Etapa 61 – 9 de junho | Shemaxi – Qobustan | Azerbaijão (85km)

É já amanhã o grande dia!

Passados 61 dias da partida na Torre de Belém eis que estou a uns meros 40km do meu objectivo. A Experiência tem sido maravilhosa e neste momento estou ansioso para encontrar os nossos atletas e entregar ao José Garcia a nossa Bandeira!

Estes últimos dias da minha jornada têm sido muito especiais. Desde o primeiro momento no Azerbaijão que tenho sido muito bem recebido. Se me queixava de ter perdido uns quilinhos durante a travessia, tenho a certeza que os estou a recuperar nestes últimos dias aqui neste lindo país pois têm-nos prendado com grandes banquetes tanto ao almoço como ao jantar… Como é tudo muito saboroso, há que provar um pouco de tudo!

Amanhã dou mais notícias! Um abraço e obrigado por todo o apoio até aqui!

 

Etapa 60 – 8 de junho | Qabala – Shemaxi | Azerbaijão (95km)

A minha rotina sofreu uma grande reviravolta!

Habituado a dormir a sesta depois de cada etapa, desde que cheguei ao Azerbaijão só tenho voltado a encostar a cabeça na almofada fora de horas.

A federação de ciclismo do Azerbaijão tem sido incansável! Depois da etapa de hoje fomos passear nas montanhas e mais tarde visitámos o Qebelend. No Qebelend fizemos uma prova de Karting onde testamos a nossa perícia a conduzir e pudemos acelerar à vontade!

O grupo de croatas é muito porreiro, e tem sido muito bom pedalar com eles. Desde que nos cruzámos que não nos separamos e os momentos de convívio têm sido muito agradáveis!

 

Etapa 59 – 7 de junho | Qakh – Qabala | Azerbaijão (145km)

Temos companhia!

Hoje juntaram-se a nós 5 croatas que tal como eu vêm do seu país a pedalar até Baku. A Federação de Ciclismo do Azerbaijão sugeriu fazermos todos juntos esta recta final até à capital pois organizou vários momentos de boas vindas pelo caminho para ambos os grupos.

O grupo é muito porreiro e rapidamente fizemos amizade. Durante a etapa de hoje emprestei a minha bicicleta a um deles que estava mais cansado para que ele pudesse experimentar o poder da minha BMW! No final da etapa ele ficou muito satisfeito com a máquina!

Pelo caminho visitamos a bonita cidade de şeki e o palácio do Sultão. No caminho tivemos ciclistas locais a acompanhar-nos e até músicos a tocar à nossa passagem!

Estou muito contente por tal recepção! Estou mais motivado do que nunca para chegar a Bakuuuuuuuu!

 

Etapa 58 – 6 de junho | Lagodekhi – Fronteira – Qakh | Azerbaijão (94 km)

Azerbaijão!

Finalmente, depois de 58 dias na estrada, cheguei ao país que vai acolher a primeira edição dos Jogos Europeus. Vai ser em Baku e é lá que vou reencontrar os nossos atletas. E, se Deus quiser, é lá que vou entregar a nossa Bandeira Nacional ao Chefe de Missão, José Garcia.

Baku está cada vez mais perto e eu estou cada vez mais motivado para os últimos quilómetros que tenho pela frente. Ao entrar no Azerbaijão, imediatamente após a fronteira, tive uma grande surpresa. À minha espera estava uma grande comitiva. Muitos jovens ciclistas, muitos dançarinos do folclore local, vestidos a rigor, e muita música. Ainda dei um pezinho de dança e bebi um copo de chá.

Durante o resto da etapa passei por várias localidades. As pessoas muito simpáticas acenavam à minha passagem. Pelo caminho foram-se juntando ciclistas que fizeram partes da etapa comigo, e até um ramo de flores me deram no final da etapa! Estou muito Feliz!

Baku aqui vou Euuuuuuuuuuuuu!

 

Etapa 57 – 5 de junho | Sighnaghi – Lagodexi | Geórgia (46km)

Destas é que eu gosto!

Hoje a etapa foi muito curta, a mais curta até agora. Hoje dei descanso ao meu corpo. Iniciei a etapa um pouco mais tarde e fiz muita boa gestão de esforço ao longo de mais 46km.

A etapa foi plana, com as montanhas do Cáucaso que nos separam da Rússia sempre a acompanhar-nos. Muitos animais na estrada e pessoas a venderem aquilo que vão produzindo…

A Geórgia está quase a ficar para trás… Amanhã já entramos na reta final. Baku já não é só um sonho, começa a ser bastante real!

 

Etapa 56 – 4 de junho | Tbilisi – Sighnaghi | Geórgia (111km)

Kakheti, terra dos famosos vinhos Georgianos!

Hoje passei pela cidade de Kakheti. A região voltou a ser novamente montanhosa e muito verde. Ao longe ainda se vê muita neve nos picos das montanhas do Cáucaso.

Cheguei a Sighnaghi! Uma cidade medieval no topo de um monte. É uma cidade muito cuidada e bonita. Um ótimo sítio para descansar, principalmente depois de um dia como o de hoje. Hoje acabei a etapa muito, muito cansado. O corpo já está a dar sinal de cansaço. Doí-me os joelhos, costas, rabo… doí-me tudo!

Mas está quase… amanhã é a minha última noite na Geórgia, e depois entro na reta final até Baku!

 

Etapa 55 – 3 de junho | Tbilisi – Dia de Descanso e Visita ao Comité Olímpico da Geórgia

Mais uma entrega bem-sucedida!

Depois de 55 dias na estrada, e de inúmeras histórias para contar, hoje visitei o último Comité Olímpico antes de chegar a Baku.

Mais uma vez fui muito bem recebido. Depois de entregar as cartas e as lembranças ao Elguja Berishvili, Vice-Presidente do Comité Olímpico da Geórgia, este ofereceu-me umas garrafas do famoso vinho Georgiano. Houve ainda tempo para uma agradável conversa sobre a minha travessia e sobre os Jogos Europeus que estão prestes a começar. No NOC fui também recebido pela Ana Rekhviashvili (Representante do Console Honorário de Portugal na Geórgia) que tem acompanhado a nossa passagem pela Geórgia.

À tarde dei um bom passeio pela cidade na companhia da Tamara Kakubava, uma amiga de longa data do Duarte, que nos mostrou um pouco da cidade.

 

Etapa 54 – 2 de junho | Khashuri – Tbilisi | Geórgia (137km)

Mais uma capital!

Cheguei à lindíssima cidade de Tbilisi. A capital da Geórgia.

Ao contrário de todas as minhas espectativas esta cidade surpreendeu-me muito pela positiva. Situada num vale entre imponentes montanhas, ladeada por castelos, igrejas e mosteiros do seculo IV, Tbilisi é sem dúvida uma cidade a visitar.

A etapa de hoje correu muito bem, entrei na cidade sem problemas. O único percalço foi dar com o alojamento. O GPS guiou-nos até ao Orion Hotel, mas ao chegar, percebemos que a nossa reserva foi feita no Orion Tbilisi Hotel que era noutra parte da cidade…

Como eu costumo dizer, são estes contratempos que dão mais cor a esta aventura.

 

Etapa 53 – 1 de junho | Kutaisi – Khashuri | Geórgia (103km)

Já sinto saudades do mar!

Desde Ureki que não vemos o mar. Agora só o voltamos a ver em Baku, e não é o Mediterrâneo é o Caspio!

Até Kutaisi o percurso escolhido foi sempre plano, mas a partir da etapa de hoje não há outra alternativa para chegar a Tbilisi a não ser começar a trepar as montanhas…

Hoje estamos alojados numa pequena aldeia nos arredores de Khasuri. Não foi muito fácil dar com a “Guest House”, mas cá estamos!

À tarde, como já começa a ser habitual o céu escureceu… Mas desta vez não caiu só uma chuvinha, caiu uma grande carga de granizo! A minha sorte foi já ter acabado a etapa!

 

Etapa 52 – 31 de maio | Ureki – Kutaisi | Geórgia (100km)

Aqui as vacas têm prioridade!

Não é que pelo caminho de vez em quando lá encontro uma vaca, quando não é uma manada, deitada no meio da estrada. E quem diz que elas se levantam para eu ou qualquer veículo passar?! Nem pensar! Há que contorná-las e contorná-las com atenção pois muitas vezes há que passar o risco contínuo para o outro lado…

Pedalar na Geórgia tem sido muito agradável. As casas são muito características, tanto na forma como nos materiais usados. Têm quase todas assim um toque apalaçado e normalmente um espaço verde para os animais…

Cheguei a Kutaisi e já tive oportunidade de provar algumas das especialidades locais: khachapuri, shashlik e a famosa limonada.

 

Etapa 51 – 30 de maio | Dia de Descanso | Geórgia

Ai tão bom que é poder ficar mais um tempinho na cama!

Hoje não precisei de me levantar às 6h como habitual. As minhas pernas tiveram direito a mais um dia de descanso! Descanso só do pedal… pois acabaram por não descansar muito na mesma!

Acordei com vontade de passear. Fui até à beira mar espreitar como são as praias Georgianas. Para meu espanto àquela hora da manhã já estavam cheias. Estavam cheias de gado a pastar e a descansar! Sim senhor… que bela vida estes animais têm aqui.

O almoço foi na cidade de Poti! Mais uma vez estávamos com dificuldade em encontrar um sítio para comer, até que perguntámos a um senhor de fato e pasta onde é que havia um restaurante. Ele quando percebeu que éramos portugueses começou a debitar nomes de antigas estrelas do futebol português: Eusébio, Torres etc… Depois deu-nos a ler um livrinho que tinha também traduzido para Português uma mensagem da sua religião (Testemunhas de Jeová). Muito simpático, disse para irmos no carro com uma senhora que estava com ele. Entrámos no carro e ela conduziu-nos até ao restaurante!

Já no restaurante (que estava vazio) o proprietário ao perceber que éramos portugueses fez uma videochamada com a sua irmã que mora há 14 anos em Coimbra. Falámos durante um bom bocado com ela e com o filho que adoram o nosso Portugal e já falam muito bem Português! O mundo não é tão grande quanto parece!

 

Etapa 50 – 29 de maio | Fronteira – Ureki | Geórgia (92km)

Welcome to Sakartvelo!

A Turquia já ficou para trás! Chegámos a um dos lindos países do Cáucaso, a Geórgia!

A passagem na fronteira correu sem nenhum contratempo. Havia algum trânsito, mas só para os camiões é que a coisa era mais demorada… Eu com a minha bicicleta não tive que esperar muito!

A paisagem natural não mudou quase nada. Contudo nota-se que a Geórgia ainda não está tão desenvolvida como a parte Norte da Turquia por onde passamos. Existe muita construção e reconstrução. Casas, estradas, condutas de gás, água etc.. Todos estão numa grande azafama a melhorar os espaços para receber o turismo neste início de verão.

Ao chegar a Ureki, pela primeira vez o GPS não nos levou à porta do alojamento reservado. Procurámos nas imediações e nada! O que nos valeu foram umas senhoras locais, que (também elas não conhecendo o dito hotel) ligaram para o número de telefone que tínhamos no papel da reserva e que depois de perceberem onde era, nos levaram até lá!

Quem tem boca vai a Roma… ou neste caso… a BAKU!

 

Etapa 49 – 28 de maio | Arakli – Hopa | Turquia (137km)

Güle Güle Turquia! Adeus!

Estou em Hopa, já muito perto da fronteira com a Geórgia. É já amanhã que digo adeus a este grande e bonito país, onde ao longo dos últimos 15 dias deixei muito suor e amigos.

A etapa de hoje brindou-me com alguns contratempos… Para começar, ao pegar na bicicleta de manhã cedo, vi que tinha o pneu de trás furado. Para não atrasar mais a minha partida, usei a minha BMW de reserva.

Uns quilómetros mais a frente fui obrigado a parar, desta vez foi o pneu da frente. Como estava muito trânsito e ainda tinha muito que andar, optei por trocar a roda com a da outra bicicleta… Mais um furo e não tinha outra alternativa senão montar a oficina à beira da estrada.

O tempo começou a mudar… As nuvens escuras cada vez estavam mais perto. Pensei… “É desta que levo outra molha!” Começou a chover… mas nada de mais. O suficiente para chegar ao fim de mais uma etapa cansado e com vontade de estacionar a bicicleta por uns dias… Mas não pode ser. Amanhã é outro dia!

 

Etapa 48 – 27 de maio | Doganci – Arakli | Turquia (128km)

Mais uma etapa, mais uma dose de boas experiências!

O dia começou muito solarengo. Acordei com energia e vontade de pedalar. Já tinha arrancado quando tivemos a agradável surpresa da polícia que nos intercetou e escoltou durante o resto do percurso.

Já no hotel, depois do meu duche rotineiro, desci à receção e estavam dois polícias à civil à minha espera para saber se estava bem e se precisava de algo ao longo do dia. Impecáveis!

Fomos almoçar. Encontrámos uma pequena tasca onde fomos muito bem recebidos. Todos queriam saber quem eramos, de onde vínhamos, porque estávamos ali…

O meu cabelo e bigode precisavam de um toque, por isso, decidi parar numa barbearia. Deixei lá algum cabelo e em troca recebi um final de tarde maravilhoso. Entre chás, uma boa “conversa”, em turco, e umas risadas lá nos fomos entendendo. Acabámos a jantar num local perto recomendado pelo meu barbeiro, o amigo Rasim Kaba!

Mais uma vez… reforço a minha opinião sobre esta gente: fabulosos, incansáveis, prestáveis… Obrigado!

 

Etapa 47 – 26 de maio | Fatsa –  Doganci | Turquia (116 km)

Não era uma miragem!

Poucos quilómetros depois de deixar Fatsa entrei numa zona bastante montanhosa. Não voltei ao sobe e desce. A estrada continua a mesma, muito recta e com pouca altimetria. Cruzei as montanhas através de longos tuneis e com a presença constante de carros e camiões que passavam por mim a grande velocidade.

Hoje foi mais fácil, não foi tão aborrecido como ontem… Estive com melhor disposição para andar de bicicleta. Ontem o meu corpo parecia que não queria dar ao pedal.

O norte da Turquia tem sido de um modo geral muito bonito, com montanhas imponentes que se encostam ao mar negro, formando muitas vezes lindas baías onde a água espelha… Muito me está a surpreender a Turquia!

 

Etapa 46 – 25 de maio | Samsun – Fatsa | Turquia (116km)

Eu queixava-me do sobe e desce mas há coisas piores!

Desde Gerze que a paisagem mudou. Deixei as montanhas e desde então a zona tem sido mais urbana e a estrada sempre plana e mais ou menos junto ao mar… A rota de hoje foi em estrada larga com muito trânsito.

Hoje não gostei da etapa. Foi muito monótona e, tal como já o disse, em estrada plana não consigo tirar muito rendimento da bicicleta. Para manter uma boa velocidade média tenho que pedir mais às minhas pernas… Sinto-me cansado!

No mapa vejo montanhas ao longe… Espero que não estejam assim tão longe!

 

Etapa 45 – 24 de maio | Gerze – Samsun | Turquia (123km)

Campeões, campeões, nós somos campeões!!

Foi com esta alegria que comecei mais uma etapa. Hoje o dia foi dedicado ao meu Benfica. Vesti a minha camisola autografada pelos jogadores e segui viagem… Foi uma etapa fácil, sempre plana junto ao mar.

Para além de Baku, na minha cabeça seguia o sabor da vitória e a certeza que não há duas sem três! Que para o ano seja mais uma!

Já em Samsun, senti o frenesim de uma grande cidade… algo que já não estava habituado desde Istambul! Carros, vendas ambulantes, muita gente…

Ao parar para almoçar, o empregado perguntou-nos: ”São Portugueses? Vão para Baku? É que vos vi na TV!” E logo nos mostrou esta notícia na Internet: http://amkspor.sozcu.com.tr/2015/05/15/lizbondan-bakuye-bisikletle-gidiyor-417430/

 

Etapa 44 – 23 de maio | Abana – Gerze | Turquia (141km)

Hoje o dia começou mais cedo! Às 07h30 já estávamos na estrada…

Embora a etapa de hoje tenha sido a segunda com maior altimetria, hoje não me custou pedalar… Foram 141km sem grandes dificuldades embora com o sobe e desce constante que esta zona à beira mar (Negro) plantada já me tem habituado!

E assim completei mais uma! Já passaram 44 dias e Baku cada vez já está mais próximo…

 

Etapa 43 – 22 de maio | Cide – Abana | Turquia (125km)

E não é que a previsão estava certa?!

Ontem fui avisado pela senhora recepcionista do hotel que hoje não ia ser fácil! Chegar à vila de Abana a partir de Cide de bicicleta num único dia, segundo ela, era uma missão impossível! Não foi impossível mas custou muito! Bati o record de altimetria (3113m) e fiz a etapa em 4h50m. A beleza do lugar vai compensando o esforço, mas sinceramente era tudo mais fácil se fosse mais plano…

Pelo caminho, durante uma subida muito ingreme, uma carrinha de caixa aberta passou por mim e lá de dentro fizeram-me sinal para me agarrar… foram cerca de 100m sem dar ao pedal “que souberam que nem ginjas”! Uns quilómetros mais à frente estavam estacionados, e há minha passagem chamaram-me para um çay (chá turco).

Definitivamente os Turcos são um povo muito acolhedor!

Etapa 42 – 21 de maio | Filyos – Cide | Turquia (131km)

Cuidado com a estrada Jorge!

Ia eu hoje lançado a descer uma bela “barba longa” quando o pneu de trás me ia pregando uma partida… Numa curva apertada, não agarrou como era suposto, e lá fui eu parar dentro da valeta em sentido contrário. Não caí, mas apanhei um valente susto.

Hoje talvez tenha sido a etapa mais montanhosa na Turquia e talvez aquela com as paisagens mais fascinantes. Os turcos continuam a brindar-nos com a simpatia característica deste povo… e a gastronomia por estas bandas já foge um bocadinho ao borrego e apresenta mais peixe no menu.

A previsão para amanhã não é a melhor… mas amanhã falamos!

 

Etapa 41 – 20 de maio | Akçakoca – Filyos | Turquia (120km)

Ups… Trouxe qualquer coisa a mais!

Depois de mais uma boa etapa a cruzar montanhas, às vezes em tuneis escuros, outras vezes no zig zag das estradas, umas vezes a subir outras a descer… cheguei bem ao destino de hoje. Ao colocar a mão ao bolso da minha camisola, percebi que tinha trazido a chave do hotel.

A rececionista foi muito afável e lá me entendeu quando pedi para encontrar uma maneira de a enviar de volta. Imediatamente colocou a chave num envelope e escreveu a morada do hotel e o meu nome.

O jantar foi muito agradável ao som de uns Fados da nossa Marisa. Será que foi cortesia ou ouvir fado já faz parte dos hábitos turcos?

Hoje atingimos a meta dos 5000km. Já só faltam 2000km!

 

Etapa 40 – 19 de maio | Kerpe – Akçacoka | Turquia (94km)

A viagem continua, mas nem sempre junto à costa!

Segundo o plano de viagem, de Istambul à fronteira com a Geórgia deveríamos ir sempre mais ou menos por estradas paralelas ao Mar Negro. Contudo, hoje uma vez mais tivemos que fazer uma pequena alteração de rumo, pois os polícias disseram que parte da estrada pré-definida é intransitável.

Esta alteração somou cerca de 20km à quilometragem inicial, que acabou por ser compensada nos últimos quilómetros. Os 10km finais foram feitos de carro, pois disseram que a estrada era muito perigosa para circular com a bicicleta. Neste momento, ainda estou a tentar perceber onde é que estava o perigo.

Já em Akçacoka fomos em busca do almoço. Recomendaram-nos “Hamsi” ao pé do porto da cidade. Andámos à procura do dito restaurante que afinal não era um restaurante mas o nome de um peixe que deveríamos provar. Nada mais nada menos que os “nossos” jaquinzinhos fritos.

 

Etapa 39 – 18 de maio | Şile – Kerpe | Turquia (88km)

Há males que vêm por bem!

Às 07:50 a polícia turca estava pronta para mais uma etapa a acompanhar a aventura Lisboa2Baku. Ia a bicicleta a bater mais um record de velocidade (72km/h), quando ligaram a informar que os passaportes tinham ficado esquecidos no Hotel. Já tínhamos andado 50km mas rapidamente os agentes da Jandarma arranjaram uma solução. Ficámos a espera na vila de Ağva por um autocarro que ia trazer os nossos documentos.

Os agentes que nos acompanharam foram excelentes. Durante o tempo de espera levaram-nos à beira mar, ofereceram-nos o almoço, tirámos muitas fotos e conversámos muito… através do Google Tradutor.

De volta à estrada o piso piorou drasticamente, passou de alcatrão a terra batida cheia de buracos devido à colocação de condutas de água para Istambul. Contudo a paisagem não podia ser melhor… aldeias, campos verdes e gado junto à estrada. Sempre assim até avistar de novo o mar, que afinal… não é Negro como dizem por aí.

 

Etapa 38 – 17 de maio | Istambul – Şile | Turquia (100 km)

O que é bom acaba depressa!

Hoje foi dia de dizer adeus à minha mulher que teve que regressar a Portugal… Ainda tentei ir levá-la ao aeroporto mas tivemos que chamar um táxi pois a BMW organizou uma entrevista para a NTV e para uma revista turca, não sendo assim possível chegar a tempo do check-in.

Tal como combinado a polícia turca chegou ao Hotel por volta das 15h30 e logo depois dei início à etapa de hoje. Devido ao trânsito que se fazia sentir, sugeriram-nos um percurso com maior altimetria, mas mais longe da costa. Foram 50km de “pára-arranca” para sair de Istambul, mas depois fluiu bem até chegarmos ao nosso destino.

Estamos em Şile, mesmo junto ao mar… e agora neste momento é possível ouvir por toda a cidade o chamamento para a última oração do dia.

 

Etapa 37 – 16 de maio | Dia de Descanso em Istambul

Não posso descansar, estou em Istambul!

Quem é que conseguia ficar a descansar se tivesse um único dia para visitar a linda cidade de Istambul, antiga Constantinopla?!

O dia, tal como os anteriores, começou cedo. Começamos por um belo passeio de barco no Bósforo, onde podemos contemplar a linda cidade vista do mar e mais tarde visitámos sítios emblemáticos como a Mesquita Azul, Hagia Sophia, o Grande Bazar entre outros… Esta cidade é uma perdição, especialmente para as senhoras. Encontra-se de tudo e se soubermos negociar bem, a bons preços.

Durante o dia tivemos a companhia de um casal turco amigos do Duarte Reis, o Ali Serdar e a Ezgi Kas Kandemir, que tiveram a gentileza de nos guiar pela cidade e mostrar um pouco da história e cultura local. Obrigado!

 

Etapa 36 – 15 de maio | Marmaraereğlisi – Istambul | Turquia (95km)

Que maravilhosa surpresa!

A Lina, minha mulher, veio até Istambul e apareceu-me à frente sem eu suspeitar de nada. Foi uma explosão de alegria que fez com que as minhas pernas, que já se andavam a queixar, se soltassem e pedalassem até ao Comité Olímpico da Turquia, em Istambul, a grande velocidade.

Istambul é uma cidade enorme com um trânsito caótico, mas graças à grande organização da polícia turca a minha entrada na cidade não podia ter corrido melhor. Fui escoltado por um carro à frente e outro atrás e estes iam dando instruções ao transito para me deixarem passar.

Ao chegar ao Comité Olímpico da Turquia encontrei-me com os seus representantes que me receberam com a simpatia e cordialidade característica do povo turco e com o característico Turkish Coffe.

 

Etapa 35 – 14 de maio | Keşan – Marmaraereğlisi | Turquia (123km)

A excelente organização continua!

Foi durante toda a travessia da Grécia e pelos visto também o irá ser na Turquia… Hoje de manhã à porta do hotel, tínhamos a polícia turca à nossa espera para nos acompanhar durante a etapa.

Se na Grécia poupei uns quilómetros por me conduzirem pela autoestrada, aqui a polícia fez-me poupar 20km, uma vez que me fizeram entrar no carro devido a uma parte da estrada estar em obras e acharem que não havia condições de segurança para ir de bicicleta. Inicialmente disseram que eram só 5 km mas acabaram por ser 20 km…

Marmaraereğlisi faz-me lembrar a Costa da Caparica… o Sr. Ennis, dono do hotel Ennis Inn, foi muito simpático a receber-nos e logo nos convidou juntamente com os polícias a beber um sumo fresquinho à beira mar… Que bem que se está aqui.

 

Etapa 34 – 13 de maio | Maronia – Kesan | Turquia (125km)

“Türkiye’ye Hoşgeldiniz”, como quem diz, bem-vindos à Turquia!

A Grécia já ficou para trás… Hoje já fiz 30km na Turquia até à cidade de Kesan.

A passagem na fronteira podia ter corrido melhor. Não sei se nos sortearam ou se é prática corrente com todos os veículos, mas fizeram-nos tirar tudo do carro e passá-lo por uma máquina raio-x. Com todo este procedimento demorámos cerca de 2 horas na fronteira.

Embora ainda na parte europeia da Turquia, já se notam algumas diferenças culturais. Poucas pessoas falam Inglês e a gastronomia é muito característica… Lá vamos nós comer borrego outra vez.

 

Etapa 33 – 12 de maio | Kavala – Maronia | Grécia (139 km)

Hoje tive um furo!

Após cerca de 4000 km a rolar, eis que tive o meu primeiro furo. Ainda pensei em trocar a câmara-de-ar, mas optei por remendar a dita cuja quando chegasse ao hotel… Entretanto e para não atrasar a minha etapa, que não foi nada fácil devido ao vento “ciclónico” que se fazia sentir, optei por continuar com a minha BMW de reserva.

O vento é mesmo o pior inimigo de um ciclista… Ontem foi um dia péssimo por causa da chuva, mas o dia de hoje não ficou atrás. Fiz grande parte do percurso com rajadas de vento pela frente. Para manter a minha velocidade média tive que fazer um esforço muito maior.

Ao chegar ao hotel tive uma agradável surpresa. Falei via Skype com os nossos atletas que nos vão representar em Baku. Também eles me quiseram dar uma força para o resto da minha viagem. O meu obrigado a todos e até já!

 

Etapa 32 – 11 de maio | Thessaloniki – Kavala | Grécia (177km)

Depois da tempestade vem a bonança!

É o que diz o ditado, mas hoje foi mais ao contrário… Depois de vários dias maravilhosos em autoestrada, com etapas mais curtas e com um tempo espetacular… Eis que hoje me calharam 177km no sobe e desce da estrada nacional debaixo de uma chuva que mais parecia uma tempestade tropical. Foi uma autêntica tragédia grega.

A etapa começou mais tarde do que o previsto uma vez que visitei o Museu Olímpico de Thessaloniki onde fui calorosamente recebido por muitas crianças, que me prendaram com desenhos alusivos à minha aventura, e pela Diretora do Museu, Kiriaki Oudatzi, a quem entreguei as cartas de que fui incumbido assim como as respetivas lembranças.

Tive ainda a oportunidade de conhecer pessoalmente o ciclista Bargkas Kleanthis que ganhou um 4º lugar nos Jogos Olímpicos de Sidney no ano 2000.

Estamos em Kavala e a famosa ilha de Thasos já se vê ao largo.

 

Etapa 31 – 10 de maio | Veria – Thessaloniki | Grécia (76km)

Os gregos andam Loucos!

Ia eu mais uma vez escoltado pela polícia grega na A2, quando passei por uma série de homens a pescar na berma da autoestrada! Não entendo nada… Para não falar na quantidade de motociclistas sem capacete!

A etapa de hoje foi curta e rápida. Afinal não choveu! À tarde foi tempo de preparar o dia de amanhã pois será dia de entregar mais uma “encomenda”, desta vez no Museu Olímpico de Salónica (Thessaloniki)!

Ainda tive tempo de passear pela marginal de Thessaloniki e comer uma bela espetada à beira mar.  Thessaloniki é uma cidade muito bonita com muita gente simpática!

 

Etapa 30 – 9 de maio | Grevena – Veria | Grécia (96km)

Hoje até a cancela da portagem se abriu à minha chegada!

Estes gregos estão a receber-me muito bem… Mais uma vez fui escoltado pela polícia na autoestrada, e mais uma vez fiz cerca de 20km a menos do que o previsto!

Durante a etapa de hoje foram várias as pessoas que me apitaram e saudaram. Um grupo até me aplaudiu quando passei!

O tempo estava a mudar. Pensei que hoje não me ia escapar à chuva… Mas tive sorte! Passado pouco tempo de chegar ao hotel, ela começou a cair, e bem! Hoje via-a através da janela, amanhã pode ser que a “veja” mais de perto!

 

Etapa 29 – 8 de maio | Ioannina – Grevena | Grécia (103 km)

Mas que grande organização!

A polícia grega continua com a cortesia de me acompanhar durante cada etapa. Hoje seguiram-me até Grevena e mais uma vez indicaram-me a autoestrada como melhor caminho a seguir! A altimetria prevista de cerca de 3000m pouco passou dos 1000m e mais uma vez fiz menos uns quantos quilómetros! Foi uma grande surpresa perceber que à minha passagem cortaram ao transito (através de indicação luminosa) a faixa da direita de todos os túneis para que eu pudesse circular em maior segurança!

Embora durante a etapa não tenha aproveitado muito a paisagem, pois fui pela autoestrada, no fim da etapa não resisti em ir visitar Metéora e visitar os seus imponentes mosteiros no alto das montanhas!

 

Etapa 28 – 7 de maio | Igoumentisa – Ioannina | Grécia (76km)

Καλημέρα = Kaliméra!

Já estamos no país onde a odisseia Olímpica começou.

Ao chegar à Grécia tive direito a uma receção da polícia grega organizada pelos Comités Olímpicos de Portugal e da Grécia. Para minha surpresa, a polícia que me escoltou até ao fim da primeira etapa conduziu-me pela autoestrada o que fez com que tenha terminado esta etapa bem mais cedo do que o previsto e tenha poupado às minhas perninhas 20km.

Ioannina é uma cidade muito bonita. À tarde, depois de uma bela sesta, tive tempo para um passeio pelo lago Pamvotida até à sua ilha.

A comunicação com os locais é mais difícil, nem toda a gente fala inglês, mas já tenho um dicionário Italiano – Grego… Era o que havia na loja!

 

Etapa 27 – 6 de maio | Casamassima – Brindisi | Itália (106 km)

Pois é… Mais uma etapa e mais um país que ficaram para trás!

Concluí hoje a minha travessia de Itália. Um país muito bonito, com boa gente e boa gastronomia. Para não falar na história que cada pedra parece ter para nos contar.

Nesta última etapa desci até ao tacão da “bota” italiana. Aqui pude contemplar as casas “Trulli”, tradicionais desta parte da região de Puglia, atualmente consideradas Património da Humanidade pela UNESCO.

Agora sigo rumo a Grécia!

 

Etapa 26 – 5 de maio | Giardineto – Casamassima | Itália (154km)

As serras acabaram e voltámos às planícies!

Hoje chegámos perto da costa Adriática. A paisagem mudou, esta zona tem muita exploração agrícola: pomares, vinhas, ervas aromáticas, etc… A etapa foi toda em estrada plana e a um bom ritmo. Correu tudo muito bem, não fossem outra vez as altas temperaturas.

Hoje arranquei às 7:30 para ir mais pela fresquinha… Mas o fresco durou pouco tempo. Mais um dia a pedalar debaixo de um sol abrasador com 34ºC.

Amanhã vou sair às 7:00. A etapa de amanhã é a ultima em terras italianas. Vai ser mais curtinha e vai acabar em Brindisi onde apanharemos o barco rumo à Grécia!

Arrivederci Itália!

 

Etapa 25 – 4 de maio | Montano – Giardinetto | Itália (144km)

Mas que valente escaldão!

Hoje a temperatura subiu a pique e aqui o Jorge esqueceu-se de colocar protetor solar. Ao fim de mais de 140km e com uma temperatura superior a 30ºC cheguei ao fim da etapa com os braços escaldados. Só depois de desmontar da minha bicicleta é que reparei no vermelho vivo dos meus bracinhos.

A gastronomia italiana é muito boa… Só não me deem é “agnello” outra vez “per favore”!

À noite tivemos uma surpresa muito boa… um colaborador do hotel que nos serviu uma boa refeição, teve a gentileza de nos tocar algumas músicas italianas ao piano… Delicioso! Muito Obrigado Signore Danilo. É um artista!

 

Etapa 24 – 3 de maio | Valmontone – Montano | Itália (134km)

Não podia vir a Roma e não ver o Papa!

Hoje alterei a minha rotina por uma boa causa. Como era Domingo foi dia da tradicional celebração do Angelus na Praça de S. Pedro. Em vez de começar a minha etapa logo de manhã cedo, fui até ao Vaticano para participar na celebração e ver, embora ao longe, sua Santidade o Papa Francisco. Foi uma sensação muito boa, ver e ouvir, aquele mar de gente à minha volta, que tal como eu aguardavam pacientemente a aparição do papa na tradicional janela.

Após recebermos a bênção foi tempo de me fazer à estrada e realizar mais uma etapa. Cheguei mais tarde do que o normal, já perto da hora de jantar, mas veio mesmo a calhar porque estava esfomeado.

 

Etapa 23 – 2 de maio | Soriano nel Cimino – Roma – Valmontone | Itália (150km)

Decididamente todos os caminhos vão dar a Roma!

Hoje tinha pressa… muita pressa! Hoje era dia de visitar mais dois Comités Olímpicos e não podia haver contratempos. Contudo, ao começar a etapa, o trajeto pré-definido apontava sempre para a direção contrária à das placas indicativas de Roma. Uma, duas, três vezes… e por aí em diante! Não querendo duvidar do meu GPS que até agora não me tem deixado ficar mal, lá o segui a pensar que ia ter de dar meia volta. Mas não, não é que cheguei a Roma!

Em Roma fui muito bem recebido. Ao chegar ao Comité Olímpico de Itália (CONI) fui saudado por um mar de gente com um grande aplauso, o que me deixou muito comovido. Entreguei ao Diego Nepi Molineris, Diretor de Marketing e Desenvolvimento do CONI, as cartas a ele endereçadas, assim como uma lembrança do Comité Olímpico de Portugal e a Bandeira dos Jogos Europeus Baku 2015. Tirámos uma fotografia para registar o momento e ainda houve lugar a uma entrevista à Sky Sport 24.

Depois foi a vez de visitar a sede dos Comités Olímpicos Europeus, onde fui recebido por Steve Scott. Após lhe entregar o devido, houve espaço para uma visita guiada à sede onde pude ver o espaço de trabalho da equipa que muito se dedica à realização destes primeiros Jogos Europeus.

Mais dois objetivos atingidos. Baku está cada vez mais perto!

 

Etapa 22 – 1 de maio | Bettolle – Soriano nel Cimino | Itália (130km)

Que simpáticos!

Os italianos de um modo geral são muito acolhedores e conversadores. Hoje de manhã, após o pequeno-almoço, o proprietário do hotel de turismo rural onde ficámos presenteou-me com uma garrafa de vinho da sua reserva. Disse que era uma lembrança de Itália.

A etapa foi longa e cansativa, subi muito hoje. O final da etapa ficou cá bem no alto do monte em Soriano nel Cimino. Uma vila medieval lindíssima, com um castelo e cascatas naturais. Valeu mesmo a pena o esforço da subida.

Ao jantar, o senhor que nos serviu não quis crer que eu tinha chegado até aqui de bicicleta e que tinha como destino Baku. Lá lhe mostrámos alguns vídeos ao que ele entre gargalhadas disse: “Tu con la bicicletta! E lui con la macchina?”

 

Etapa 21 – 30 de abril | Prato Po – Bettolle | Itália (120km)

Mama mia! Que trânsito caótico!

Desde que iniciei a etapa em Prato Po que apanhei um transito horrível até ao quilómetro 22, à saída de Fiorenza. Lá me fui tentando escapar por entre os carros tal como faziam os condutores das centenas de vespas que por mim passavam a acelerar.

Depois de Florença começou o sobe e desce constante que se revelou em 1700m de altimetria. Contudo não me custou muito o dia de hoje, pois já me sentia melhor, já me apetecia pedalar.

A paisagem foi muito bonita, muito verde. O tempo esse um pouco fresco quando comecei a subir, mas logo vesti o meu corta-vento.

Ao final do dia tive uma grande surpresa. O meu amigo Rebelo, que vive atualmente em Itália, veio com a sua família fazer-me uma visita a Bettolle. E assim se passou um jantar muito agradável. Obrigado.

 

Etapa 20 – 29 de abril | La Spezia – Prato Po | Itália (140km)

Hoje deu-me a preguiça!

Embora a etapa de hoje tenha sido fácil, com baixa altimetria e temperatura muito agradável para andar de bicicleta, acordei sem vontade de pedalar… Não estive nos meus dias. Completei a etapa desejoso de dormir uma bela sesta.

Depois de uma horinha de sono, fui levar uma massagem, gentilmente organizada pela BTL Portugal em parceria com o Comité Olímpico de Portugal. Pensava eu que ia relaxar, mas desta vez calhou-me na rifa um rapaz com as mãos muito pesadas. Puxou aqui, puxou ali… Mais esticão numa perna, e na outra… Saí de lá todo partido. Nunca uma massagem tinha sido tão dolorosa, mas bem que ele me disse que mais tarde ia sentir a diferença. Passadas umas horinhas, depois de jantar, já estou como novo. Pronto para mais uma etapa.

Next stop: Bettolle.

 

Etapa 19 – 28 de abril | Génova – La Spezia | Itália (116km)

Olha… Não choveu!

Quando iniciei a etapa ainda me caíram umas gotitas em cima, mas passou tão rápido que mal senti. Hoje o dia esteve nublado e húmido mas, contra todas as previsões, sem chuva.

Esta etapa foi a mais bonita até agora. Foram 116km de encostas magníficas com vivendas viradas para o mar e montanhas que ao confinar com o mediterrâneo formam baías onde a água espelha… Enfim, uma tranquilidade autêntica! O sítio ideal para uma boa etapa de bicicleta.

Ao cruzar as montanhas, apanhei subidas maiores do que esperava e pela primeira vez cruzei nevoeiro denso o que fez com que tivesse que descer com cautela porque a visibilidade era muito reduzida. Mas tudo correu bem. Mais uma etapa concluída!

 

Etapa 18 – 28 de abril | Arma di Taggia – Genova | Itália (140km)

Que grande diluvio aconteceu na etapa de hoje!

Ao acordar percebi logo que não ia ser fácil… O céu estava a “preparar-se” e o vento começava a dar um ar da sua graça. Cinco minutos depois de começar a pedalar, eis que lá de cima, caiu toda a chuva prevista e mais aquela de que andei a fugir desde o início da aventura em Portugal. Chuva, chuva e mais chuva… há muitos anos que não via chover assim, e há muitos mais que não apanhava tão valente molha.

Não foi nada fácil hoje… 140km debaixo de água!

Para compensar, depois de um banhinho quente, tive direito a mais uma sessão de massagens/fisioterapia. Desta vez em Génova foi-me prestado todo o apoio necessário pela Dra. Laura Lopes, portuguesa natural de Alenquer, pelo Dr. Christian Simbula, pelo Dr. Pino e pela Dra. Paola Gerbi. A todos o meu muito obrigado.

Previsão do tempo para amanhã: CHUVA!

 

Etapa 17 – 26 de abril | Mandelieu La Napoule – Arma di Taggi | Itália (109 km)

Que grande dose de motivação!

O dia começou da melhor maneira possível. Ao sair do Hotel tinha à minha espera um grupo de Portugueses que quiseram vir dar-me um abraço antes do arranque da minha última etapa em França.

No caminho em direção ao Mónaco cruzei-me com a família Carvalho que me acompanhou de carro até Nice. Também eles foram vestidos a rigor, sempre com a nossa bandeira Nacional.

Ao chegar ao Mónaco tinha à minha espera um grupo de ciclistas olímpicos e a polícia local que me escoltaram até ao comité olímpico onde fui recebido com toda a pompa e circunstância. Surpresa das surpresas foi entrar no Estádio Louis II e ver uma mensagem de boas vindas com o meu nome nos ecrãs gigantes do estádio.

Entreguei a carta do Presidente do Comité Olímpico de Portugal, José Manuel Constantino, a carta do Diretor de Operações de Baku 2015, Simon Clegg, e as respetivas lembranças à representante do Comité Olímpico do Mónaco, a Secretária Geral Yvette Lambin-Berti, que também teve a gentiliza de me presentear.

Depois de mais uma sensação de missão cumprida, fiz-me novamente à estrada com os jovens atletas do Mónaco que me acompanharam até à fronteira com Itália.

França já ficou para trás… Allora vou comer uma Pizza! Ciao.

 

Etapa 16 – 25 de Abril | Dia de Descanso

Que dia em cheio!

Para começar, logo de manhã tive a oportunidade de confraternizar com os três jogadores portugueses que fazem parte do plantel do AS Mónaco, Bernardo Silva, João Moutinho e Ricardo Carvalho. Os três foram de uma grande simpatia. Para além de palavras de incentivo para o resto da minha viagem ainda me presentearam com uma camisola oficial do clube!

Ao almoço tivemos direito a um menu tipicamente português em casa da família Carvalho: um belo prato de carne de porco à Alentejana confecionado pela dona Elizabete.

A boa disposição e a conversa em português continuou tarde dentro e culminou com um jantar oferecido pela Casa Portuguesa de Cannes que nos recebeu muito bem num espaço inaugurado há 42 anos, onde qualquer português se sente em casa!

 

Etapa 15 – 24 de abril |  Trets – Mandelieu de La Napoule | França (126 km)

Mais uma encomenda entregue !

Depois de uma etapa bastante fácil e rápida, embora com alguma altimetria acumulada a uma média de 27km/h, eis que chego à tão aguardada Cote D’azur.

A paisagem mudou drasticamente. É uma zona em que as montanhas muito verdes se estendem até ao mar, e onde se podem ver inúmeras casas em harmonia com o meio envolvente embutidas na serra.

Como planeado, hoje foi dia de visitar a delegação do Comité Olímpico Francês. Fui muito bem recebido pelo Sr. presidente Pierre Cambreal que me agraciou com várias lembranças depois de eu lhe entregar as cartas a ele endereçadas pelos Srs. Presidentes do Comités Olímpicos de Portugal e do Azerbaijão.

No final do dia, comi um belo prato de carne de porco à alentejana, servido num restaurante Português de Nice. Ai que saudades que eu já tinha da nossa gastronomia!

PS – Este sábado é dia de descanso!

 

Etapa 14 – 23 de abril | Aigues Mortes – Trets | França (150km)

Ai que me doem as nádegas!

A etapa de hoje foi simples, mais uma vez o percurso foi plano e as condições climatéricas foram bastante favoráveis… Mas dei muito ao pedal. O meu rabinho hoje queixa-se bastante. O que vale é que depois de amanhã vai ter uma merecida pausa. Depois de quinze dias seguidos a rolar, vou ter um merecido descanso.

Mandelieu de La Napoule… chega depressa!

 

Etapa 13 – 22 de abril | Narbonne – Aigues Mortes | França (131km)

Como o mundo é pequeno!

Depois de uma etapa plana, quase sempre junto ao mar numa bela ciclovia, sem grandes dificuldades e depois de um belo tratamento de fisioterapia dado pela “Kinésithérapeute” Eliane Huguet, eis que tivemos uma grande surpresa. Ao procurarmos um sítio para jantar, encontramos dois portugueses a trabalhar num restaurante de Aigues Mortes. Depois de nos servirem muito bem, com a simpatia característica de qualquer português, em conversa, chegamos à conclusão que um deles conhece a minha prima Ana de Proença-a-Nova. Ainda nos rimos bastante à custa disso!

O sul de França é muito bonito… e ainda não chegámos à “Côte d’Azur”!

 

Etapa 12 – 21 de abril | Girona – Narbonne | França (186 km)

Bienvenue à la France!

Já estamos em terras Gaulesas. A etapa de hoje foi muito bonita. Do lado esquerdo os imponentes Pireneus, do lado direito o mar Mediterrâneo. Combinação perfeita… O que pedir mais nas minhas etapas diárias?

Talvez que o meu GPS não me pregasse partidas como a de hoje. Mais uma vez a rota traçada era interdita a bicicletas, e o GPS apresentou uma alternativa… Mas que alternativa! Fiz quase mais 40km do que o previsto, perfazendo 186km no total! Foi uma etapa extremamente cansativa mas que compensou com a paisagem à minha volta.

Para compensar o esforço extra a que as minhas pernocas foram sujeitas, o Comité Olímpico de Portugal presenteou-me com uma consulta de fisioterapia, onde o Dr. Alain Houles me deu uma bela massagem.

 

Etapa 11 – 20 de abril | Barcelona – Girona | Espanha (107km)

A de hoje foi curtinha!

O dia começou fresquinho. Tive que fazer uma paragem depois de alguns quilómetros para vestir o meu corta-vento! A Etapa de hoje correu sem grandes dificuldades, embora tenha sido quase todo o tempo em estrada estreita e com trânsito intenso.

A 23km de Girona tivemos que alterar o percurso porque o trajeto definido era em estrada proibida a bicicletas. Contudo, foi fácil encontrar uma alternativa.

Durante parte do trajeto tive a companhia de um ciclista espanhol que se mostrou muito surpreendido pela iniciativa. Quando lhe falei em Baku a reação foi “Madre mia!”

Amanhã já começamos a “parler” francês!
Adios Espanha , Salut França!

 

Etapa 10 – 19 de abril | Lleida – Barcelona | Espanha (176 Km)

Já estamos na terra do grande arquiteto Antoni Gaudí… Barcelona!

A etapa de hoje correu muito bem. O dia começou bonito mas pouco a pouco foi escurecendo. Ameaçou chover, mas mais uma vez safei-me de uma molha!

A zona entre Lleida e Barcelona é um pouco acidentada, mas com baixa altimetria. A paisagem é mais verde e muito bonita!

Ao entrar em Barcelona tivemos que alterar a rota prevista, devido a obras na estrada o que me fez percorrer mais alguns quilómetros, perfazendo 176km.

Depois de me instalar e de um bom banho foi tempo de visitar o estádio Olímpico de Montjuic e a Sagrada Família.

Hoje foi dia de me pesar. Quando comecei esta aventura pesava 70kg, hoje a balança diz que perdi 4 quilinhos…

 

Epata 9 – 18 de abril | Zaragoça – Lleida | Espanha (148 kms)

Hoje, pedalei acompanhado de vários “Miuras”. Quem não conhece o famoso símbolo espanhol?! O toiro preto, que se ergue regularmente nas paisagens espanholas sejam elas planícies ou pequenos montes.

Durante toda a etapa de hoje cruzei planícies sem fim, a uma velocidade constante, sem vento nem chuva e com tempo quente.

Pelo caminho passei por um compatriota! Um camionista português que se encontrava a arranjar o seu camião na berma da estrada que ao ver a bandeira Nacional me perguntou “Epah tu? Para onde vais?”, ao que eu respondi “Vou para Bakuuuuuuuu no Azerbaijãoooooo!”

Deixámos Aragão e entrámos na região da Catalunha. Chegámos a Lérida (Lleida) e passeámos um bocadinho pela cidade até à antiga Catedral Seu Vella… Espanha tem muito que visitar.

 

Etapa 8 – 17 de abril | Nuévalos – Zaragoça | Espanha (110 kms)

O tempo voa!

O tempo passa por nós muito depressa, principalmente quando as experiências na vida são boas… Fez hoje já uma semana que iniciei esta travessia! Faz hoje uma semana que me despedi da família, dos amigos, de Portugal… com um até já de 2 meses!

Hoje as condições foram favoráveis. Solinho logo pela manhã, calor e belas paisagens cuja tonalidade mudou drasticamente de um vermelho barrento para o cinzento das rochas.

Logo cedo deparei-me com uma subida contínua e ao chegar perto do topo da serra, rolei serra abaixo numa grande barba longa como eu lhe costumo chamar!

Já estou em Zaragoza… Daqui já se avistam umas grandes montanhas ao longe que penso serem os Pireneus. Ai só de pensar…

 

Etapa 7 – 16 de abril | Brihuega – Nuévalos | Espanha (147 kms)

Maravilha!

Brihuega é uma vila lindíssima no alto de um monte, cheia de histórias para contar. Depois de uma noite bem passada, fiz-me ao caminho, desta vez mais bem equipado para a chuva. Chuva que ameaçava cair, mas que foi ficando sempre para trás…

A etapa de hoje foi a que mais prazer me deu até agora. Atravessei uma zona serrana. Depois de umas boas subidas e descidas, encontrei uma barba longa (não tão longa quanto esperava) e consegui bater o meu recorde de velocidade em descida nesta aventura: 66km/h, ainda longe dos “120”, mas havemos de lá chegar! Ahahah!

A paisagem serrana foi maravilhosa. Pedalei em estrada estreita durante vários quilómetros ladeado por grandes penhascos e águias a planar bem alto lá no céu.

Já em Nuévalos deliciei-me a olhar pela janela a observar a calma do “Embalse de la Tranquera” e a ver a chuva que caiu com intensidade 30 minutos depois de terminar a etapa! Ufa… foi por pouco!

 

Etapa 6 – 15 de abril | Madrid – Brihuega | Espanha (102 km)

Que Boa surpresa!

Hoje de manhã tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o “nosso” Tiago, jogador do Atlético de Madrid. O Tiago foi de uma simpatia e delicadeza extrema. Deu-me uma camisola do clube autografada e surpresa das surpresas tinha o meu nome e o número 7 alusivo aos 7.000 kms desta aventura!

Já na estrada, bem que pedalei, mas a chuva que me perseguia desde o dia da partida em Belém apanhou-me! Foi um resto de etapa molhado e frio, pois a temperatura hoje desceu 10 graus…

Estava desejoso de encontrar a indicação de chegada a Briuhega, o meu local de descanso desta noite.

Banhinho quente e cama!

 

Etapa 5 – 14 de abril | Torrijos – Madrid | Espanha (102 kms)

Despachar foi a palavra de ordem!

Hoje não podia haver lugar a atrasos… Tinha que percorrer cerca de 100kms, chegar a Madrid, atravessar a cidade e chegar à hora combinada ao Comité Olímpico de Espanha. Assim foi, embora com vento mais uma vez extremamente forte, a etapa foi mais curta, mais plana e por conseguinte mais rápida. A entrada em Madrid correu bem, mesmo com bastante trânsito.

Ao chegar ao Comité Olímpico fui muito bem recebido pelo Sr. Cayetano Cornet, chefe de missão espanhol para os Jogos Europeus Baku 2015. Entreguei-lhe a carta enviada pelo Sr. Presidente do COP e respetiva lembrança e a Bandeira dos Jogos de Baku, enviada pelo Comité organizador.

Como cereja no topo do bolo, o Atlético de Madrid ofereceu-nos dois bilhetes para o grande dérbi que teve lugar hoje (Atlético-Real). Embora não tenha sido possível dar um abraço aos nossos jogadores (devido à preparação do jogo) foi muito bom vê-los dentro das 4 linhas!

 

Etapa 4 – 13 de abril | Naval Moral de La Mata – Torrijos | Espanha (160 kms)

O dia adivinhava-se difícil!

O trajeto previa uma altimetria de 2212m de acumulado, e como se isso não bastasse, ao acordar senti logo o vento que se fez sentir durante toda a etapa… O vento é o pior inimigo de um ciclista. É desagradável, diminui a velocidade e exige mais esforço! Foi um sobe e desce constante…

Cheguei a Torrijos, cansado, mas bem. Vou descansar, pois amanhã adivinha-se um dia longo… E com sorte, conseguirei encontrar-me com algum dos nossos jogadores portugueses que jogam em Madrid. Buenas noches!

 

Etapa 3 – 12 de Abril | Caceres – Naval Moral de La Mata | Espanha (122km)

Hoje ao acordar estava escuro!

A mudança da hora fez-se notar… A nossa partida hoje foi às 8:30 e a chegada tal como previsto não foi tardia. Às 13:55 já estávamos no fim de mais uma etapa: Navalmoral de la Mata!

A etapa de hoje foi mais curta. Pedalei durante 122km lado a lado com o “nosso” Tejo durante alguns períodos. Tive baixa altimetria, e uma barba longa, ou seja, uma longa descida que me permitiu relaxar um pouco as pernas… Contudo o vento hoje soprou muito forte!

Durante quase toda a etapa não me cruzei com quase ninguém. De um lado e do outro das longas retas só se via o verde dos prados, azinheiras, gado a pastar, e lá um ou outro pastor! Como estava um ventinho fresco, pensei em roupa para vestir, e logo me lembrei que me tinha esquecido de umas peças de roupa no hotel. Lá teve que voltar o meu “fiel escudeiro” Duarte 12kms para trás!

Já só faltam 55 etapas! Ahahaha.

 

Etapa 2 – 11 de abril | Proença-a-Nova – Cáceres | Espanha (193km)

Tão bom acordar com um magnífico dia!

A tão falada chuva ainda não me caiu em cima… Esteve um bom dia de sol e, também hoje, pude contar com o apoio de vários ciclistas que me acompanharam durante parte da etapa em Portugal!

Observar os lugares e as serras por onde passei tem outro encanto de bicicleta! O nosso Portugal é um cantinho maravilhoso…

Adeus Portugal, até breve! Agora a aventura contínua em terras de sua Majestade o Rei D. Felipe!

 

Etapa 1 – 10 de abril | Lisboa – Proença-a-Nova (211km)

O início desta aventura não podia ter corrido melhor!

Além de uma cerimónia muito bonita e emotiva, houve também a possibilidade de entrar em contacto com o CEO dos Jogos Europeus Baku 2015, que com as suas palavras de apoio fez com que a cidade de Baku me parecesse naquele instante mais próxima.

Foi bom ver tanta gente reunida no ponto de partida e ao longo do percurso.

Quero agradecer às autoridades pelo acompanhamento dado ao longo do dia, e fazer um agradecimento especial aos meus camaradas que me acompanharam de bicicleta nos quilómetros iniciais desta etapa.

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10.04.2015

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