As comemorações do Dia Olímpico, este ano em versão maioritariamente digital, terminaram com uma conferência online com a presença de dois atletas – Emanuel Silva e Mariana Machado – e também com o Chefe de Missão de Portugal aos Jogos Olímpicos Tóquio 2020 –  Marco Alves – e o Diretor Desportivo do Comité Olímpico de Portugal (COP) – Pedro Roque.

A sessão, integrada nas comemorações do Dia Olímpico, resultou da parceria entre o COP e o Município de Braga. A moderação do jornalista António Simões permitiu percorrer um “olhar à história” dos Jogos Olímpicos, desde a sua recriação por Pierre de Coubertin a 23 de junho de 1894, até à atualidade. Temas como a igualdade de género e o papel das mulheres no desporto deram o mote à conversa que depois se centrou no adiamento dos Jogos Olímpicos para 2021, em virtude da pandemia de COVID-19.

Emanuel Silva, medalhado Olímpico na prova de canoagem K2 1000 metros em Londres 2012, não teve dúvidas em afirmar que, qualquer que seja o contexto, “atleta que é atleta não inventa desculpas, atua e bem feito”. O experiente canoísta português viu no adiamento uma oportunidade para que a embarcação portuguesa em que está inserido – K4 500 metros, e que tem já quota de participação para Portugal – possa melhorar e chegar ainda mais forte dentro de um ano. “Temos responsabilidades sociais, temos de continuar a ser profissionais e a continuar o plano e a nossa equipa está preparada para que o nosso compromisso não seja prejudicado”, assegurou.

Mariana Machado procura ainda a sua qualificação Olímpica, mas o amor ao atletismo que lhe corre nas veias dá-lhe a esperança de que Tóquio poderá marcar a sua estreia na maior competição multi-desportiva mundial. “Eu gosto mesmo muito do que faço e não é só por ganhar medalhas. Eu pratico atletismo porque amo correr e amo esta adrenalina… trabalhamos para os títulos e para as medalhas, mas tem de haver uma paixão intrínseca. E só com isso é que conseguimos dar a volta e dar o nosso melhor”.

Emanuel Silva destaca como positivo desta paragem forçada, a presença mais constante junto da família que funcionou como uma “rampa emocional” para o próximo ano em que o tempo será preenchido com a preparação para os Jogos. Mariana aproveitou o tempo sem competições para concluir o 2º ano do curso de medicina, mas lamenta o cancelamento das competições em que tinha “objetivos muito bem definidos” e que lhe podiam valer a qualificação Olímpica.

Ambos os atletas concordaram que este período foi vivido em várias fases, desde a incerteza sobre a realização de provas e a impossibilidade de treinar da forma habitual, passando pelo alívio aquando da confirmação do adiamento dos Jogos que lhes deu a garantia de que teriam mais condições para preparar a presença Olímpica, alguns momentos de desânimo, até à nova fase de motivação e regresso aos treinos já com os olhos postos no regresso da competição.

As mesmas fases que o Diretor Desportivo do COP, Pedro Roque, encontrou através do contacto permanente com as Federações e os Atletas de alto rendimento. Apesar das diferentes fases de transição e regresso ao treino entre modalidades de exterior e interior, acredita que o adiamento dos Jogos Olímpicos de 2021 pode ser uma oportunidade para Portugal, uma vez que “os atletas consagrados estão completamente focados para Tóquio e os mais jovens podem dar o salto para os Jogos em 2021”. Confessa-se “descansado” com o trabalho que está a ser realizado por Tóquio e que tem como objetivo a participação “ao mais alto nível em Tóquio”.

Também o impacto económico do adiamento de um evento desta dimensão foi tema de conversa. Marco Alves, Chefe de Missão, relembrou que terão de ser feitos alguns ajustes aos orçamentos decorrentes do adiamento, mas que o COP trabalha com os seus parceiros de forma a minimizar as perdas e reagendar despesas. Para os atletas não estão previstas alterações aos financiamentos para este que será o último ano de preparação Olímpica. Aliás, o Chefe de Missão também encara este adiamento como uma oportunidade para o COP “preparar e otimizar o nível de serviço que queremos prestar a atletas e treinadores em Tóquio”.

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