A Confederação de Treinadores de Portugal (CTP) organizou esta quarta-feira na sede do Comité Olímpico de Portugal (COP) uma ação de formação integrada no projeto Coach Sport Integrity (CSI), que é financiado pelo programa Erasmus+, da União Europeia.

O projeto CSI visa combater as ameaças transfronteiriças à integridade do desporto e à sua boa governação, como a dopagem, manipulação de competições e a violência.

A abrir os trabalhos, José Manuel Constantino, presidente do COP, aproveitou a presença de Manuel Brito, presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal (AdOP), para lhe desejar “sucesso” no desempenho das suas novas funções: “Tenha êxito e conte com a nossa colaboração. O seu sucesso será o sucesso do desporto português.”

A propósito dos treinadores, destinatários da ação, José Manuel Constantino reafirmou que o COP “não é adepto do atual modelo de formação”, mas entende existir o dever de apoiar “os agentes que trabalham na formação dos treinadores”, como é o caso da CTP.

De seguida, Manuel Brito, anunciou que a ADoP está a “a preparar um protocolo de colaboração com o COP”, passando as missões a serem “objeto de tratamento especial.”

O líder da AdOP considerou a nova lei antidopagem, brevemente em vigor, como “muito boa”, tendo realçado “a passagem das questões disciplinares das federações para o Estado.”

António Júlio, diretor executivo da AdOP, abordou os problemas que se colocam no combate à dopagem, afirmando a necessidade de haver uma autoridade mundial forte, como a World Anti-Doping Agency (WADA), no desempenho de papéis em áreas como a investigação científica, a educação e informação, e a parte sancionatória.

A explicitação do organograma da ADoP e o seu modelo de funcionamento foram igualmente objeto da exposição de António Júlio, tal como os perigos que se colocam a quem trabalha nesta área. “As causas só estão perdidas quando desistirmos delas”, disse, a propósito da missão conferida a quem combate a dopagem, na defesa da verdade desportiva, da proteção da saúde dos atletas e da obrigação de “não defraudar os jovens.”

A manipulação de competições, considerada a “maior ameaça ao desporto” contemporâneo, foi o tema da intervenção de Joana Gonçalves, gestora de projeto do COP, que explicou como são os agentes e as organizações afetadas por este fenómeno transversal a todas as modalidades e alimentado pelo mercado de apostas.

“Se forem abordados, denunciem” são as palavras de ordem a transmitir aos desportistas, por forma a estancar a manipulação de competições. Os três R são a fórmula de proteção face a este perigo: Reconhecer (as situações de aliciamento), Resistir e Reportar.

João Paulo Almeida, diretor-geral do COP, alertou para o “papel fundamental dos treinadores” no combate à manipulação de competições, no sentido de induzirem os atletas a praticarem desporto em busca da excelência, respeitando o adversário e o público.

O diretor-geral do COP fez incidir a sua intervenção na boa governação das organizações desportivas, que têm a obrigação de proteger “as pessoas, os recursos, a credibilidade e a reputação da modalidades.” Na adoção destes princípios, o combate à corrupção é uma prioridade.

A integridade; a autonomia e prestação de contas; a transparência; a democracia, participação e inclusão são os pilares fundamentais para uma boa governação.

 

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