A “Sport Integrity Week“ discutiu esta sexta-feira “a proteção de menores de abusos morais e sexuais no desporto”, num painel moderado pelo Diretor-geral do Comité Olímpico de Portugal (COP), João Paulo Almeida, e no qual participaram Joana Dias Alexandre, do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), Bruno Avelar Rosa (Qantara Sports), Cristina Matos Almeida, do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), e Miguel Nery, da Faculdade de Motricidade Humana (FMH).

Cristina Matos Almeida enquadrou o problema como “um assunto que foi tabu durante muito tempo.” Apesar da sua importância, tem sido “silenciado, mas devemos falar muito acerca dele”, reforçou. A especialista do IPDJ abordou a existência de campanhas, em particular a “Start to talk”, do Conselho da Europa, como ferramentas importantes para que seja criada uma consciencialização em relação ao problema, o que implica mais um passo: “Se começamos a falar do assunto, precisamos de ter um sistema que responda. Se não existir, vai ser um problema.”

Um jovem abusado em cada sete, antes dos 18 anos, foi o dado apresentado por Filipa Dias Alexandre (ISCTE). “Estamos a falar de um assunto muito importante”, cujas consequências são extremamente negativas. “Temos de ser vigilantes e temos de desenvolver sistemas de proteção”, acrescentou, alertando para um fator que dificulta a abordagem deste fenómeno: “Para as crianças é muito difícil falar do assunto.”

Miguel Nery, da FMH, criticou a “falta considerável de programas para fazer a prevenção destes casos”, o que lança alguma desorientação: “As pessoas não sabem o que fazer.” Depois levantou mais uma dificuldade ligada o trabalho que é desenvolvido a um nível ‘macro’. “Muitas coisas estão a ser feitas, mas não chegam ao nível ‘micro’.”

João Paulo Almeida introduziu na discussão a pouca consciencialização que os decisores têm em relação ao abuso de menores no desporto. Como abordar o problema perante esta situação?

“Vamos em direção a um momento melhor para que o sistema desportivo possa ter mais consciência do problema”, respondeu Bruno Avelar Rosa (Qantara Sports). Mas “precisamos de um caso mediático”, acrescentou em analogia às denúncias públicas desencadeadas por atletas de topo que colocaram a proteção de menores de abusos sofridos no desporto na agenda internacional. “Este é um assunto silencioso, é algo que nos deve preocupar. Há políticas que estão a ser desenvolvidas, mas em Portugal parece qua ainda não sentimos o problema. Não precisamos esperar pelo escândalo para atuar.”

Joana Dias Alexandre considera que neste ponto o trabalho principal é “estabelecer normas específicas” para abordar o fenómeno, “como se fez em relação à violência doméstica.” E “é preciso informar os pais” sobre o abuso de menores no desporto.

A Sport Integrity Week foi uma realização da Sport Integrity Global Alliance, liderada por Emanuel Medeiros.

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