para tornar as Federações Internacionais mais evoluídas do ponto de vista comercial passa por criar “novos formatos de competição”, mas muito por comunicar mais e de forma diferenciada, produzindo “conteúdos de vídeo prontos a serem partilhados; trabalhar com parceiros da área digital, incluindo as redes sociais, para conhecer melhor o comportamento dos consumidores; e depender menos das receitas tradicionais das transmissões televisivas.”

Marisol Casado enfatizou a necessidade de explorar as novas plataformas de comunicação, porque “a transformação digital” significa “velocidade”.

A presidente do UIT deixou uma proposta na MEMOS Convention, que passa pela uniformização da designação das Federações Internacionais, que deveria ser sempre antecedida da palavra WORLD seguida do nome da modalidade. E deu exemplos de federações que já adotaram essa medida: World Sailing (Vela), World Archery (Tiro com Arco), etc.

 

The five rings of marketing

Jochen Färber, chefe do Olympic Channel em Lausanne, foi o segundo orador do dia, no Centro de Congressos do Estoril, e trouxe à MEMOS Convention a comunicação “The five rings of marketing, tendo começado por citar Thomas Bach, presidente do Comité Olímpico Internacional: “Para o desporto sobreviver precisamos ter diversidade nas televisões.” Foi esta a ideia que esteve na criação do Olympic Channel e deu origem à melhor forma de responder a uma agenda mediática estrangulada pelo futebol.

O Olympic Channel foi criado em 2015, depois de aprovado em 2014, como parte da Agenda 2020. Trata-se de uma “multiplataforma digital que fornece informação de todas as modalidades”, com a “audiência millennial no foco”, segundo explicou Jochen Färber.

Atualmente, o Olympic Channel é desenvolvido por 100 funcionários, divididos entre Madrid, onde funciona a unidade de produção, e Lausanne, onde está baseada a parte administrativa e de marketing. Já transmitiu 1650 eventos em direto, tem 82% dos acessos feitos através das redes sociais e 39% da sua audiência utiliza aparelhos móveis.

“O que nós queremos é promover o desporto em geral”, esclareceu Färber, e não apenas as modalidades olímpicas, daí terem sido transmitidos pelo Olympic Channel os Jogos Mundiais 2017, em Wroclaw, Polónia.

No futuro próximo, os desafios do Olympic Channel passam por ganhar “maior interatividade” e explorar os eSports e o E-Commerce.

Organizada pelo Comité Olímpico de Portugal em colaboração com a MEMOS Association, a II MEMOS Convention contou com os apoios da Câmara Municipal de Cascais e da Toyota, tendo reunido cerca de 200 participantes oriundos de todo o mundo.

 

 

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