A sessão da tarde da Conferência Internacional «Preparação Olímpica. Percursos e Contextos», organizada pelo Comité Olímpico de Portugal (COP), encerrou da melhor maneira esta iniciativa, com importantes contributos nacionais e internacionais.

A primeira intervenção foi de David B. Pyne, com o tema “A Preparação de Atletas do Alto Rendimento”. Ligado a várias missões olímpicas australianas, como fisiologista, David B. Pyne é membro do Instituto do Desporto Australiano (AIS), uma das entidades máximas do desporto deste país, que trabalha lado-a-lado com o Comité Olímpico Australiano.

O percurso australiano no medalheiro olímpico, com destaque para o sucesso que os países organizadores costumam ter, como foi o caso dos aussies, com 58 medalhas em 2000, em Sydney, o máximo dos últimos 30 anos do país, foi o ponto de partida da sua apresentação. O trabalho atual passa por voltar a esse nível, dado que em Londres o pecúlio total de medalhas foi de 35. Os australianos estão a tentar reinventar o sistema de preparação através do Australia Winning Edge 2012-2022, programa para potenciar os resultados da Team Australia. Nessa explicação, foi apresentado o plano financeiro do programa, que inclui um apoio de mais de 110 milhões de dólares australianos anuais só no alto rendimento, olímpico e paralímpico, dos quais um financiamento direto para os atletas de 12 milhões por ano.

David B. Pyne apresentou ainda o papel do AIS, o apoio que presta aos atletas, procurando maximizar o alto rendimento, identificar talentos, entre outras funções, focando o papel das ciências do desporto para maximizar a performance desportiva dos atletas australianos.

De seguida, foi a vez de Elif Özdemir e Richar Ungerhofer, da Özaltin Holding, dois dos principais responsáveis do Centro de Alto Rendimento (CAR) de cinco estrelas de Antalya, na Turquia, darem a conhecer o projeto que fazem deste CAR uma referência do alto rendimento europeu. A intervenção, com o tema “A Construção de um Centro de Treino Olímpico de Cinco Estrelas”, deu a conhecer o projeto que se iniciou com estruturas para futebol e golfe. Porém, rapidamente a holding responsável pelo complexo, ligada à hotelaria e turismo, percebeu a importância de diversificar a oferta desportiva, que era insuficiente para as necessidades apresentadas. Ténis, atletismo, voleibol de praia, natação, basquetebol, voleibol, andebol, entre outras modalidades, com o estado de arte tecnológico em termos de acompanhamento de treino, como câmaras hiperbáricas, entre outros equipamentos.

Um total de 50 modalidades pode ser feita neste centro de alto rendimento, para além de ampla oferta residencial, com três hotéis de luxo, totalmente dedicados ao desporto e aos atletas, com decoração a remeter para o universo desportivo.

São várias as atividades que têm sido levadas a cabo, desde estágios de equipas internacionais, congressos, campos de desporto de verão, etc. O avançado estado de arte tecnológico do complexo tem permitido a realização de avanços importantes nas ciências do desporto em trabalhos ali promovidos.

O lema deste centro é que é possível tornar amadores em campeões, pelo que deixaram o desafio a todos os presentes de visitar o complexo e, quem sabe, aceitar o repto.

Seguiu-se uma mesa redonda, moderada pelo membro da Comissão Executiva do COP, João Paulo Vilas Boas, que contou não só com a presença dos anteriores oradores internacionais, como com a participação do Presidente da Federação Portuguesa de Natação, António José Silva, e José Gomes Pereira, membro da Comissão Médica do COP.

António José Silva deu a conhecer o caso da natação lusa, apresentando o modelo de preparação e trabalho realizado com os atletas nacionais. Já o Dr. Gomes Pereira falou dos modelos de preparação tendo em conta o trinómio atleta-treinador-médico, deixando uma mensagem fundamental de que para os atletas não existe preparação olímpica mas sim uma preparação contínua, tendo em vista a competição e o desenvolvimento, independentemente do quadro competitivo que se aproxima.

 

Perspetivas Nacionais

A fechar os trabalhos da Conferência Internacional, vários Presidentes de Federações Nacionais (Atletismo, Canoagem, Ciclismo e Ténis de Mesa) e o Presidente da Fundação do Desporto num painel com o tema “Que percursos, que futuro?”. Seria precisamente Carlos Marta a abrir o painel, falando dos vários Centros de Alto Rendimento nacionais, cuja instituição que preside é responsável pela gestão, dando a conhecer a estratégia de sustentabilidade e investimento dos CAR’s nacionais.

Delmino Pereira apresentou o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela Federação Portuguesa de Ciclismo, destacando não só o trabalho com os jovens, mas também com a elite da modalidade, referindo nomes como Rui Costa ou Nélson Oliveira.

Num tom mais crítico, Jorge Vieira, Presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, referiu que a ciência não é suficiente para suprir as falhas estruturais que o desporto português apresenta. Deficiências essas que se não forem supridas dificilmente o paradigma mudará, fazendo mesmo um paralelismo entre a economia e o desporto nacionais, através de uma citação do Primeiro-Ministro António Costa, que justificava os problemas económicos do país por questões estruturais. Nesta análise mais crítica, colocou o foco na falta de financiamento que impossibilita criar outras condições e, consequentemente, outros resultados.

Já Pedro Moura, Presidente da Federação Portuguesa de Ténis de Mesa, falou sobre o case study de sucesso que a modalidade tem sido, não só com a melhoria dos campeonatos nacionais, mas acima de tudo, obviamente, com os atletas de referência no ranking mundial, explicando o fenómeno da modalidade nos centros europeus que reúnem os melhores do Ténis de Mesa, que permitiu a evolução exponencial dos principais talentos lusos, há vários anos a treinar diariamente nestes mesmos centros com as referências da modalidade. E terminou admitindo que o grande desafio será encontrar uma nova geração que mantenha o nível desta geração de ouro.

Por fim, Vítor Félix, Presidente da Federação Portuguesa de Canoagem, ressalvou os grandes resultados que a modalidade teve nos últimos Jogos Olímpicos, alertando para a pressão que a mesma terá agora no Rio de Janeiro, olhada com outros olhos por todos os portugueses, na expectativa da conquista de medalhas. No entanto, não deixou de assumir que o objetivo é fazer ainda melhor no Brasil, apesar da dificuldade da tarefa.

Explicou ainda o modelo de desenvolvimento desportivo da modalidade, inspirado no modelo húngaro, que reconheceu como a referência para a Canoagem em Portugal, dividido em equipas masculinas e femininas. Por fim, destacou ainda alguns exemplos de atletas da canoagem portuguesa conciliarem a excelência desportiva com a carreira académica, como Beatriz Gomes que terminou a sua tese de doutoramento.

 

Créditos Fotos: COP/Tiago Lopes Fernandez

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