A Federação Portuguesa de Desportos Eletrónicos organizou esta quinta-feira a I Conferência Internacional de Esports Portugal, na qual participou o Diretor-geral do Comité Olímpico de Portugal (COP), João Paulo Almeida.

Integrante do painel “Desporto Electrónico – o Desporto do Séc. XXI e a convergência com desporto tradicional”, João Paulo Almeida explicou qual o posicionamento do Movimento Olímpico em relação à filiação institucional dos e-sports como membro do Comité Olímpico Internacional (COI) e a eventual integração no programa dos Jogos Olímpicos, referindo a posição oficial saída da última cimeira olímpica, e até no documento da última quarta-feira sobre o Coronavirus, de proximidade à vertente dos jogos de simulação e distanciamento a outras variantes, nomeadamente as que apelam mais à violência, como o Counter Strike ou Street Fighter (fighting games e firs-person shooter).

O Diretor-geral do COP elencou, no plano institucional e de organização do desporto, os desafios que os desportos eletrónicos têm de enfrentar para se aproximarem do modelo piramidal reconhecido pelo COI, nomeadamente quando os jogos são propriedade de empresas comerciais, ao contrário dos outros desportos, onde as federações são titulares dos direitos de propriedade intelectual da modalidade e a regulam em largo espectro.

Recentemente, o COP lançou o livro “e-Sports, o Desporto em Mudança?”, onde se procurou abrir esta discussão, auscultando um amplo leque de sensibilidades e perspetivas de análise sobre o tema, a qual é muito mais alargada do que saber como os desportos eletrónicos encaixam ou não em termos epistemológicos nas inúmeras definições de desporto.

Tal como em tantas outras modalidades – argumentou João Paulo Almeida -, este é um processo de negociação política, no qual é necessário potenciar as mais-valias (público jovem, educado, envolvimento de um mercado tecnológico, volume de negócios impressionante) e minimizar os fatores de risco (adição, distúrbios de sono e personalidade, sedentarismo).

João Paulo Almeida concluiu a sua intervenção alertando para os perigos crescentes em matéria de integridade que os desportos eletrónicos podem colocar, referindo que um enquadramento e reconhecimento legal necessariamente ofereceria maior proteção, para além de uma outra legitimidade.

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