A pandemia acelerou a necessidade e o treino à distância entrou na rotina de treinadores, atletas e equipas, acentuando uma tendência já usual em alguns casos como os protagonizados por Irina Rodrigues e Gabriel Mendes, convidados do webinar sobre eTreino desportivo, do Comité Olímpico de Portugal (COP) e da Comissão de Atletas Olímpicos, integrado no ciclo Abrir a Caixa, moderado esta quinta-feira por Pedro Roque, diretor desportivo do COP.

Mais de mil quilómetros (1558) separam Irina Rodrigues, lançadora do disco, do seu treinador, Júlio Cirino. Ela vive em Leiria, ele está em Angra do Heroísmo. Os treinos incluem câmara e tripé, e mensagens de whatsapp com feedbacks à distância. “Temos sempre de encarar os desafios como oportunidade e trampolim para chegar a algo melhor”, resume a atleta que já conseguiu apuramento para dois Jogos Olímpicos (Londres 2012 e Rio 2016) e olha para uma terceira presença no próximo ano, em Tóquio.

Estágios em Leiria e em Angra vão quebrando os hábitos impostos pela distância, mas Irina Rodrigues já conseguiu tirar uma vantagem do trabalho individualizado: “A nossa consciencialização corporal aumenta a partir do momento em que trabalhamos sozinhos.”

Gabriel Mendes é o coordenador técnico da Federação Portuguesa de Ciclismo e treinador nacional de pista, e já utiliza o treino à distância há alguns anos. O facto de os atletas estarem situados em diferentes zonas do país e em outros países é um dos fatores principais para utilizar esta forma de treino.

“A aplicação da tecnologia está a transformar muito o contexto atual e tem implicações no treino e no treino à distância”, explica Gabriel Mendes, que esclarece haver diferentes abordagens para as diversas disciplinas da modalidade, seja BMX, pista, estrada, BTT ou o Paraciclismo.

Irina Rodrigues admite passar por momentos difíceis em que sente a falta de Júlio Cirino. “Sou de uma modalidade individual e o facto de não ter grupo de treino torna o papel do treinador ainda mais importante. Houve um dia em que dei por mim a trabalhar num barracão e a ligar ao meu treinador: ‘Eu tenho medo. Se acontece alguma coisa, o que é que eu faço?’.”

A distância entre atleta e treinador impede o imediatismo exigido em determinados momentos, como explica Gabriel Mendes: “Às vezes há detalhes que não são bem realizados, daí que a nossa presença para dar feedback seja importante.”

E depois da pandemia, como vai ser? “Acho que vai ser algo híbrido, não vai ser tudo digital, nem tudo presencial. Isto acaba para ser uma oportunidade para as pessoas terem autonomia e treinarem com qualidade”, defende Irina Rodrigues.

Gabriel Mendes sublinha: “O número de competições reduziu e a qualidade do nosso processo de trabalho tem de ser cada vez melhor. Cada um vai ter de dar ainda mais de si para responder a esta realidade. E vamos sair dela mais fortes.”

O ciclo de webinares Abrir a Caixa termina na próxima semana com as participações do cartoonista Luís Afonso e do atleta olímpico de Vela, José Costa, que falarão sobre Humor e Banda Desenhada no Desporto.

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