O Comité Olímpico de Portugal (COP) foi parceiro e participante no Fórum Nacional ALL IN “Rumo à Igualdade de Género”, promovido pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), no âmbito das comemorações dos 75 anos da Organização das Nações Unidas e do projeto conjunto da União Europeia e do Conselho da Europa, ALL IN.

Elisabete Jacinto, presidente da Comissão de Mulheres e Desporto (CMD), Filipa Cavalleri e Mónica Jorge, igualmente membros da CMD, e Rita Nunes, diretora do Departamento de Estudos e Projetos (DEP), do COP, participaram nas mesas de debate que preencheram o programa do segundo dia de trabalhos, depois de João Paulo Almeida, diretor-geral do COP, ter feito parte da sessão “Desigualdades de género no desporto | Factos e números”, realizada no primeiro dia.

A mesa de debate 1, coordenada pela treinadora Ana Oliveira, juntou Elisabete Jacinto, presidente da Comissão Mulheres e Desporto do COP, Carlos Paula Cardoso, presidente da Confederação do Desporto de Portugal, Pedro Sequeira, presidente da Confederação de Treinadores de Portugal e Sónia Carneiro, diretora executiva da Liga Portuguesa de Futebol Profissional. O tema em debate foi o lugar das mulheres na liderança no desporto e quais as estratégias a desenvolver para aumentar o seu número em cargos de liderança. De entendimento comum é que as quotas implementadas em algumas instituições podem ser o “acelerador” para a presença feminina em cargos de liderança, mas que as mulheres se irão afirmar pela sua competência e não pelo género. Sónia Carneiro acredita que o panorama é “melhor que há 10 anos e com tendência para evoluir favoravelmente nos próximos anos”. Elisabete Jacinto não tem dúvidas: “Homens e mulheres são diferentes porque têm uma herança diferente. É preciso formação para as mulheres se poderem afirmar na liderança. É preciso ter coragem e as primeiras têm de ser perfeitas naquilo que fazem para abrir caminho para outras”.

Filipa Cavalleri moderou a mesa de debate 3, sobre “Participação desportiva”, e apresentou as conclusões: “Temos todos consciência de que se tem feito um grande caminho nesta área”, disse, referindo o “papel fundamental” que a educação tem a desempenhar, sendo igualmente fulcral “a envolvência da família”. Filipa Cavalleri chamou a atenção para a necessidade de “homens e mulheres terem as mesmas oportunidades.”

A diretor do DEP, Rita Nunes, moderou e apresentou as conclusões apuradas na mesa de debate 5, que abordou “investimento no desporto”, tendo começado pelo exemplo que podem constituir os “Jogos Olímpicos de Paris 2024, onde haverá a paridade no número de participantes e que devem inspirar futuras organizações.”

Rita Nunes focou também os programas do IPDJ que fomentam a igualdade de género e “o exemplo da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) ao nível do investimento e da aposta no futebol feminino”, apontado por Mónica Jorge, uma das participantes na mesa de debate, ao lado de Abel Santos, professor na Escola Superior de Desporto de Rio Maior (ESDRM), e Paulo Frischknecht, presidente do Conselho de Administração da Fundação do Desporto.

“A educação e a sensibilização são fundamentais” foi uma das conclusões praticamente transversal a todas as mesas de debate, também referida pela diretora do DEP. A questão das quotas de participação nas organizações foi um dos tópicos de discussão, com os participantes a concluírem que “devem estar sempre baseadas nas competências e na qualidade dos recursos”, como referiu Rita Nunes. “Não basta decretar, é preciso promover e praticar a igualdade.”

Para que exista investimento igual de patrocinadores em desportistas homens e mulheres, “temos de equilibrar o tempo de exposição” mediática. Rita Nunes apontou a necessidade de existirem mais “‘role models, mais Vanessas Fernandes e Mónicas Jorges”, capazes de motivar as jovens para a prática desportiva e para o desempenho de funções de gestão, como foi referido na mesa de debate. “O caminho rumo à igualdade de oportunidades e de género já se iniciou, agora todos temos de fazer a nossa parte”, concluiu Rita Nunes

Na sua intervenção, durante o debate, Paulo Frischknecht lembrou que a “a Missão Portuguesa aos Jogos Olímpicos Montreal 1976 [da qual fez parte enquanto atleta] era exclusivamente composta por homens e quatro anos mais tarde, em Moscovo, a Avelina Alvarez, da Ginástica, acompanhada por uma treinadora”, era a única atleta.

Demorou mais de 40 anos para que os números de participação de atletas mulheres atingisse os 50 por cento, tal como é agora anunciado para Paris, apontou o presidente da Fundação do Desporto

Mónica Jorge abordou o seu trabalho enquanto dirigente da FPF, tendo referido o critério de discriminação positiva que é aplicado aos clubes: “Para terem a certificação de cinco estrelas precisam ter uma equipa de futebol feminino.”

Abel Santos, da ESDRM, defendeu que, “quando um sistema está desequilibrado, temos de ter uma intervenção positiva”, e referiu um exemplo: “Os municípios estão a incluir critérios que discriminam positivamente, de modo a permitir a integração de mulheres.”

Sónia Paixão, vice-presidente do IPDJ, encerrou os trabalhos, sublinhando que a igualdade de género se trata de uma “temática estratégica para o IPDJ. Tudo estamos a fazer para inverter a realidade de que estivemos a falar nestes dois dias”, concluiu.

 

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