“Do conhecimento ao contexto – qual a melhor decisão?” foi o objeto da palestra de Bruno Travassos no Webinar “A tomada de decisão na arbitragem”, da Comissão de Arbitragem e Ajuizamento Desportivo (CAAD), do Comité Olímpico de Portugal (COP), realizada através da plataforma Zoom, com transmissão via Facebook para uma audiência de cerca de duas centenas de participantes.

Docente na Universidade da Beira Interior (UBI), Bruno Travassos lançou na abertura da palestra, moderada por Nuno Castro, da CAAD, as exigências iniciais que se colocam a um aspirante a fazer carreira na arbitragem. “Ser árbitro – o que é que eu tenho de fazer? Conhecer as leis do jogo. Ter a capacidade de as verbalizar. Depois da perspetiva regulamentar, que exigências físicas se colocam ao árbitro? O árbitro tem de ser um atleta na perspetiva da exigência da tarefa.”

Bruno Travassos introduziu na apresentação uma questão tantas vezes colocada a quem assiste ao jogo: “Como é que há decisões completamente contrárias” em relação a uma mesma situação? E deu a resposta: “Porque os contextos são diferentes. Existe a necessidade do árbitro adequar a situação às leis do jogo.”

Para compreender o desempenho do árbitro, o docente da UBI lembrou que “cada árbitro é um árbitro e as suas capacidades dependem do seu contexto.” Mais, “também temos de perceber que o árbitro tem as suas vivências desportivas, o seu clube.”

Bruno Travassos defendeu que a experiência visual pode fazer a diferença na qualidade do trabalho do árbitro. “Quem vê mais jogos é melhor árbitro”, daí que “o fator relevante a tomar em conta no futuro seja a informação. Que informação suporta a decisão? Que informação é que nós precisamos de ter que suporte a nossa ação?”, questionou.

“Os melhores árbitros tendem a estar mais longe das faltas”, informou, logo, “o árbitro tem de criar o contexto para tomar a melhor decisão, tem conhecer muito bem a tarefa do jogo, tem de perceber o jogo.”

A questão “como treinar?” dominou a conclusão da palestra de Bruno Travassos. “O árbitro tem de saber das leis do jogo, tem de estar bem fisicamente e tem de saber posicionar-se, sobretudo em função da posição da bola.” E concluiu: “Temos de passar de uma lógica do conhecimento para uma lógica de gestão da informação, transformar o árbitro num gestor da informação do que se está a passar no jogo.”

“Ir procurar as informações para além do óbvio” faz os árbitros de excelência, resumiu Bruno Travassos.

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