O dia 12 de agosto de 1984 ficará para sempre marcado como a primeira página de ouro do desporto português, com a vitória de Carlos Lopes na Maratona masculina, em Los Angeles

Foi há precisamente 30 anos que pela primeira vez nuns Jogos Olímpicos se ouvia tocar o hino nacional. Carlos Lopes subia ao pódio para receber a primeira medalha de ouro de sempre de Portugal no maior evento multidesportivo do mundo, após vencer a Maratona masculina em Los Angeles, cidade norte-americana que acolheu a edição de 1984.

O atleta português oriundo de Vildemoinhos, nascido a 18 de fevereiro de 1947, eternizava assim o seu nome no desporto português, mas também no mundo olímpico, dado que o tempo com que venceu a maratona, 2h09m21s, foi recorde olímpico até 2008, em Pequim.

Da corrida, destaca-se o andamento vivo e a temperatura elevada que foram desgastando a concorrência do português. Salazar, cedeu ao quilómetro 19, Castella descolou aos 34, Seko e Takeshi ficaram para trás aos 36. Na cabeça do pelotão ficaram, então, Lopes, John Tracy e Charles Speddeing. Mas, aos 38 quilómetros, Lopes desferiu um ataque rumo à vitória, rumo ao sonho. Entrou no estádio com 200 metros de vantagem, em passada firme, com o sorriso nos lábios. Os braços erguidos ao céu. Eram 3.10 horas da madrugada em Lisboa.

Quando cortou a meta, já ninguém se lembrava que, a uma semana da partida para a cidade californiana, Carlos Lopes havia sido atropelado enquanto treinava, junto ao Estádio da Luz, em Lisboa.

No final, Carlos Lopes parecia pronto para correr outro tanto. “Se foi dura a Maratona? Não, foram os 42 km do costume. Nunca tive medo de ser derrotado. Nervoso estava Moniz Pereira. Nunca o vi assim. Nervoso de mais. Estou feliz, o professor merecia esta medalha. Decidi não me preocupar antes dos 37 km, a partir daí sabia que tinha de dar forte e feio, foi o que fiz.”

De 1984 até aos dias de hoje, Portugal somou mais três ouros olímpicos, todos no Atletismo, com Rosa Mota, Fernanda Ribeiro e Nélson Évora a juntarem-se ao mítico Carlos Lopes.

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