O Comité Olímpico de Portugal (COP) participou esta quarta-feira num webinar sobre integridade no Desporto organizado por Global Lottery Monitoring System, European Lotteries e World Lottery Association.

O webinar, a decorrer entre a última terça-feira e amanhã, está a abordar a nova normalidade com a qual o setor das apostas desportivas se viu confrontado, em contexto de pandemia, com a paralisação das competições desportivas e as propostas dos operadores em relação a competições incomuns, o que obrigou a uma monitorização mais vigilante e acelerou a necessidade de uma maior cooperação entre as autoridades policiais e as instâncias desportivas.

João Paulo Almeida, diretor-geral do COP, moderou o painel “Trabalhar com o Movimento Desportivo para proteger a Integridade Desportiva”, no qual Benjamin Schindler, diretor de Assuntos Legais da Federação Internacional de Basquetebol, chamou a atenção para as dificuldades que a modalidade enfrenta num quadro de crise económica precipitado pela pandemia, quando questionado sobre a monitorização da origem dos patrocínios. “É difícil encontrar dinheiro para patrocinar as pequenas federações”, disse, sublinhando a existência de constrangimentos quando esse dinheiro é encontrado e se exigem explicações sobre a sua origem. “Nesta altura, estamos a introduzir nova regulamentação acerca dos patrocínios provenientes das casas de apostas”, esclareceu.

O Comité Olímpico Internacional (COI) esteve representado por Friedrich Martens, líder da unidade de prevenção contra a manipulação de competições do Movimento Olímpico. ” A unidade existe desde 2017, mas já em 2015 foi introduzida uma alteração na Carta Olímpica que coloca a manipulação de competições ao nível do doping. Quem não estiver em conformidade não pode participar nos Jogos Olímpicos”, sublinhou, informando que o COI investe muito em campanhas nas redes sociais e em programas de e-learning para fazer “crescer a consciencialização” no que diz respeito a estes assuntos. “Estamos a dizer aos Comités Olímpicos Nacionais e às Federações Internacionais o que é necessário para cumprirem as regras de conformidade.”

Marco Befera, do Comité Olímpico Nacional Italiano, respondeu à questão do controlo e transparência do financiamento dos Comités Olímpicos Nacionais e das Federações. “A Covid-19 mudou completamente a nossa perspetiva, a prioridade é sermos socialmente efetivos”, na ajuda às pessoas. Befera alertou ainda para o fenómeno de despertar das más condutas em situações de pressão como esta suscitada pela pandemia. “É fundamental estarmos atentos, deveríamos aproveitar para construir um sistema de controlo efetivo”, capaz de prevenir ambientes eticamente inapropriados.

Um dos anfitriões do webinar, Giancarlo Sergi, secretário-geral do Global Lottery Monitoring System, vincou o apoio dado à “Convenção de Macolin”, a Convenção do Conselho da Europa sobre a Manipulação de Competições Desportivas, estando Portugal entre os sete estados que a ratificaram.

Friedrich Martens defendeu ainda existirem “grandes progressos” na disseminação do “ideário da Convenção a nível nacional”, tendo mostrado haver da parte do COI empenho numa maior proatividade no combate à manipulação de competições desportivas. E lembrou: “É proibido aos atletas apostar nas suas próprias competições.”

João Paulo Almeida concluiu: “A Covid-19 levantou sérios riscos de manipulação de competições desportivas e infiltração criminal no desporto, como números recentes tendem a apontar. Os participantes do painel enfatizaram a necessidade premente de desenvolver competências no mundo do desporto, ao mesmo tempo que fortalecem a colaboração entre as principais partes interessadas, principalmente as lotarias, para enfrentar esta ameaça e proteger a integridade do desporto, abrindo caminho para uma implementação rápida e abrangente da Convenção de Macolin.”

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