Caro Presidente,

Neste início de ano dirijo-me a si no sentido de partilhar uma mensagem de solidariedade e preocupação com o contexto que atravessamos.

O ano que terminou foi muito difícil para todos nós, pois a crise de saúde pública que atingiu todos os recantos do mundo veio colocar-nos problemas para os quais não estávamos preparados.

O desporto sofreu um forte abalo com perdas avultadas e outras, teme-se, irrecuperáveis.

Não foi possível evitar a paragem da atividade de um número muito significativo de atletas e de ver modalidades com competições canceladas ou adiadas, ginásios e espaços de treino encerrados e restrições de mobilidade que inibiram ou eliminaram a possibilidade da prática desportiva regular com um efeito severo sobre o nosso sistema desportivo, num país com baixos indicadores de prática desportiva federada e assentes numa economia associativa frágil.

A retoma da prática desportiva, em especial nos escalões de formação, é uma das principais preocupações de todos os intervenientes do movimento associativo, porém, o problema mais premente que o sistema desportivo atravessa no cumprimento da missão que os poderes públicos lhe confiam em promover o direito constitucional ao desporto é, precisamente, o risco da sua sustentabilidade, agravado pela total ausência de medidas políticas de apoio urgentes e extraordinárias para o mitigar, ao contrário do que tem ocorrido na generalidade dos países europeus.

Temos a noção clara que é irreversível retomar-se o cenário – já de si bastante vulnerável – existente no desporto português antes da crise pandémica, apenas e só pelo progressivo retomar das atividades desportivas, como se este despertasse incólume de uma longa hibernação.

Importa, com efeito, estarmos focados na absoluta necessidade de preservar ao máximo as nossas capacidades na sustentabilidade do desporto em contexto de pandemia, protegendo um bem público e a sua importância social, pois todos sabemos que, sem apoios, a retoma será ainda mais dolorosa, como denota o atual cenário marcado pelo considerável decréscimo de agentes desportivos filiados nas nossas federações, quebra de receitas, abandono da prática desportiva e consequente crise das organizações desportivas.

2021, assim o esperamos, será o ano da realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Estamos concentrados na reprogramação de tudo o que envolve a nossa Missão, adaptando-nos a um contexto distinto daquele para o qual nos tínhamos preparado.

Por isso, sem esquecer aquele objetivo nacional, devemos reforçar a coesão do setor desportivo, por forma a encontrar mecanismos solidários e ativar plataformas colaborativas, designadamente para ajudar clubes e associações desportivas de base que são a pedra angular do modelo desportivo nacional e europeu, e os que mais sofrem com a situação que estamos a viver.

O desânimo é o principal perigo que nos espreita. A ausência atempada de respostas políticas à gravidade do momento pode acentuar esse sentimento. Mas não podemos desistir. Não podemos deixar de lutar. E nem todos os combates têm resultados imediatos.

O Comité Olímpico de Portugal estará sempre, e mais do que nunca, disponível para colaborar, juntando a sua motivação à das diferentes organizações desportivas, de modo a que solidariamente sejamos capazes de superar este momento, retomar progressivamente a normalidade das nossa vidas e defender o desporto, que é o grande desígnio que temos pela frente nestes tempos difíceis que vivemos. E, porventura, a nossa maior missão.

CONTE CONNOSCO!

Votos de um BOM ANO!

Com os mais cordiais cumprimentos,

José Manuel Constantino

Presidente

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