“(Antes da) tomada de decisão” deu título à última sessão do ciclo de debates on-line promovidos pela Comissão de Arbitragem e Ajuizamento Desportivo (CAAD), do Comité Olímpico de Portugal (COP), sobre “A tomada de decisão na arbitragem”, que teve lugar esta quarta-feira e esteve a cargo de Pedro Teques, Professor Auxiliar no Instituto Universitário da Maia (IUM)/Instituto Politécnico da Maia.

Especialista em Psicologia do Desporto, colaborador do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Teques começou por abordar o pós-competição do árbitro, numa sessão moderada por Avelino Azevedo, membro da CAAD do COP.

“Então como é que se sente?” é a questão tantas vezes colocada a seguir a um jogo e a resposta pode vir positiva, acrescentada de um “mas”. “Eu até arbitrei bem, mas errei uma grande penalidade.” Afinal, o que é que pode levar a esta situação?

“Quando um árbitro tende a estar instável há uma inconstância na performance”, defende Pedro Teques, enquadrando a questão num fenómeno identificado como de”espirais negativas e positivas”.

O docente do IUM esclareceu que o árbitro deve encontrar um registo para encarar a adversidade: “É preparar-me para o pior, esperando o melhor.” E tipificou duas abordagens. “Para o árbitro A: ‘é uma competição muito importante, não posso falhar’. O árbitro B: ‘analisei a competição e, atendendo aos jogos anteriores, tenho de melhorar y,x e z’. Este árbitro tende a estar mais equilibrado.”

Para Pedro Teques, “a tomada de decisão é altamente contextual, ecológica, dinâmica, não é única e exclusivamente controlada pelo árbitro.”

O trabalho do psicólogo com o árbitro passa por dominar três áreas – teoria, prática, investigação – com um objetivo: “Pretende-se que tenhamos árbitros estáveis emocionalmente, que estejam seguros naquilo que estão a fazer, sejam decididos e ajam dentro do timing.”

Qual é a arquitetura psicológica de um árbitro de elite? Pedro Teques respondeu a esta questão citando um estudo realizado numa universidade britânica e identificou a primeira componente como estando ligada a “caraterísticas associadas à pessoa, a perseverança, a ambição e a humildade – que não é uma caraterística, mas uma competência.”

“Outro aspeto muito importante está relacionado com a ética do trabalho, os árbitros de elite tendem a ser autodisciplinados, formulam objetivos e criam planos de execução”, sublinha o docente do IUM. “Os melhores tendem a ser muito conscientes, têm capacidade de reflexão no pós-competição.”

Pedro Teques elegeu uma caraterística como fundamental para distinguir um árbitro de elite: “A forma como reage emocionalmente à adversidade. Um árbitro deve agir, não reagir, deve estar sempre um segundo à frente. Nunca deve perder a compostura.”

 

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