Ricardo Melo Gouveia tornou-se hoje (Sábado) apenas no quarto jogador da história do Challenge Tour a completar a chamada “dobradinha”, ou seja, a vencer a Grande Final da segunda divisão do golfe profissional europeu e a encerrar a época como nº1 do ranking, que este ano foi batizado com o novo nome de Corrida para Omã.

Tal como o sueco Henrik Stenson em 2000 em Cuba (o atual 7º do ranking mundial), o francês Michael Lorenzo Vera em 2007 em Itália (é o 78º na Corrida para o Dubai do European Tour) e o norueguês Espen Kofstad em 2012 em Itália, também o português de 24 anos viveu a semana perfeita.

«Ter conseguido esta vitória e em cima ter selado o nº1 do ranking do Challenge Tour… foi a melhor tarde de sempre, o melhor dia de golfe de sempre que tive até hoje», disse Melo Gouveia, depois de somar 275 pancadas, 13 abaixo do Par do campo desenhado pelo antigo nº1 mundial Greg Norman em Omã.

As suas voltas de 67, 67, 76 e 65 permitiram-lhe bater o dinamarquês Joachim B. Hansen por 1 única pancada e conquistar a NBO Golf Classic Grand Final, de 375 mil euros em prémios monetários.

«É ótimo poder entrar provavelmente nos 100 primeiros do ranking mundial, não tenho a certeza mas julgo que irei entrar», acrescentou o atual 115º classificado, que ainda há pouco tempo fixou um novo recorde nacional ao atingir o 113º posto.

Foi o seu terceiro título no Challenge Tour, depois dos averbados no EMC Golf Challenge Open em 2014, em Itália; e no AEGEAN Airlines Challenge Tour by Hartl Resort em 2015, na Alemanha.

Passa a ser o português com mais vitórias no Challenge Tour, superando os dois de Filipe Lima (Segura Viudas Challenge de España em 2004 e ECCO Tour Championship em 2009), enquanto Ricardo Santos sagrou-se campeão do The Princess by Schüco em 2011.

Não contamos neste registo com os sucessos de Lima no Aa Saint Omer Open em 2004 e de Santos no Madeira Islands Open BPI de 2012, porque embora também contassem para o ranking do Challenge Tour, detinham o estatuto superior de eventos do European Tour, a primeira divisão europeia.

«Espero que os jovens portugueses olhem para estas prestações e para as dos outros jogadores portugueses e sintam motivação para entrarem nesta modalidade que é muito aliciante», considerou o representante do Team Portugal, depois de ter agradecido no seu discurso aos portugueses e brasileiros que o acompanharam no campo durante os quatro dias de prova.

O algarvio que venceu o Campeonato Nacional Amador em 2009, que em 2014 já tinha sido o único português a vencer a Palmer Cup (a Ryder Cup do circuito universitário americano), tornou-se hoje no primeiro golfista nacional a conquistar a Grande Final e também a ganhar o ranking do Challenge Tour.

Um ano depois de António Rosado ter terminado 2014 como o nº1 da Ordem de Mérito do IGT Pro Tour na África do Sul, Ricardo Melo Gouveia consegue superar essa marca por o Challenge Tour ter um estatuto superior, dado ser um dos oito circuitos internacionais mais importantes do Mundo.

Quando questionado pelo jornalista espanhol Alejandro Rodríguez, do site especializado “Ten Golf”, sobre os seus sonhos futuros, nem pestanejou: «Chegar a nº1 do ranking mundial, jogar Majors, tentar vencer alguns e jogar a Ryder Cup. O Masters é o Major de que gosto mais, seria o que preferiria vencer».

Sonhos à parte, é com os pés bem assentes na terra que irá começar no final deste ano a competir na temporada de 2016 do European Tour, para o qual estava praticamente apurado desde a vitória na Alemanha: «O meu objetivo para a próxima época será manter em primeiro lugar o cartão para o European Tour e entrar nos 50 primeiros do ranking mundial, para poder jogar o máximo de torneios possível».

Esqueceu-se de referir os Jogos Olímpicos, mas esta vitória deverá permitir-lhe aceder ao top-35 do ranking olímpico (outro recorde nacional), sendo que os 60 primeiros competirão no Rio de Janeiro em 2016.

O Gabinete de Imprensa do Challenge Tour preferiu sublinhar um novo recorde deste circuito estabelecido por Melo Gouveia – o de ganhos monetários numa única temporada.

A vitória na NBO Golf Classic Grand Final valeu-lhe 64 mil euros e ter fechado o ano como nº1 da Corrida para Omã rendeu-lhe um bónus de 30 mil euros (uma novidade este ano).

Elevou, assim, o seu total de ganhos pecuniários em 2015 no Challenge Tour para 251.591,89 euros, superando por 8.612 euros o total amealhado pelo italiano Edoardo Molinari em 2012, no ano em que Filipe Lima foi 2º do ranking do Challenge Tour.

Este foi o 5º troféu da temporada para Ricardo Melo Gouveia, o 2º no Challenge Tour.

Mesmo no início do ano, o profissional do Guardian Bom Sucesso Golf venceu um torneio do Algarve Pro Golf Tour (no Morgado do Reguengo Resort) e mais dois no PGA Portugal Tour: o Clube EDP PGA Open na Aroeira e a Taça PGA Portugal Betterball no Bom Sucesso, este último ao lado de Ricardo Santos por ser um evento de pares.

O responsável máximo do Challenge Tour, o francês Alain de Soultrait, destacou no seu discurso na cerimónia de entrega de prémios: «Duas vitórias, 11 top-10 em 17 torneios disputados, é o nº1 de 2015». Se lhe juntarmos o Portugal Masters, são 18 torneios ao mais alto nível com um único cut falhado, uma regularidade inédita!

Uma regularidade que advém de uma força mental férrea, de muito treino, de uma técnica simples e do espírito de campeão.

Hoje, sofreu no buraco 9 o seu único bogey do dia. Olhou para o leaderboard, viu que estava a 2 pancadas da liderança, arregaçou as mangas, converteu 5 birdies seguidos (12, 13, 14, 15 e 16) e fechou com chave de ouro no buraco 18, diante de membros da família real do sultanato, tirando uma bola do bunker para meter logo o primeiro putt e vencer por 1 pancada. Classe, pura classe.

«Entrei no ritmo e foi quase como se estivesse em piloto automático, estava a sentir-me um pouquinho nervoso mas não demasiado porque estava “na zona” e simplesmente comecei a jogar muito bem nos últimos nove buracos. Continuei a fazer birdies atrás de birdies», explicou.

Ricardo Melo Gouveia estava, naturalmente, feliz, mas a cara do seu pai, Tomás, curtida pelo sol depois de cinco dias a puxar o saco do filho sob temperaturas superiores a 30 graus centígrados, era indescritível.

Há um ano, Ricardo veio a Omã e foi 9º classificado. Sentiu-se só e este ano pediu ao pai que o acompanhasse como caddie. O resultado foi o que se viu e o filho não se esqueceu dele na hora de discursar.

«O meu pai esteve esta semana comigo a carregar-me o saco e finalmente conseguiu uma vitória no Challenge Tour. Já ficou empatado com o meu irmão (também Tomás, que foi o caddie de Ricardo este ano na Alemanha).

«Agradeço a toda a minha família, a todos os portugueses que estão em casa, à minha equipa, à minha namorada e a todos os que me apoiaram ao longo da época», afirmou, depois de ter assinado autógrafos e tirado fotografias com dezenas de pessoas, incluindo a família Guerra, de portugueses residentes em Omã.

«Espero não voltar para o ano», concluiu, rindo, o seu discurso, numa referência a que já estará na divisão superior, no European Tour.

Mas se voltar, será muito bem recebido. Deixou saudades em todos os membros do clube, da organização, do público.

 

TEXTO: Federação Portuguesa de Golfe


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