“O Desporto na Escola e o Desporto Federado” deu título ao seminário realizado esta sexta-feira, na sede do Comité Olímpico de Portugal (COP), pela Comissão de Educação Física e Desporto na Escola (CEFDE).

A abrir o seminário, o presidente do COP, José Manuel Constantino, estimulou os participantes a trabalharem no sentido de o desporto poder “responder às expectativas que existem na escola e no sistema desportivo. Que haja debate sobre o modo como as coisas se devem passar, o nosso objetivo é acrescentar valor.”

Em representação de João Paulo Rebelo, secretário de Estado da Juventude e Desporto, Nuno Laurentino defendeu que “o desporto escolar deve assumir-se como campo de experimentação”, declarando-se “contra a especialização e a campeonite no desporto escolar.” E recorreu ao exemplo de Telma Monteiro, que começou no judo aos 14 anos: “O não se ter especializado demasiado cedo contribuiu para a sua longevidade.”

Ao introduzir o tema das carreiras duplas, Nuno Laurentino considerou não ser “aceitável que um jovem tenha de optar entre a escola e o desporto.”

Victor Pardal, mentor e coordenador nacional das Unidades de Apoio ao Alto Rendimento na Escola (UAARE), esclareceu que estas “fazem carreiras duplas dos alunos”, conciliando “sucesso desportivo e sucesso escolar. O projeto tem de articular um conjunto de atores em que todos somos responsáveis. E o grito de guerra é ‘todos somos UAARE’.”

Participaram neste projeto, em 2018/19, 16 escolas, 40 modalidades, com a mobilização de 410 alunos. As UAARE envolvem professores acompanhantes dos alunos-atletas e podem implicar ambientes virtuais de aprendizagem, com ensino à distância.

Os embaixadores UAARE são Tarantini (Futebol), Nuno Delgado (Judo) e Inês Henriques (Atletismo).

Participaram no debate que se seguiu à apresentação do projeto elementos da equipa pedagógica de ambientes de aprendizagem, João Fernandes e Filipe Castro, os professores acompanhantes Luís Deus (Rio Maior), Rui Marques (Alcântara) e Pedro Batista (Alcântara); e o psicólogo escolar Manuel Paulo (Montemor-o-Velho).

 

Projeto FITescola

O projeto FITescola está traduzido numa plataforma de promoção de estilos de vida saudáveis e da avaliação da aptidão física e da atividade física de crianças e adolescentes, tendo sido apresentado durante o seminário por Cláudia Minderico, da Direção-Geral de Educação e nutricionista na Direção de Medicina Desportiva do COP.

“Sem aptidão física não conseguimos passar às tarefas seguintes”, esclareceu Cláudia Minderico. “Só se eu conseguir divertir-me com as atividades físicas é que conseguirei passar às etapas seguintes e ao alto rendimento.”

A importância de desenvolver uma literacia da aptidão física foi destacada por Cláudia Minderico, que realçou igualmente a necessidade de “incrementar o número de praticantes desportivos.”

O FITescola iniciou-se no ano letivo 2015/16 com 499 escolas, que passaram a 635 em 2018/19, sendo um meio de identificação de alunos para aumentar a atividade física.

“O grande objetivo é educar para a aptidão física”, observou Cláudia Minderico tendo identificado o programa como uma “oportunidade para a integração estratégica da Educação, Desporto e Saúde”, e também para a valorização e reconhecimento social da Educação Física.

O papel do COP no desenvolvimento do FITescola foi destacado por Cláudia Minderico e Marco Alves, diretor do Departamento de Missões e Preparação Olímpica do COP, participou no debate, realçando que o facto de 220 mil alunos já terem sido avaliados “tem de trazer algo ao desporto nacional”, de modo “a enriquecer a prática das modalidades.”

Intervieram também no debate moderado por Nuno Ferro, presidente da SPEF e membro da CEFDE do COP, Ana Seabra (Agrupamento de Escolas de Perafita) e António Quaresma (AE Póvoa de Santa Iria).

João Manuel Ribeiro, da Coordenação Nacional do Desporto Escolar/ DGE, falou dos grupos-equipa com nível III, tendo apresentado um conjunto de reflexões, entre as quais se destacam a proposta de “aumento de créditos letivos para treinos”, o “aumento de momentos competitivos” e também a “coordenação de calendários”.

No campo das interrogações, João Manuel Ribeiro questionou a capacidade de receção e integração dos novos atletas; a composição das equipas técnicas e condições de continuidade; e a definição de políticas de desenvolvimento desportivo, entre outras.

O painel de debate que se seguiu, moderado por Filipe Carmo Ferreira, professor de Educação Física e membro da CEFDE do COP, contou com a participação de José Luís Damas, responsável por grupo/equipa de Nível III, de Futsal, na Escola Básica 2,3 D. João I, Moita; José Sá, responsável por grupo/equipa de Nível III – Basquetebol, na Agrupamento de Escolas de Sampaio, Sesimbra; e Paulo Barrigana, responsável por grupo/equipa de Nível III – Atletismo, no Agrupamento de Escolas Mestre Domingos Saraiva, Sintra.

“Ninguém acredita, mas nós temos de acreditar nos miúdos, o desporto escolar é isso”, referiu Paulo Barrigana. “A passagem do desporto escolar para o desporto federado tem de ser muito bem pensada, não quero criar más experiências aos meus alunos”, acrescentou.

Teresa Albuquerque, da Coordenação Nacional do Desporto Escolar/ DGE, apresentou os centros de formação desportiva e o conjunto de oportunidades que oferecem aos alunos.

“Não são mais horas para dar mais treino. Nós começamos pela base.” O primeiro objetivo passa por “proporcionar a todos os alunos pelo menos uma experiência”, seja na vela, no golfe, na natação ou no atletismo.

“A formação especializada de alunos; a formação e certificação de professores; e a articulação e desenvolvimento curricular” estão entre objetivos do trabalho desenvolvido pelos centros de formação desportiva. “Nós somos um projeto educativo, não somos mais um projeto desportivo”, esclareceu Teresa Albuquerque

Em 2013/14 estavam em funcionamento 13 centros de formação desportiva, atualmente são 71.

José Cordovil, professor de Educação Física e membro da CEFDE do COP, moderou o debate no qual participaram igualmente Nuno Reis, diretor do Agrupamento de Escolas de Portela e Moscavide e do centro de formação desportiva do Parque das Nações; e Rodrigo Galrito, coordenador do centro de formação desportiva do Agrupamento de Escolas Augusto Cabrita, do Barreiro.

A encerrar o seminário, Vítor Pataco, presidente do Instituto Português do Desporto e Juventude, realçou a existência de um conjunto alargado de profissionais que permitem encontrar soluções para o desporto na escola, levantando a seguir algumas questões: “Na escola, a esmagadora maioria dos alunos não faz desporto e esse é o grande desafio, o pano de fundo das opções estratégicas a fazer.” Para além disso, “a relação com a comunidade – baixar os muros da escola – é essencial.” Outra questão nuclear apontada pelo presidente do IPDJ foi “a organização letiva da escola”, de modo a que todos os alunos possam fazer desporto, se assim o pretenderem.

 

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