O Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC) assinalou esta segunda-feira o Dia Internacional Contra a Corrupção, em colaboração com o Comité Olímpico de Portugal (COP) e o Agrupamento de Escolas Queluz-Belas, numa sessão em que o Presidente do Tribunal de Contas – e do CPC, por inerência -, Vítor Caldeira, sublinhou a importância de o evento decorrer num estabelecimento de ensino, “junto dos mais novos, que estão a formar-se para serem futuros cidadãos” de Portugal.

“A corrupção põe em causa a estabilidade e o desenvolvimento sustentado da sociedade, e vai minando a democracia”, defendeu Vítor Caldeira, destacando o alcance da missão desempenhada pelo CPC: “Prevenir o fenómeno da corrupção, valorizando a integridade, a probidade e a transparência.” O presidente do CPC informou que atualmente estão envolvidos em campanhas de prevenção da corrupção cerca de 30 mil alunos portugueses.

O Presidente da Câmara Municipal de Sintra, Basílio Horta, sugeriu que em todas as escolas devia aprender-se a cidadania e os princípios que lhe estão associados: a igualdade e a transparência. A propósito da igualdade citou um dos princípios enunciados a partir da Revolução Francesa – “todos são iguais em direitos e deveres” – e, quanto à transparência, foi muito claro: “Quem decide deve poder ser escrutinado a qualquer momento.” No fim deixou um apelo à audiência, maioritariamente composta por alunos da Escola Secundária Padre Alberto Neto, em Queluz: “Cumpram os vossos deveres.”

José Manuel Constantino, Presidente do COP, reforçou a necessidade de termos uma sociedade “mais limpa, mais íntegra e mais saudável.” E alertou para os problemas de integridade que têm cruzado o desporto, daí “o Comité Olímpico manter uma luta muito forte de consciencialização do que é vencer sem batota, para que se acredite que é o valor dos atletas a estar em competição.”

 

Protocolo CPC-COP

Durante a sessão foi assinado um protocolo entre o CPC e o COP, que prevê a colaboração das duas entidades no lançamento de iniciativas que possam ter ação preventiva quanto aos fenómenos da corrupção e possam fomentar os exemplos de integridade entre os cidadãos. Neste âmbito foi lançado o concurso nacional “Jogo Limpo”, no qual os alunos são desafiados a criar um slogan. “Mobilizem-se”, disse o Diretor-Geral do COP, João Paulo Almeida.

O Conselheiro Rui Patrício, membro do CPC, fez uma apresentação sobre plágio, chamando a atenção para o facto de se tratar de “crime, é roubar”, por resultar na apropriação “da obra de outro como se fosse nossa.” Para além disso, o plágio é “enganar, dar de nós uma imagem que não corresponde à realidade”; e “convida à preguiça. É especialmente grave, porque a preguiça é o maior inimigo do desenvolvimento individual.”

João Paulo Almeida, Diretor-Geral do COP, interveio sobre integridade no desporto. E disse: “Os grandes campeões também são campeões na vida”, através do exemplo que constituem, tendo referido o caso do basquetebolista Kareem Abdul-Jabbar, como o de alguém que continuou a pautar o seu comportamento com atitudes íntegras adotadas pela vida fora.

Na sua apresentação, o Diretor-Geral do COP passou um vídeo onde ficaram expostas as consequências sofridas por um tenista que se deixou corromper para facilitar um esquema de manipulação de competições e ficou com a carreira arruinada.

Os atletas David Rosa (Ciclismo), Joana Ramos (Judo), Nuno Barreto (Vela) e António Bessone Basto deram testemunho das suas experiências enquanto desportistas de topo.

Joana Ramos: “Para acreditar em mim, sempre trabalhei muito. Quando perdi, não falhei, dei tudo, trabalhei ao máximo. O resultado não vale nada se mentirmos a nós próprios e aos outros.”

Bessone Basto: “O desporto fez de mim um lutador. Diziam ‘ele é um predestinado’. Mentira! Fui um trabalhador”, declarou, revelando ter ainda um objetivo a cumprir, aos 74 anos – atravessar o estreito de Gibraltar a nado.

David Rosa: “Com Lance Armstrong, fiquei realmente desiludido. Para mim, o desporto resume-se não ao resultado, mas à auto-superação”, disse, lembrando a sua participação olímpica no Rio 2016, quando, apesar de ter a roda da sua bicicleta partida, prosseguiu a prova sem desistir.

Nuno Barreto: “O processo é que faz a diferença na nossa vida. Eu nunca abdiquei, fiz opções, e optei por preparar-me para os Jogos Olímpicos.” O medalha de bronze em Atlanta 1996 citou, depois, o velejador dinamarquês Paul Elvstrom: “Se para ganhar a competição perder o respeito do meu adversário, então não valeu de nada.”

Na Escola Secundária Padre Alberto Neto estão patentes duas exposições, uma de trabalhos sobre plágio realizados por alunos, e a outra da responsabilidade do COP.

A sessão foi transmitida via streaming para várias escolas portuguesas.

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20.07.2016

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