Comunicado

A Comissão de Atletas Olímpicos (CAO) tem vindo a acompanhar, com especial preocupação, os desenvolvimentos recentes relativos à realidade do sector do desporto em Portugal.

O desporto volta a enfrentar desafios da maior importância que põem à prova a resiliência de todo o Movimento Desportivo Nacional. Dos atletas, aos dirigentes, passando por todos os que, direta ou indiretamente, estão de alguma forma ligados ao desporto.

Porém, todos aqueles que acreditam que o papel do desporto vai muito para além do alto rendimento desportivo, e sabem por experiência própria do seu contributo decisivo para o desenvolvimento pessoal de cada cidadão e de diversos domínios da sociedade, não se limitaram a enfrentar as sucessivas vagas de crise, barricados em torno dos seus problemas específicos ou invocando argumentos intrínsecos. Desta feita, foram mais além!

Numa parceria colaborativa sem precedentes, procuraram soluções, partilharam recursos escassos, apresentaram propostas para atender ao profundo impacto da crise pandémica, trabalhando em conjunto em prol de dois propósitos muito claros de relevante interesse nacional: salvaguarda da saúde pública dos portugueses e proteção do tecido desportivo nacional.

É, pois, com fundada preocupação que verificamos ter sido perdida a oportunidade de estabelecer um diálogo profícuo e construtivo entre os decisores políticos, os dirigentes desportivos e mesmo os atletas em torno das medidas apresentadas. Porque todos deveriam ser ouvidos, porque cada um pode trazer um contributo distinto, mas importante para encontrar soluções ponderadas e razoáveis que a urgência da presente crise impõe.

Somos sensíveis à complexidade do contexto atual, transversal a todos os sectores da sociedade. Mas, no nosso entender, e contrariamente ao verificado noutras áreas da sociedade, escasseiam medidas que visem apoiar o sector do desporto, contrariando mesmo aquelas que são as recomendações das instâncias internacionais, e os exemplos seguidos por outros Estados-Membros da União Europeia.

Reconhecemos que foram desenvolvidos esforços positivos em garantir as melhores condições possíveis para os atletas que se encontram em preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Sobre estes importa minimizar eventuais fatores de destabilização que possam surgir, direta ou indiretamente provocados pela atual situação, quando nos encontramos a menos de nove meses da realização dos Jogos Olímpicos.

Mas é com grande preocupação que olhamos para o futuro, para os olímpicos de amanhã, considerando os grandes constrangimentos que atualmente se verificam no desporto de formação, e comprometem, porventura irremediavelmente, a cadeia de valor que alimenta o percurso do atleta até ao patamar olímpico.

No nosso entender, muitos passos estão ainda por dar na defesa de um sector que, embora sem o justo reconhecimento, assume vital importância na sociedade. E todos – atletas, governo, entidades desportivas, federações, clubes e restante sociedade civil – devemos trabalhar, de forma responsável e em conjunto, para garantir a sobrevivência do desporto nacional.

É neste sentido que demonstramos publicamente a nossa profunda apreensão com o futuro e o movimento desportivo nacional, o qual reclama medidas inadiáveis para a sua sustentabilidade e viabilidade, que exortamos todos aqueles com responsabilidades de decisão a tomar, com a urgência que as enormes dificuldades que o sector do desporto atravessa determinam.

Comissão de Atletas Olímpicos

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