João Paulo Almeida, Diretor-Geral do Comité Olímpico de Portugal (COP), foi um dos oradores convidados do Fórum “ALL IN rumo à Igualdade de Género no Desporto”, promovido pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) no âmbito das comemorações dos 75 anos da Organização das Nações Unidas e do projeto conjunto da União Europeia e do Conselho da Europa, ALL IN.

Na sessão que pretendeu analisar os números e factos relacionados com a igualdade de género no desporto em Portugal, o Diretor-Geral do COP começou por relembrar que desde 1995, com a aprovação da Declaração de Pequim pelas Nações Unidas, que o desporto é uma das áreas referidas para o empoderamento das mulheres na vida pública. Também a Carta Olímpica prevê que o desporto deve ajudar a esbater os vários tipos de barreiras, entre as quais as de género. Mas a realidade mostra algo diferente e, segundo João Paulo Almeida, “um país desenvolvido não pode ter os indicadores de intervenção das mulheres no desporto como atualmente Portugal tem”. Para João Paulo Almeida, muitos dos pressupostos culturais que condicionam a presença das mulheres no desporto são difíceis de ultrapassar, mas “é fundamental conseguir passar a importância do desporto, que é um ativo fundamental para a sociedade”.

Também presente na sessão esteve Carlos Pereira, Vogal do IPDJ, que apresentou os preocupantes números da presença das mulheres no desporto. O inquérito nacional no âmbito do projeto ALL IN revelou que três em quatro mulheres “nunca” ou “muito raramente” fazem exercício físico; em média, as mulheres representam apenas 30% dos atletas federados nas modalidades Olímpicas. Também nos cargos de chefia as mulheres não têm presença forte – segundo o estudo apenas 14% dos cargos nas Federações desportivas nacionais são ocupados por mulheres e em sete delas não há qualquer mulher na direção. Em conclusão, é preciso melhorar a presença das mulheres no desporto.

Paula Silva, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, também partilhou as suas preocupações e lançou alguns temas para debate. Acredita que a mudança tem de ser profunda e deve desconstruir os valores incorporados nas estruturas. Leila Marques Mota, do Comité Paralímpico de Portugal, reforçou a importância do desporto enquanto plataforma de inclusão e bem-estar e por isso essencial para as pessoas com deficiência. No domínio Paralímpico, o plano de ação para a igualdade de género está em desenvolvimento, mas ainda numa fase inicial.

O Fórum ALL IN termina no sábado, dia 12 de dezembro, com a presença de Elisabete Jacinto, Presidente da Comissão Mulheres e Desporto do COP na mesa de mesa de debate sobre medidas a implementar para aumentar o número de mulheres em posições de liderança. Rita Nunes, Diretora do Departamento de Estudos e Projetos do COP, será a moderadora da mesa sobre medidas para atrair e estimular o investimento no desporto para mulheres. As inscrições para o segundo dia ainda estão disponíveis aqui.

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